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  • Posse: 03/04/2007 - (3º ocupante)
  • Fundador: Carlos Coelho de Faria
  • Patrono: Madre Maria Teodora Voiron
  • Antecessor: José Benedito Silveira Peixoto

Acadêmico

39 Frances de Azevedo 945e9

FRANCES DE AZEVEDO -  nasceu em São Paulo - Capital, em 18 de Março.

Atual ocupante da cadeira número 39 da Academia Cristã de Letras, sucedeu a Dr. José Benedito Silveira Peixoto, tomando posse no dia 03 de Abril de 2007.

 

Formação:

Advogada formada pelas Faculdades Metropolitanas Unidas, em 1975. Especialidade: Direito Civil e Família.

 

Atividades:

Poeta, Trovadora, Contista, Declamadora, Escritora, Apresentadora.

Atua como Curadora Especial junto à Procuradoria de Assistência Judiciária do Estado de São Paulo (PAJSP) desde 1990.

Atuou como advogada dativa nas áreas cível e criminal no Poder Judiciário de 1980 a 1988.

Possui diversos cursos de desenvolvimento profissional e pessoal, tendo participado de inúmeros congressos e seminários no Estado de São Paulo.

Foi Diretora Cultural e Social OABSP, Secção Jabaquara, tendo coordenado palestras jurídicas, entre as quais: Identidade, Resistência Positiva (2003); Direitos Humanos das Vítimas da Violência (2001); União Estável (2000); Liberdade, Sempre Liberdade, Aspectos Jurídicos das Relações Raciais (99), etc.

 

Associações:

Diretora Cultural e Social da OAB/Jabaquara (199/2004);

Diretora da Comissão dos Direitos Humanos da OAB/Jabaquara (98/99);

Secretária do Movimento Poético Nacional 2002/2005 e 2008/2013;

Comissão Cívica e Cultural da Associação Comercial de São Paulo desde 2004 (Foi secretária de 2006/2013);

Conselheira da Associação Comercial /Sudeste desde 2004;

Conselho Gestor da FEBEM/Guararema/SP, atual Fundação Casa (2004/2006);

Secretária da Comissão de Relações Institucionais e Corporativas da OAB/SP desde 2004/2010;

Comissão de Resgate da Memória da OAB/SP desde 2004;

Comissão de Estudos da Lei de Imprensa da OAB/SP (2006/2008);

Sociedade Veteranos de 32- MMDC/SP/Capital desde 2005:API desde 2006;

ONE- Ordem Nacional dos Escritores;

Membro remido da Academia Linense de Letras (2009);

IHGG Sorocaba (desde 2009), etc.

 

Autora e coordenadora de eventos, entre os quais:

1º Concurso de Poesia da OAB/Jabaquara. Auditório “Valter Maria Laudísio em 06/04/2000;

1º Encontro de Poetas/OAB Jabaquara em 11/2001;

2º Concurso de Poesia da OAB/Jabaquara. SESC Vila Mariana, em 10/10 2002;

1º. Concurso de Poesias OAB/SP, 2004, (Idealizadora e Presidente da Comissão Julgadora); “O Negro Como Um Agente Civilizador do Brasil”, Associação Comercial SP/Sudeste (2004 - Palestrante Dra. Eunice Aparecida de Jesus Prudente);

Projetos de Poesia Cívica e Pela Paz pela Distrital Sudeste da ACSP (dede 2009); Etc.

Palestrante (Voluntariado/Com Certificados):- Atuou na Implantação do Projeto “A OAB Vai à Escola” OAB/Jabaquara, (04/1999) como Coordenadora e Palestrante (Alimentos, União Estável, Direitos e Garantias Constitucionais, ECA, Drogas, Poesia) (1999/2004);

Palestra sobre Cidadania, Direitos e Garantias Constitucionais, ministrada aos cabos e soldados do Ministério da Defesa do Exército Brasileiro, Hospital Geral de São Paulo (07/2001); Etc.


Obras:

Poesia Sobretudo (2002);

Além da Imaginação: Poesias (2004);

Apenas Mais Alguns Versos, Trovas e Outras Palavras (2007);

Alguns Pensamentos Poéticos (2007);

Versos, Sempre Versos e... (2011);

Poemas Paulistas (2011);

Contos Esparsos (2014);

Reflexões Instantâneas (2014).

