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  • Posse: 08/08/2013 - (4º ocupante)
  • Fundador: José Flávio Malheiros Leite
  • Patrono: Castro Alves
  • Antecessor: Luiz Wanderley Torres, Mário Chamie

Acadêmico

 

7 Raquel Naveira 81a2e

RAQUEL MARIA CARVALHO NAVEIRA - Nasceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, no dia 23 de setembro de 1957, filha de um oficial do exército, Adahil Pereira da Silva e de Marlene Carvalho. Foi criada com imenso carinho pelos avós maternos, José Dias de Carvalho, o português Carvalhinho e Emília.

 

Escritora, comunicadora, conferencista, militante cultural, pesquisadora e professora.

 

Formação:

Formada em Letras,na FUCMT

É formada em Direito e Letras pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB/MS), onde exerceu o magistério superior, desde 1987 até 2006, quando se aposentou.

Mestre em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP).

Doutora em Língua e Literatura Francesas pela Universidade de Nancy, França.

Apresentadora do programa literário “Prosa e Verso” pela TV UCDB (2000-2006) 

“Flores e Livros” pela UP TV e pela ORKUT TV.

 

Pertence à:

Academia Sul-Mato-Grossense de Letras;

Academia Cristã de Letras de São Paulo;

Academia Paulista Evangélica de Letras de São Paulo;

Pen Clube do Brasil.

 

Atividades:

Diretora da União Brasileira de Escritores/Seção SP.

É palestrante, dá cursos de Pós-Graduação e oficinas literárias.

É colaboradora do Portal Top Vitrine desde abril de 2014.

 

Publicações:

Escreveu vários livros, entre eles:

Abadia (poemas, editora Imago,1996)

Casa de Tecla (poemas, editora Escrituras, 1999), finalistas do Prêmio Jabuti de Poesia, da CBL.

Ensaios Literatura e Drogas - e Outros Ensaios (Nova Razão Cultural, 2007);

Crônicas Caminhos de Bicicleta (Miró, 2010)

Poemas Sangue Português: raízes, formação e lusofonia (Arte&Ciência, 2012). 

 

Sobre Raquel Navieira:

Passou a infância, até os doze anos de idade, em São Paulo, num casarão antigo da Vila Mariana.
Estudou no Madre Cabrini e no Liceu Pasteur. As lembranças de cantar a Marselhesa e hastear lado a lado as bandeiras do Brasil e da França fizeram da França sua segunda pátria: a pátria da alma, da poesia, do amor perdido em redemoinhos de folhas à beira do Sena.

A família voltou a Campo Grande. Seu avô possuía um sítio chamado “Primavera”, que marcou profundamente sua infância: as flores nas cercas, a casa simples com fogão a lenha, as melancias pelo caminho que levava ao córrego.
Estudou então no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Sempre gostou do ambiente de estudo, dos colegas e professores, das festas, das peças de teatro.

Aos quinze anos, passou a dar aulas de francês na Aliança Francesa, dirigida pela professora Glorinha, Maria da Glória Sá Rosa, sua mestra e modelo.
Aos dezoito, já estava no Colégio Auxiliadora, onde ficou por onze anos, dando início à sua saga no Magistério. Paralelamente, fez o curso de Direito na antiga FUCMT, hoje UCDB (Universidade Católica Dom Bosco).
Casou-se aos vinte anos com seu colega Adhemar Portocarrero Naveira, companheiro da juventude e de todos os momentos e tiveram três filhos: Augusto, Otávio e Letícia.

Hoje são avós de Maria Augusta e de Maria Eduarda. Formou-se depois em Letras, ainda na FUCMT e começou a dar aulas no Departamento de Letras, onde permaneceu por dezenove anos.
Além de dar aulas de várias disciplinas, trabalhou na editora UCDB como revisora e apresentou e produziu por seis anos o programa “Prosa e Verso”, na TV UCDB, canal universitário, entrevistando vários escritores como Adélia Prado, Zuenir Ventura e Ignácio Loyola Brandão, entre outros.

Durante trinta anos, escreveu no jornal “Correio do Estado”: crônicas, ensaios, poemas, sempre crendo no poder de uma palavra solidária e fraterna.

Aos quarenta e oito anos, logo após sua aposentadoria, recebeu um convite para dar aulas no Rio de Janeiro, na Universidade Santa Úrsula. Seu desejo de ampliar horizontes, de conhecer novas pessoas, principalmente aquelas do meio literário a que pertencia de forma espiritual, era muito grande e aceitou o desafio. Sua visão de mundo mudou completamente: viver no Rio é conhecer a realidade brasileira com toda sua dor e delícia. Após dois anos, a família mudou para São Paulo.

Deu aulas de Pós-Graduação em Universidades e aparelhos culturais como Casa das Rosas e Casa Guilherme de Almeida.

Participou da diretoria da UBE (União Brasileira de Escritores, seção São Paulo).

Leitora apaixonada, dedicou-se ao jornalismo e ao magistério.

Quando publicou de forma independente seu primeiro livro, aos 31 anos, já tinha um público leitor formado. Tornou-se uma missivista. Espalhou cartas e livros pelo Brasil e pelo mundo. Enviou seu trabalho a centenas de pessoas: amigos, jornalistas, professores, instituições. Colheu uma respeitável fortuna crítica. Passou depois a viajar, fez o Mestrado em Comunicação e Letras na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, visitou Bienais do Livro, frequentou palestras de escritores.

Em seu primeiro livro de poemas, o Via Sacra, já estavam suas principais temáticas: a terra, o autoconhecimento, o fazer poético, a natureza, o amor e a morte, o cristianismo, a mitologia greco-romana. O livro recebeu crítica favorável no jornal Verve, do Rio de Janeiro, dirigido na época por Ricardo Oiticica.

Em 1990, publicou Fonte Luminosa, em São Paulo, com Massao Ohno, editor de poesia e arte. Fonte Luminosa é uma referência à fonte da praça da 14 e ao próprio Deus, pois o poeta é astro iluminado.

Em 1991, veio Nunca-te-vi, poesia, pela editora Estação Liberdade, de São Paulo. Nunca-te-vi é o nome de um bairro de Bela Vista, cidade que faz fronteira com o Paraguai, outro tema de sua poesia: a alma na fronteira.

Em 1992, pela mesma editora, o primeiro livro de ensaios, Fiandeira, que fala sobre a gênese da poesia, um livro generoso, inspirado na Filosofia da Composição de Edgar Alan Poe, quando explica a composição do poema “O Corvo”.

Em 1993, o primeiro romanceiro épico, Guerra entre Irmãos- poemas inspirados na Guerra do Paraguai, livro que teve uma enorme repercussão, sendo citado por Gilberto Cotrim em livro sobre a história do Brasil.

Em 1994, pela editora paulista Scortecci, o segundo romanceiro: Sob os cedros do Senhor- poemas inspirados na imigração árabe e armênia em Mato Grosso do Sul. Esse livro foi citado por Ana Miranda nas referências de seu livro Amrik, virou espetáculo de dança, rendeu-lhe homenagem em forma de troféu oferecido pelo Clube Libanês de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Em 1995, o livro de poemas Abadia, editado no Rio de Janeiro pela Imago, ganhou a primeira indicação ao prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro.

Em 1996, a primeira novela lírico-bíblica, Mulher Samaritana, publicada pela editora Santuário e seguida por Maria Madalena e Rute e a sogra Noemi.

Em 1996, Caraguatá- poemas inspirados na Guerra do Contestado, publicado pela Fundação Cultural R. Sovierzoski, de Dourados, livro que se transformou num curta-metragem, Cobrindo o Céu de Sombra, do cineasta Célio Grandes. O infanto-juvenil, Pele de Jambo, foi publicado em 1996, pela RHJ de Belo Horizonte e conta a história de Rutinha, uma menina que vive entre dois mundos opostos: São Paulo e Mato Grosso.

O livro de ensaios O Arado e a Estrela foi publicado em 1997, pela editora UCDB.

Em 1997, participou do livro Intimidades Transvistas, publicado pela editora Escrituras de São Paulo, poemas ilustrando os quadros do artista plástico Valdir Rocha, ao lado de outros poetas como Renata Pallottini, Eunice Arruda, Jorge Mautner e Ives Gandra Martins.

Em 1998, Casa de Tecla, poemas ilustrados por Ana Zahran e finalista do prêmio Jabuti.

Em 1999, o livro de poemas Senhora ganhou o prêmio Henriqueta Lisboa, da Academia Mineira de Letras.

Em 2001, no livro Stella Maia- e outros poemas, da editora UCDB, conta em versos a conquista do México pelos espanhóis.