 

Diversas publicações em Jornais e Revistas, entre os quais:

Revista do Movimento Poético Nacional,

Jornal do Movimento Poético Nacional,

Jornal da Imprensa Paulista,

Diário do Comércio, etc.

 

Premiações:

Foi galardoada com Medalhas, Troféus, Diplomas, Certificados, Condecorações, entre as quais:

VII Concurso de Poesias, Contos e Crônicas da Associação Artística Literária “A Palavra do Século XXI”, (2002);

2º. Concurso de Poesia da Família Maçônica da Casa do Poeta Maçom do Brasil (2004):

Certificado de Menção Honrosa XI Concurso Nacional de Poesia Edição “Cruz e Sousa” (2004);

Certificado de Participação da Comissão Julgadora do Concurso de Crônicas e Poemas do IV Simpósio Multidisciplinar do UNIFAI (2005);

Medalha da ONE (2010);

Diploma Honra Ao Mérito em Fev./2006, OAB/SP (Serviços prestados de Assistência Judiciária à população do Estado de São Paulo desde 1987).

Medalha Fraterna Amizade da Loja Maçônica Roma/SP, 0425, (13/Maio/2006) por serviços voluntários à Cidade de São Paulo.

Certificado de Agradecimento e Participação: Diploma Sociedade Veteranos de 32- MMDC de Outorga da Medalha Governador Pedro de Toledo em 02/Outubro/2006, por relevantes serviços prestados a São Paulo e ao culto da Epopéia Cívica 32.

Medalha Constitucionalista (2012);

Medalha MMADC pelo IHGG Sorocaba (2012);

Placa do CIEE em Comemoração aos 79 anos da Revolução de 32 (2011);

Certificado de Menção Honrosa, em Novembro/2006,

VI Concurso Literário “Cleber Onias Guimarães” SP; Certificado de Menção Honrosa “XII Concurso Nacional de Poesia Edição Guilherme de Almeida” (Março/2007);

Medalha Concurso de Poesia Letras do Divino, (2014), Itanhaém SP, etc. 

 

Acadêmico anterior


Posse: 26/10/1989 - (2º ocupante)


JOSÉ BENEDITO SILVEIRA PEIXOTO 86ce0

Sucedeu a Carlos Coelho de Faria. Sua posse se deu em 26 de Outubro de 1989 perdurando até o dia de seu falecimento em 15 de Março de 2006.

Nasceu em São Paulo, a 14 de Março de 1909, dia em que também nasceu o grande poeta Castro Alves.

Silveira Peixoto era filho do Professor Pio Telles Peixoto e Dona Maria da Paixão Silveira Peixoto. Com tenra idade, foi residir na cidade de Tremembé. Mais tarde foi para Taubaté. Já era jornalista aos 16 anos de idade. Trabalhou em diversos jornais e revistas de renomes, entre os quais: “A Gazeta”, “O Estado de São Paulo”, “União Jornalística Brasileira”, “Correio da Manhã”, “Vanitas”, todos, de São Paulo; “A Batalha”.”Vamos Ler”, “Carioca”, estes, do Rio de Janeiro. Ainda, “Polônia”, de Varsóvia. Legou-nos mais de 25.000 trabalhos para a imprensa. Exerceu várias funções de uma redação: de revisor a redator-chefe.

Foi Professor de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. E, quando, aposentado, professor emérito da mesma. Professor de Direito da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.

Colaborou em diversas associações de comunicação social, entre as quais: Associação Goiana de Imprensa, Associação de Rádio e Imprensa de Ribeirão Preto, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Uberaba (MG).

Organizou e coordenou os primeiros Cursos de Cooperativismo realizados no Brasil.

Realizou cursos e conferências sobre música brasileira, na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro e em diversas Academias Musicais.

Colaborou em Cursos de Literatura da União Brasileira de Escritores (SP).