Também em 2001, Xilogravuras, de Valdir Rocha, ao lado de Eunice Arruda, Álvaro Alves de Faria, Celso de Alencar, com prefácio de Nelly Novaes Coelho.

Casa e Castelo, em 2002, reuniu os poemas de Casa de Tecla e Senhora.

Em 2004, Tecelã de Tramas- ensaios sobre interdisciplinaridade, editora UCDB, revela a união entre a poeta e a professora.

Em 2006, Portão de Ferro, poemas, pela Escrituras e em

2007, Literatura e Drogas- e outros ensaios, pela Nova Razão Cultural do Rio de Janeiro.

Em 2010, Caminhos de Bicicleta, crônicas, editora Miró.

Em 2012, o épico Sangue Português: raízes, formação e lusofonia, pela editora Arte&Ciência, a coleção infantil Guto e os Bichinhos e o romance Álbuns da Lusitânia pela editora Alvorada.

Em 2013, Quarto de Artista, prêmio “Alejandro Cabassa da UBE/RJ”.

Em 2014, mais um infantil: Dora, a menina escritora (Campo Grande: Alvorada). 

Acadêmico anterior


Posse: - 17/11/1982 (2º ocupante)


Luiz Wanderley TorresLuiz Wanderley Torres nasceu na cidade de Patos (PE), aos 20 de julho de 1912. Era filho de Pedro Veiga Torres e Maria Wanderley Torres.

Veio para a cidade de São Paulo onde se radicou. Casou-se com Maria de Lourdes Grisolla Wanderley Torres, conúbio que lhe deu dois filhos médicos: Guilherme e Alexandre.
Graduou-se como gemólogo pela Associação Brasileira de Gemologia e Mineralogia.

Advogado, foi promotor público do estado de São Paulo, bem como catedrático de direito romano da Universidade Mackenzie; catedrático de direito internacional público da Faculdade de Direito de Bauru; catedrático de problemas brasileiros da Faculdade de Direito de Itapetininga; e catedrático de princípios de direito das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU).

Foi membro de diversas entidades, dentre as quais têm-se: Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP); Clube dos 21 Irmãos Amigos; Instituto Genealógico; União Brasileira de Escritores (UBE); Associação Paulista de Imprensa; Cavaleiro de São Paulo do Pátio do Colégio; e Instituto Histórico e Geográfico de Bertioga.

Destacou-se também como escritor, historiador, poeta, romancista e conferencista. Foi muito estudioso da história da Inconfidência Mineira.

São de sua lavra 28 livros, dentre os quais têm-se: Tiradentes, A Áspera Estrada da Liberdade (1965); Prismas (contos); Adelaide, A Filha do Circo (1985, romance); Crimes de Guerra, Crimes Contra a Humanidade; Crimes de Guerra, O Genocídio (direito); Punhado de Poesias (1982); Primavera de Poesias; Nordeste Pitoresco e Engraçado (1984); Mani ou um Monte Chamado Pascoal; Os Mais Belos Poemas e Quadras (1986); Os Direitos do Homem (1992); Os Trabalhos e os Dias (contos); Vida e Morte do Padre Cícero; A Fascinante História do Acre; Retrato de um Inconfidente; Paulistas na Inconfidência (Confidência); Calúnia, Difamação e Injúria (direito); História de uma Igreja e de um Colégio; Lampião e o Cangaço (1994); No Rastro de Lampião; Vida e Morte de Castro Alves; Meu Amigo Assis Chateubriand; Vida e Luta de Maomé; A Liberata (teatro); Ciúme (teatro); O Amor Tudo Vence (teatro); Outras Histórias do Índio Cazumbá (1994); dentre outros trabalhos.

Luiz Wanderley Torres foi o segundo ocupante da cadeira no 7 da insigne Academia Cristã de Letras sob a patronímica de Castro Alves.


Texto feito pelo acadêmico Helio Begliomini, segundo ocupante da cadeira no 10 da Academia Cristã de Letras, tendo por patronesse Marie Barbe Antoinette Rutgeerts van Langendonck.

Posse: - 17/10/2004 (3º ocupante)


Mário Chamie(1933-2011)Mário Chamie nasceu na cidade de Cajobi (SP), em 1o de abril de 1933. Era descendente de árabes. Veio para a capital paulista aos 15 anos, a fim de trabalhar e estudar.

Graduou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, em 1956. Paralelamente, dedicou-se também à literatura e, particularmente, à poesia. Publicou seu primeiro livro de poemas ainda enquanto estudante de direito, que o intitulou Espaço Inaugural (1955).

Uniu-se ao movimento vanguardista da poesia concreta, vindo a lume aos livros: O Lugar (1957) e Os Rodízios (1958). Em 1961, deixou o concretismo e fundou o movimento da poesia-praxis, que mantinha a revista Praxis. Nesse periódico teve a participação de Cassiano Ricardo, José Guilherme Merquior, Cacá Diegues, Jean-Claude Bernardet e Maurice Capovilla, entre outros. Em 1962, lançou o livro Lavra Lavra, obra que recebeu o Prêmio Jabuti de 1963, concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

A partir de 1963, Mário Chamie fez uma série de conferências sobre a nova literatura brasileira, na Itália, Alemanha, Suíça, Líbano, Egito e Síria. Em 1964, ministrou palestras sobre problemas da vanguarda artística em várias universidades dos Estados Unidos da América – Nova Iorque, Columbia, Harvard, Princeton, Wisconsin e Califórnia. Em Harvard, deu aulas para o astro da música Jim Morrison, vocalista da banda The Doors, de quem guardava uma coleção de cartas que este lhe enviara.

Em 1967, colaborou com a revista Mirante das Artes, dirigida por Pietro Maria Bardi, diretor do MASP – Museu de Arte de São Paulo.

Mário Chamie atuou também como secretário de Cultura do município de São Paulo (1979-1983), sendo o responsável pela inauguração do Centro Cultural São Paulo e pela reorganização da Pinacoteca Municipal de São Paulo.

Obteve seu doutorado em literatura, em 1994, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Desde 1997, atuou como professor titular de comunicação comparada da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo. Foi também locutor do programa 50 por 1, exibido pela Rede Record e apresentado por Álvaro Garnero.

Teve mais de 140 trabalhos publicados, incluindo versões em francês, inglês, italiano, espanhol, alemão, holandês, árabe, tcheco e outros 50 idiomas. Gilberto Freyre escreveu sobre Chamie: “A criatividade se apresenta tão dele e tão não somente dele que é como se palavras, ou relações entre palavras, nascessem com ele, como se fossem de todo inventadas”.

Dentre outros prêmios recebidos têm-se: Prêmio Nacional de Poesia, pelo livro Os Rodízios (Porto Alegre, 1958); Prêmio Jabuti, pelo livro Lavra Lavra, concedido pela Câmara Brasileira do Livro (São Paulo, 1962); Prêmio de Televisão, pelo programa Dimensão 2 (TV Cultura), concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (São Paulo, 1974); Prêmio Governador do Estado de São Paulo, pelos originais do livro Linguagem Virtual (São Paulo, 1974); Prêmio de Ensaio, pelo livro Linguagem Virtual, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (São Paulo, 1976); Prêmio de Poesia, pelo livro Objeto Selvagem, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (São Paulo, 1977); e Prêmio Portugal Telecom – (3o lugar), pelo livro Horizonte de Esgrimas (2003).

Mário Chamie foi o terceiro ocupante da cadeira no 7 da veneranda Academia Cristã de Letras, tendo por patrono Castro Alves (1847-1871). Ademais, tornou-se o XX ocupante da cadeira no 26 da insigne Academia Paulista de Letras, tendo por patrono José Martins Fontes (1884-1937). Nesse sodalício participou do projeto “Escritor na Escola”, ministrando duas palestras sobre o ritmo da fala na poesia escrita, nos colégios EE. Professor Narbal Fontes e EE. Dr. Octávio Mendes.

São de sua Lavra os seguintes livros de poesias: Espaço Inaugural (1955); O Lugar (1957); Os Rodízios (1958); Lavra Lavra (1962); Now Tomorrow Mau (1963); Indústria (1967); Planoplenário (1974); Objeto Selvagem (1977); Configurações (1977); Conquista de Terreno (1977); Sábado na Hora da Escuta (1979); A Quinta Parede (1986); Natureza da Coisa (1993); Caravana Contrária (1998); e Horizonte de Esgrimas (2002).

Publicou também os seguintes ensaios: Palavra-Levantamento (1963); Alguns Problemas e Argumentos (1968); Intertexto (1970); A Transgressão do Texto (1972); Instauração Práxis 1 (1974); Instauração Práxis 2 (1974); A Linguagem Virtual (1976); A Linguagem da Época (1979); Mário de Andrade – Discurso Carnavalesco (1979); A Falação Possessória (1991); Caminhos da Carta (2002); e A Palavra Inscrita (2004).