Foi membro da Academia Paulista de Letras, da Academia Paulista de Jornalismo, da Academia Brasileira de História. Sócio emérito do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Foi combatente da Revolução constitucionalista de 1932 sendo vice-presidente do Conselho Supremo da Sociedade Veteranos de 32-MMDC e participou da Comissão Geral do Cinqüentenário da Revolução de 32.

Cidadão Emérito de São Paulo (Decreto Legislativo nº. 4/75). Entre as inúmeras condecorações, títulos honoríficos, troféus, diplomas, destaca-se a Medalha de “Mérito Jornalístico” do Governo de São Paulo.

 

É autor de diversas obras, entre as quais:

“Falam os Escritores” (em três volumes);

“A Tormenta Que Prudente de Moraes Venceu”,

“Rapsódia de Escândalos” ;

“Meus Irmãos,Homens Livres!”,

“Papai Noel é Muito Adulador”;

“Os Pioneiros de Rochdale”;

“As Assembléias Gerais das Cooperativas e o direito Brasileiro”, etc.

Fundador


Posse: 06/04/1978 - (1º ocupante)


Carlos Coelho de Faria 61651

Nasceu em Minas Gerais. Era cirurgião dentista. Dedicou-se à educação, fundando uma casa de ensino, que se tornou sobejamente conhecida, alcançando alta reputação entre os estabelecimentos do gênero.Dirigiu, como Mordomo, por mais de quinze anos, o Departamento de Geriatria D. Pedro II, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, realizando magnífico trabalho social.

Publicou vários livros, entre os quais: “A Vida Não Tem Idade”, “A Velhice é Preconceito” e “Vida e Obra de Madre Theodora”.

Tomou posse como fundador da Cadeira 39, da Academia Cristã de Letras, em 6 de Abril de 1978, sendo saudado pelo acadêmico Ruy de Azevedo Sodré, que ressaltou o edificante trabalho de Carlos Coelho de Faria sobre a velhice, assim se expressando na ocasião:

“O seu livro “A Vida Não Tem Idade” mostra, à evidência, essa característica de revelar-se a si próprio. Ele foi escrito por quem conhece a fundo, o tema abordado-a velhice- e que o tem vivido, intensamente, na prática”.

E, mais: “A vida de Carlos Coelho de Faria tem sido uma longa lição de humildade”.

“Carlos Coelho de Faria é um idealista que vive realizando uma missão social que o torna um apóstolo do altruísmo.”

Carlos Coelho de Faria via o problema da velhice sob o prisma do otimismo. Dizia ele: “A arte de envelhecer é viver sem ser velho”. É nos sentirmos ativos e seguros diante da vida. O por do sol é tão belo e às vezes mais glorioso do que o nascer.

 

Patrono

 

Madre Maria Teodora Voiron b719f

Nasceu em Chambéry, França, em 6 de Abril de 1835, tendo recebido no batismo o nome de Luiza Josefina.

Iniciou o noviciado em sua cidade natal, no Noviciado das Irmãs de São José. Distinguindo-se na prática de todas as virtudes, mormente por ocasião da epidemia de cólera morbus em 1859!

Com apenas 23 anos de idade foi enviada ao Brasil (24/05/1858) como missionária, pela Congregação das Irmãs de São José de Chambéry, França. Chega ao seu destino, Itu, em 15 de Junho de 1859, onde, em 13 de Novembro do mesmo ano, assumiu, como Superiora, o Colégio Nossa Senhora do Patrocínio, data de sua fundação. Tinha, então, 24 anos de idade.

Irmã Maria Theodora, à frente do referido Colégio trabalhou arduamente, dando apoio às demais Irmãs, seguindo os mandamentos evangélicos, orientando os estudos e os passos das jovens alunas. Logo passou a ser pessoa de grande estima da população, tão grande sua dedicação a tudo e todos.

Seus olhos sempre voltados para os mais necessitados, logo, levam-na a cuidar de uma classe de filhas de escravas. Com que orgulho, satisfação desempenhava tal tarefa!

Em 1863, na referida instituição, passou a funcionar o Orfanato gratuito. E, em 1865, Externato para crianças pobres. De todos, cuidava com desvelo, carinho, irrestrito.