Mário Chamie faleceu em 3 de julho de 2011, aos 78 anos, em São Paulo. Era viúvo da artista gráfica Emilie Chamie, sua companheira de muitos anos, falecida em 2000. Era também pai da musicista e cineasta Lina Chamie.


 Texto feito pelo acadêmico Helio Begliomini, segundo ocupante da cadeira no 10 da Academia Cristã de Letras, tendo por patronesse Marie Barbe Antoinette Rutgeerts van Langendonck.

 

Fundador

 


Posse: 01/12/1967 -  (1º ocupante)


José Flávio Malheiros Leite nasceu na cidade de São Paulo. Estudou no Seminário do Carmo, em Itu, e no Colégio São Luiz, em São Paulo.

Foi jornalista, auditor fiscal federal e empresário, exercendo atividades no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Trabalhou como jornalista por muitos anos na Folha de S. Paulo e na TV Piratini de Porto Alegre.

Ainda jovem participou das tertúlias poética na Casa do Poeta de São Paulo, onde foi membro e conviveu com escritores contemporâneos. Afeito às letras, manteve coluna em jornais e revistas. Dedicou-se à poesia, editando vários livros e prefaciando outros.

É de sua lavra o livro Antologia Poética.

José Flávio Malheiros Leite foi membro fundador da cadeira no 7 da insigne Academia Cristã de Letras, escolhendo Castro Alves como seu patrono.

Patrono

Castro Alves(1847-1871)Antônio de Castro Alves nasceu a 14 de março de 1847, na fazenda Cabeceiras, interior da Bahia, filho de Antônio José Alves e Clélia Brasília Castro. Sua mãe faleceu em 1859. No colégio, iria encontrar uma atmosfera literária, produzida pelos saraus, festas de arte, música, poesia e declamação de versos. Aos 17 anos fez as primeiras poesias, granjeando desde cedo notoriedade como poeta inflamado.

Em maio de 1863, submeteu-se à prova de admissão para o ingresso na Faculdade de Direito do Recife, mas foi reprovado. Mas seria no Recife tribuno e poeta sempre requisitado nas sessões públicas da Faculdade, nas sociedades estudantis, na plateia dos teatros, incitado desde logo pelos aplausos e ovações. Era um belo rapaz, de porte esbelto, tez pálida, grandes olhos vivos, negra e basta cabeleira, voz possante, dons e maneiras que impressionavam a multidão, impondo-se à admiração dos homens e arrebatando paixões às mulheres. Ocorrem então os primeiros romances e amores, que nos fez sentir em seus versos, os mais belos poemas líricos do Brasil.

Em 1863 conheceu a atriz portuguesa Eugénia Câmara, influência decisiva em sua vida, sua amante e grande paixão. No dia 17 de maio, Castro Alves publicou no primeiro número de A Primavera seu primeiro poema contra a escravidão: A canção do africano. A tuberculose se manifestou e teve uma primeira hemoptise..

Numa fase de intensa produção literária, dedicou-se a duas grandes causas: uma, social e moral, a da abolição da escravatura; outra, a república, aspiração política dos liberais. Data de 1866 o término de seu drama Gonzaga ou a Revolução de Minas, representado na Bahia e depois em São Paulo, no qual conseguiu consagrar as duas grandes bandeiras de sua vocação. Na estreia de Gonzaga, no dia 7 de setembro, no Teatro São João, foi coroado e conduzido em triunfo.

Em janeiro de 1868, embarcou com Eugênia Câmara para o Rio de Janeiro, sendo recebido por José de Alencar e visitado por Machado de Assis. A imprensa publica troca de cartas entre ambos, com elogios ao poeta. Em março, viaja para São Paulo, onde decidira continuar seus estudos.

Publicou então poemas líricos e heroicos em jornais ou recitados nas festas literárias, que produziam a maior e mais arrebatadora repercussão. Tinha 21 anos e estava consagrado na sua geração, à qual pertenciam talentos e capacidades literárias como Fagundes Varela, Ruy Barbosa,Joaquim Nabuco, Afonso Pena e Rodrigues Alves. Castro Alves, na linguagem divina que é a poesia, lhes dizia a magnificência de versos que até então ninguém dissera, numa voz que nunca se ouvira, como afirmou Constâncio Alves. Possuía uma genialidade à altura de um personagem de Homero.