Era incansável. Com isso atraia intrigas, inveja, causando-lhe imenso sofrimento moral.A tal ponto, que para desfazer mal entendido de que não estaria acatando ordens da Congregação, teve que ir a Chambéry, França,(Julho/1866) explicar-se. Na viagem adoece, tendo que permanecer em repouso. Ainda, enfraquecida, chega em Chambéry.

Na volta para o Brasil, encontra, o Colégio Nossa Senhora do Patrocínio, fechado devido à epidemia de tifo. Após, alguns dias ordena a reabertura do Colégio, reiniciando sua jornada abnegatória.

Também, assina um contrato com Santa Casa de Itu para as Irmãs assumirem a enfermaria do Hospital.

Madre Maria Theodora, foi, portanto, precursora dos internatos no Estado de São Paulo para educação das jovens, e fundadora das Irmãs de são José Chambéry no Brasil.

Inúmeras foram as suas obras junto aos asilos, orfanatos, hospitais, leprosários e escolas para meninas pobres nos 60 anos de seu superiorato.

Em 1920 devido a uma queda fraturou o fêmur, sendo obrigada a se locomover somente com cadeira de rodas.

Em 1921, afastou-se definitivamente do cargo de Provincial, passando a viver no silêncio e na humildade.

Faleceu aos 17 de Julho de 1925. Encontra-se sepultada no recinto do antigo Colégio Nossa Senhora do Patrocínio,em Itu/SP.

Diversas pessoas visitam o seu túmulo para agradecer as graças recebidas com a sua intercessão.

O processo de beatificação encontra-se em Roma.

Em 1989, a Igreja, reconheceu o grau de suas virtudes, dando-lhe o título de Venerável!

Há um hino em seu louvor com letra e música da Irmã Míria Therezinha Kolling, assim como obra literária de autoria de nosso confrade Roberto Machado de Carvalho, intitulada: A Glorificação da Venerável.E, ainda, “Vida e Obra de Madre Theodora” de Carlos Coelho de Faria, fundador desta cadeira.

Discurso de recepção

 

Posse da poeta Frances de Azevedo na ACL.
(Palavras proferidas pelo professor Paulo Nathanael Pereira de Souza, Presidente da Academia Cristã de Letras, em 03 de Abril de 2007, no auditório ?Ernesto Igel?, do CIEE).

Senhores Acadêmicos desta e das demais Academias, aqui presentes,
Senhores Convidados,
Meus Senhores e minhas Senhoras:

Quero crer que um dos pontos mais altos e relevantes da vida de uma Academia seja a cerimônia de recepção de um novo associado.
Porque encarna ela o princípio da renovação dos quadros e, mais do que isso, pereniza a instituição, visto que, no mundo, os seres vivos são individualmente perecíveis, mas a vida como tal guarda em sua essência, o princípio da eternidade, que se manifesta exatamente na sucessão dos quadros existências e na longevidade das instituições humanas. Por isso se engalana, hoje, a Academia Cristã de Letras, com a chegada a seus domínios da poeta Frances de Azevedo, até nós conduzida pelas mãos do confrade João Batista de Oliveira, e acolhida neste cenáculo pela unanimidade dos sufrágios. Vem ela, com sua simpatia pessoal e a encantadora beleza dos seus versos, fortalecer esta coletividade de ilustres intelectuais e incansáveis lutadores em prol da incolumidade do vernáculo e da crescente produção literária de qualidade, trazendo como suas armas de combate, uma admirável produção reunida principalmente nos livros ?Poesias (sobretudo)! E ?Além da Imaginação, Poesias?. E oq eu dizer da poesia em geral e poética em especial da Dra. Frances?
Poesia não se define ? Lorca escreveu certa vez: ?Que voy a decir yo de la poesia? Que voy a decidir de essas nubes, de esse cielo? Mirar, mirar, mirarlas y nada más Compreenderás que um poeta no puede decir nada de la poesia.? Não se define, porque não se mensura, nem se racionaliza. É a nebulosa que não se fez planeta, e guarda no indefinido de sua incerta natureza, o sentido ambíguo das fontes inspiradoras do seu expressionismo oculto. Como o amor, a poesia se faz reconhecer, sem necessidade de crucifica-la conceitualmente nos parâmetros cartesianos da lógica e da razão. Dizer o indizível, ver, com os olhos da alma, decodificar o belo, que se oculta nos refolhos de um surrealismo onírico, tirar da essência das palavras o pulsar de um sentido etéreo e emotivo, dar à luz expressão mais ritmo e símbolo que discurso e raciocínio, ou como disse Abgar Renault, o mais querido dos poucos grandes amigos que sempre tive, em seu imortal ?A outra face da lua?:

Já não sinto saudade de mais
nada,
a não ser do começo da
escalada,
quando o azul era azul de
azul sem fim
e Deus criava de novo o
mundo em mim.?

Isso é o mais próximo que se pode dizer do metafisismo do fenômeno poético: um poder de traduzir o mundo, a vida e a si mesmo, como consequência da recriação do universo pessoal por um Deus, que doa ao poeta, nessa recriação, uma parcela do seu poder onisciente, capaz de compreender e de expressar a realidade.
Ou, como assinalou Jose Geral Vieira nas notas que escreveu em homenagem a Jamil Almansur Haddad:

?A poesia verdadeira, pura, a que nada tem a ver com virtuosismo, essa é uma verdade misteriosa e unitiva. É um encantamento obscuro, uma expressão irredutível ao conhecimento racional, uma musica condutora de um fluido tenso e só comparável em seus efeitos gratuitos com os sortilégios, as fórmulas mágicas e, veridicamente, segundo Baudelaire, é magia expressiva, segundo Chateaubriand, arte de escolher e esconder, segundo Novalis, símbolo fantástico de mil faces e mil braços, segundo Shelley, um canto nas trevas, segundo Schiller, uma invasão de bem estar musical. A verdadeira poesia tem um senso de supressão e nunca de acréscimo. Tende à economia, tende ao silêncio exclamativo. Sendo cousa litúrgica, promando de fontes místicas, é sempre, através de processos natos e invisíveis de precisão inconsciente, um material ígneo, sempre em fusão, sofrendo impulsão e indução, disso resultando uma consequência harmoniosa de rotações e deformações, que a tornam pessoa e substância, efeito e causa, criatura e símbolo, tendência e afirmação.?

Seus versos, minha cara poetisa, para usar um termo antigo, mas nem por isso fora de moda, chegam nas obras que trazem sua assinatura, repassados de sensibilidade criadora e daquela expressividade poética, geradora de inigualáveis estesias em quem, como eu, tem tido o privilegio de lê-los e saboreá-los. Não adentrarei, se bem que com grande resistência de parte dos meus desejos, o atraente território da minuciosa análise de alguns de seus poemas, por sinal os mais antológicos, como: Sempre, Sempre Primavera; Encantamento; Tudo Passa; Pura Magia; Trem; Eu quero tempo: Um Trem, Uma Saudade: Lembranças; Verdadeiro Amor, e tantos outros...

Com os versos de ?Poesia? de nosso confrade Antonio Lafayette, onde os insightes sobre a intradução da essência poética lembram a impossibilidade conceitual de que há pouco falei, terminarei esta breve saudação de boas vindas a Frances de Azevedo, a recipiendária desta noite, em nossa casa de letras.

Poesia é o silencio da campina,
É a florinha humilde do caminho,
A lágrima guardada na retina;
O regato rezando bem baixinho.

Poesia é inspiração que se ilumina,
É a ternura dentro de um carinho:
Voz de um sino na tarde que declina;
As aves na Alvorada em burburinho.

É alma perenal de uma saudade
Morando na canção do trovador,
O amor no seu lirismo e infinidade.

Poesia, enfim, é a vida, nossa irmã:
O coração e o seio de uma flor;
O céu azul nos olhos da manhã!

SAUDAÇÃO À NOVEL ACADÊMICA FRANCES DE AZEVEDO
(Palavras proferidas pelo paraninfo da recipiendária Frances de Azevedo, o Acadêmico J. B. Oliveira).