Em 7 de setembro de 1868 fez a apresentação pública de Tragédia no mar, que depois ganharia o nome de “O Navio Negreiro”.Desfaz-se em 28 de agosto de 1868 sua ligação com Eugênia Câmara. Em seguida, numa caçada, fere o pé acidentalmente com um tiro. Disso resultou longa enfermidade, cirurgias, chegando ao Rio de Janeiro no começo de 1869, para salvar a sua vida, mas com o martírio de uma amputação sem anestesia.

No dia 31 de outubro de 1869, assistiu a uma representação de Eugênia Câmara, no Rio de Janeiro. Ali a viu pela última vez, pois a 25 de novembro decidiu partir para Salvador. Mutilado, estava obrigado a procurar o consolo da família e os bons ares do sertão.Em fevereiro de 1870 seguiu para Curralinho para melhorar a tuberculose que se agravara. Em setembro, voltou para Salvador. Ainda leria, em outubro, A cachoeira de Paulo Afonso para um grupo de amigos, e lançou Espumas flutuantes.

Sua última aparição em público foi em 10 de fevereiro de 1871 numa récita beneficente. Morreu às três e meia da tarde, no solar da família no Sodré, Salvador, Bahia, em 6 de julho de 1871, tarde de inverno e de fogueiras acesas.
Seus escritos póstumos incluem apenas um volume de versos: A Cachoeira de Paulo Afonso (1876), Os Escravos (1883) e, mais tarde, Hinos do Equador (1921).

 

Discurso de recepção

Discurso de recepção - Cadeira nº 07

Discurso de posse

Raquel Naveira em seu discurso de posse:

Dr. Ruy Altenfelder, caros confrades, acadêmicos, amigos, senhores,

7 Raquel Naveira 81a2eFiz em minha vida uma escolha definitiva: o cristianismo. O cristianismo como ponto de chegada, porto de uma trajetória pessoal de busca da verdade, qualidade intrínseca ao meu eu. O cristianismo não como limitação, mas como forma de me realizar mais livremente, sentindo-me cada vez mais absorvida pela personalidade de Cristo.

Aos poucos cheguei à revelação de que Jesus é o Verbo Encarnado, a Essência Revelada, a Palavra feito gente e que, portanto, Jesus é a Poesia ou que a Poesia é Jesus. Assim o explica a poeta francesa Raïssa Maritain, esposa do filósofo francês Jacques Maritain:

“Deus, a Poesia. Uma atividade interior absolutamente reta e pura, vai a um e a outro, vai por vezes de um a outro. O recolhimento divino explode em salmos – e a quietude do poeta descobre Deus.”

Foram o Cristianismo e o exercício da Poesia que me encaminharam para a cadeira número 07 desta Academia Cristã de Letras, que ora passo a ocupar com muito orgulho, cujo patrono é Castro Alves, sendo meu antecessor Mário Chamie. Dois grandes poetas que representam séculos de tradição e história da poesia brasileira, do romantismo ao modernismo.

Castro Alves: paixão da minha juventude. Posso imaginá-lo: a vasta e densa cabeleira negra, o paletó preto de casimira inglesa, o chapéu gelô, o ar e a capa de D. Juan. Posso vê-lo na praça, atacando a escravatura, denunciando o luxo dos aristocratas e a miséria do povo. Declamando com voz forte: “A praça! A praça é do povo/ Como o céu é do condor !/ É o antro onde a liberdade/ Cria águias em seu calor.”

Antônio de Castro Alves nasceu no interior da Bahia em 1847, ingressou na Faculdade de Direito do Recife, granjeando desde cedo notoriedade como poeta inflamado. Enamorando-se pela atriz Eugênia Câmara, estrela rutilante do teatro, mulher madura, exuberante e livre, rumou com ela para o Rio de Janeiro, onde foi festivamente recebido por Alencar e Machado de Assis. Veio depois para São Paulo. Separou-se de Eugênia Câmara. Numa caçada feriu-se acidentalmente. Seguiu para o Rio, onde lhe amputaram o pé gangrenado e de lá para a Bahia, já minado pela tuberculose. Deixou, entre outras obras, Espumas Flutuantes e Os Escravos, poemas em que clama pela abolição: “Cai, orvalho de sangue do escravo,/ Cai, orvalho, na face do algoz./ Cresce, cresce, seara vermelha,/ Cresce, cresce, vingança feroz.” Estrofe após estrofe, o poeta desfila as disparidades sociais e injustiças daquele século de aparente grandeza e progresso. Escreveu, alguns dias antes de sua morte, uma Carta às Senhoras Baianas pedindo donativos para uma sociedade antiescravista. Até o fim ele se manteve fiel a essa luta. Foi numa noite de inverno e de fogueiras acesas, a 06 de julho de 1871, que o poeta faleceu olhando para as estrelas do infinito.