Estatura mediana, magra, óculos sóbrios, traje postura impecáveis, ares de conservadora, esta paulistana do signo de peixes traz no porte e nas atitudes o paradigma clássico da Advogada, da Professora, da Poeta e da Intelectual.
Se por um lado sabe ser simpática, alegre, comunicativa e espontânea como uma declamadora de suaves poesias, por outro, sabe ser exigente, rigorosa, disciplinada e disciplinadora como uma Mestra-Escola!

Num dos primeiros eventos de que participou como membro ? hoje Secretária da Comissão de Relações Corporativas e Institucionais da OAB São Paulo, que tenho a honra de presidir, sentiu-se incomodada com alguém que, no fundo do auditório, falava ao celular durante a sessão. Sem vacilar, dirigiu-se à pessoa e criticou o seu procedimento, tendo sido prontamente atendida. Nem lhe importou saber que se tratava de uma alta figura do universo dos operadores do Direito!

Não bastassem suas tantas qualidades e qualificações, parece ter a capacidade de operar milagre especial. À semelhança daquele que ela reconhece como seu Mestre: Cristo ? que multiplicou os pães ? ela multiplica os minutos! Não há outra forma de entender como possa participar de tantas e tão diversas atividades! Não é possível que ela tenha os mesmos 1.440 minutos por dia que temos todos nós!

Com muita eficácia, ela se faz presente na Ordem dos Advogados do Brasil, no Movimento Poético Nacional, na Associação Comercial de São Paulo, na Associação Paulista de Imprensa, na Associação dos Veteranos de 32 ? MMDC, na Associação das Vítimas da Violência do Estado de São Paulo, na Comissão de Resgate da Memória da OABSP e também, é evidente, nesta Academia, a que ela já vem dando entusiástica colaboração!

Seyu nome é algo diferente de nossa tradição vernácula: FRANCES! Tanto que o corretor gramatical do computador (não sei que chamou ?isso? de inteligente!) insiste em ?corrigir? para FRANCÊS! O sobrenome, contudo, está bem entranhado em nossa formação luso-brasileira; AZEVEDO! E tem muito a ver com a essência da novel acadêmica! Lembra RAMOS DE AZEVEDO, criador de tantas e tão notáveis obras arquitetônicas que ornamentam a cidade de São Paulo ? com destaque para o majestoso prédio do Teatro Municipal. Como RAMOS DE AZEVEDO, FRANCES DE AZEVEDO tem criado peças de extraordinária beleza estética e de excelente conteúdo, com a destinação natural de perpetuar-se na memoria de tantos e quantos as leem.
Lembra, mais ainda, ALOÍSIO e ARTUR, dois outros detentores do mesmo sobrenome AZEVEDO e pertencentes, esses, ao mesmo ramos artístico-cultural de nossa confreira, escritores de fina sensibilidade e raro talento, cujas obras enriquecem nossa cultura e são referências obrigatórias da literatura lusófona, como O Cortiço, Casa de Pensão, O Mulato ? do primeiro ? e O Retrato a Óleo, A Capital Federal, O Dote e Contos Possíveis, do segundo.

FRANCES, a quem hoje, engalanada, a ACADEMIA CRISTÃ DE LETRAS recepciona, em tudo honra e dignifica o patronímico AZEVEDO, que tão bem lhe cai, por todas as razões e méritos. Seu prestigioso nome, igualmente honra e dignifica esta Casa de Cultura e do Saber, esta ACADEMIA DE LETRAS que, antes e acima de tudo, é ? como a ora admitida Acadêmica ? CRISTÃ. Tão cristã que o compromisso de suas letras tem por inspiração a recomendação de São Paulo aos Colossenses: ?A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal.? e a súplica de São Francisco ao Pai: ?Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa Paz?!

Nobre confreira FRANCES DE AZEVEDO, ao dar-lhe as boas vindas à nossa Casa, não lhe dou os parabéns, mas a quem de fato os merece: A ACADEMIA CRISTÃ DE LETRAS, pois como ensina o sábio Salomão no Livro de Provérbios:
?Mulher virtuosa que a achará? O seu valor muito excede o de rubis?!

SEJA BEM-VINDA!

São Paulo, 03 de Abril de 2007.

(Palavras do Acadêmico J. B. Oliveira, da Cadeira 39 da Academia Cristã de Letras, Advogado. Conselheiro Seccional da OABSP. Jornalista. Presidente da Associação Paulista de Imprensa (2006/2009). Professor Universitário...).

Discurso de posse

Dra. Frances de Azevedo tomou posse de sua cadeira  dia 3 de abril de 2007, às 19h00min., no Auditório do CIEE, Rua Tabapuã, 540.


Cumprimento a seleta mesa na pessoa de seu presidente Dr. Paulo Nathanael Pereira de Souza.

Ao meu querido pai in memorian. À minha querida mãe que hoje cedo já me cumprimentou: Pais amantíssimos que sempre me incentivaram. Aos meus irmãos, cunhados, sobrinhos; Aos meus parentes presentes e ausentes; Aos meus diletos amigos; Aos Prezados Confrades e Confreiras; Meus Senhores; Minhas Senhoras: Boa noite! Sejam todos mui bem-vindos!

Foi no mês de Agosto do ano passado que o meu querido amigo e ex-presidente deste conceituado sodalício, Dr. Adolfo Lemes Gilioli me acenou com a possibilidade de ombrear com tão altas e dignas personalidades!

E dizem que o mês de Agosto é o mês de desgosto!

Falar do meu contentamento é pouco. Vou bem além:

Há momentos em nossa vida que as palavras não conseguem mensurar. Tentar expressá-los é impossível. É, eu diria, tal qual o verdadeiro amor: resta-nos tão somente senti-los!

ESTE, COM CERTEZA, É UM DESSES MOMENTOS!

Assim, meu caríssimo e ora confrade Dr. Gilioli, só me resta agradecer publicamente tal honraria. Que Deus abençoe a todos!

Depois desta inominável surpresa fui convidada a participar da primeira reunião da Academia Cristã de Letras. Tal se deu no dia 17 de Outubro de 2006.

Fui acolhida carinhosamente pelos acadêmicos!

Foi um dia inigualável para mim, ao ver o sorriso e palavras de boas vindas de cada um. Obrigada a todos indistintamente!

Esta data, foi memorável duplamente, pois, exatamente no horário do início da reunião, qual seja, às 17:00 horas, deu-se, também, a abertura de um Portal na esfera do tempo: nova era; nova energia a Terra; Façam, pois, seus pedidos!

Despeciendas outras palavras, pois não?!

Adentrei, assim, dois portais!

Ao meu mestre, presidente, (e quem diria) ora confrade e padrinho, Dr. João Batista de Oliveira, que todos conhecem carinhosamente por J.B. ,peço-lhe a benção, não sem antes dizer da minha alegria, honra e grata surpresa por tê-lo como meu paraninfo!

Parabenizo-o pela excelência do discurso, excetuando-se, naturalmente, o que diz respeito a minha pessoa onde, com certeza, houve-se com exagero.

Após este preâmbulo encaminho-me para Cadeira número 39, que ora passo a ocupar, com muito orgulho, nesta conceituada Academia Cristã de Letras cuja patrona é Madre Maria Teodora Voiron, sendo o meu antecessor o insigne José Benedito Silveira Peixoto.

Quem foi Madre Maria Teodora Voiron?!

Nasceu em Chambéry, França, em 6 de Abril de 1835, tendo recebido no batismo o nome de Luiza Josefina.

Perdeu sua genitora aos dez anos de idade a quem deve os ensinamentos de amor ao trabalho, caridade para com os pobres e princípios de fé.

Iniciou o noviciado em sua cidade natal, após o casamento em segundas núpcias do pai.

Distinguindo-se na prática de todas as virtudes, mormente por ocasião da epidemia de cólera morbus em 1859!

Com apenas 23 anos de idade foi enviada ao Brasil como missionária, onde assumiu a fundação do Colégio Nossa Senhora do Patrocínio, em Itu, em 13 de Novembro de 1859.

Passou privações e humilhações morais. A tudo superou.

Foi precursora dos internatos no Estado de São Paulo para educação das jovens.

Inúmeras foram as suas obras junto aos asilos, orfanatos, hospitais, leprosários e escolas para meninas pobres nos 60 anos de seu superiorato.

Foi fundadora das Irmãs de São José de Chambéry no Brasil!