Conheci o poeta, advogado, professor de Ciência da Literatura na Sorbonne e em Harvard, Mário Chamie, meu antecessor, na década de oitenta, quando eu ainda morava em minha cidade, Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Eu via nele a personalidade de relevo na história da literatura brasileira contemporânea, o autor de vasta obra poética de qualidade reconhecida nacional e internacionalmente, lembrava do papel decisivo que ele tivera no destino de nossas vanguardas artísticas, mas Chamie fazia questão de me tratar com simplicidade e cavalheirismo nos encontros que tivemos na Folha de São Paulo, nas livrarias e na Academia Paulista de Letras. Sempre me perguntando das notícias do meu magistério na Universidade Católica Dom Bosco; do movimento literário em terras de cerrado, mate e pantanais.

Em 1962, com o livro clássico Lavra Lavra, no posfácio intitulado “Poema-Práxis (Manifesto Didático)”, Chamie se propôs a uma busca de novos caminhos estéticos para a poesia brasileira através da organização de “uma realidade situada, em três condições de ação: o ato de compor, a área de levantamento da composição e o ato de consumir poesia”.

O manifesto de Chamie explica o poema-práxis como uma composição do “espaço em preto”, onde não se encontra o verso tradicional como referência e, muito menos, o espaço em branco, tão valorizado pela Poesia Concreta, contra a qual o poema-práxis surge como instauração de uma vanguarda nova. O movimento também revaloriza a poesia engajada, procurando retratar aspectos sociais brasileiros.

Mário Chamie lançou ainda a revista Práxis, responsável pela divulgação do movimento, que contou com a adesão de poetas como Mauro Gama, Armando Freitas Filho e Antônio Carlos Cabral, além de nomes consagrados como Cassiano Ricardo e o crítico José Guilherme Merquior. Posteriormente, em 1974, os principais textos da revista de autoria de Chamie foram organizados por ele nos dois volumes da Instauração Práxis.

Em 1997, o poeta publicou a sua poesia completa, Objeto Selvagem, que ganhou o prêmio Melhor Livro de Poesia, instituído pela Associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo. Dele retirei o poema que dá título ao livro,

OBJETO SELVAGEM

No espaço do campo, passa o homem e sua miragem.

No espaço da cidade, dorme o homem em sua passagem.

No espaço da consciência, gera o vírus a sua voragem.

Por todos esses espaços, de surda força indomável,

Passa o espaço da palavra com a sua selva sem margem.

Na selva dessa paisagem, no centro de sua arena,

Age a força do poema, meu objeto selvagem.

Segundo Gilberto Freyre, “em Mário Chamie, a criatividade se apresenta tão dele e tão somente dele- que é como se as palavras, ou relação entre palavras, nascessem com ele, como se fossem de todo inventadas.”

Que honra pertencer a uma Academia que é orgulho dos paulistas, tendo como meus pares ilustres mestres da palavra e excelentes criaturas; que alegria caminhar sob a inspiração do poeta condoreiro que simboliza a liberdade, Castro Alves e do poeta experimentalista que manteve a tradição erudita sem renunciar ao espírito de vanguarda, Mário Chamie. Homenageio a ambos com o meu poema que trata dos devaneios característicos dos poetas e se intitula “Divagação”:

Perdi-me em matas intrincadas,
Em mares bravios,
Num desvario louco
De poeta.

Imaginei façanhas absurdas
Que me levariam à glória
E me lembrei de tudo que aconteceu
Antes de meu nascimento
E de tudo quanto será
Depois da minha morte.

No meu devaneio
O reino de Deus
Estava dentro de mim,
Eu era um ser superior
Influenciado pela minha própria fantasia.

Enquanto divagava
Minha essência
Foi liberada
E havia fontes nas matas
E havia espumas flutuando nos mares.

Agradeço a Deus, aos meus avós que me criaram com carinho, aos meus pais, ao meu esposo Adhemar Portocarrero Naveira e a todos os presentes. Obrigada.

Raquel Naveira