Em 1920 devido a uma queda fraturou o fêmur, sendo obrigada a se locomover somente com cadeira de rodas.

Em 1921, afastou-se definitivamente do cargo de Provincial, passando a viver no silêncio e na humildade.

Faleceu aos 17 de Julho de 1925. Encontra-se sepultada no recinto do antigo Colégio Nossa Senhora do Patrocínio,em Itu/SP.

Diversas pessoas visitam o seu túmulo para agradecer as graças recebidas com a sua intercessão.

O processo de beatificação encontra-se em Roma.

Em 1989, a Igreja, reconheceu o grau de suas virtudes, dando-lhe o título de Venerável!

Há um hino em seu louvor com letra e música da Irmã Míria Therezinha Kolling, assim como obra literária de autoria de nosso confrade Roberto Machado de Carvalho, intitulada: A Glorificação da Venerável.

Este é um resumo da dignificante vida da patrona de minha cadeira, sob número 39!

Quanto ao meu antecessor José Benedito Silveira Peixoto, advogado, intelectual renomado, nossas homenagens e eterna saudade!
SÓCRATES, filósofo da antiguidade dizia: O grande segredo para a plenitude é muito simples: compartilhar.

Onde, pois, a aplicabilidade deste maravilhoso pensamento, senão numa Academia, mormente Cristã?!

(Cristã não por princípios religiosos, mas filosóficos da doutrina cristã: o culto à moral, aos bons costumes,amor ao próximo, caridade, respeito...)

Compartilhar da paciência, do amor fraternal, dos verdadeiros sentimentos do ser humano. Do conhecimento e, principalmente, da sabedoria!

Na verdade, uma Academia, na sua acepção originária, há de ser aquele pote no final do arco-íris, onde, com certeza, encontraremos o verdadeiro ouro das reservas intelectuais de um país!

Como bem coloca o nosso confrade Dr. Adolfo Lemes Gilioli, em sua obra intitulada ?Academias e Discursos Acadêmicos?, pág. 22, ed. 2001: ?A Academia Cristã de Letras, proclama a liberdade de pensamento e de manifestação escrita ou falada; recomenda a crítica construtiva, bem como o louvor inteligente?.

Antes desta importante citação, o Autor, assevera que: ?Ser acadêmico significa ser um estudioso dotado de espírito filosófico, universal e crítico, sempre pronto a rever suas verdades.?

Diante destas colocações, chamou-me a atenção a seguinte matéria, publicada na edição de 4 de Setembro de 2006, do Diário do Comércio, sob o título: ?Pela restauração intelectual do Brasil?, onde destaco o seguinte trecho:

?Um país não pode sobreviver por muito tempo sem alguma vida intelectual na qual ele se enxergue e se reconheça como unidade histórica, cultural e espiritual. Isso falta totalmente no Brasil de hoje.?

Lendo a matéria vi o quanto pode e deve ser importante o papel das Academias nas unidades de ensino de nosso país; bem como, fora dessas.

ASSIM, nem tudo está perdido, pois há Academias - com a maiúscula - na República Federativa do Brasil!

No Estado de São Paulo, destaco dentre outras: Academia Paulista de Educação, Academia Paulista de Letras, Academia Paulista de História, Academia Paulista de Psicologia, Academia Paulista de Medicina, as quais nos honram saber que alguns de seus membros e presidentes, também, pertencem a este sodalício cristão que ora adentro!

Peço vênia, para concitar, todas as Academias a se unirem em prol da restauração intelectual de nosso país, no instante, (infelizmente sempre atual) em que a violência é nossa companheira diária onde, se investirmos concretamente na Educação, hoje, já, agora, com entusiasmo de quem realmente quer fazer e faz, teremos, com certeza, um futuro mais ameno!

O renomado doutor em educação, historiador, Presidente do Conselho de Administração do CIEE e deste sodalício, Dr. Paulo Nathanael Pereira de Souza, assim como o Professor Universitário, Presidente da Associação Paulista de Imprensa, Conselheiro da OAB/SP e ora meu paraninfo e confrade, Dr. J. B. Oliveira, alertam para as seguintes máximas:

?Se educarmos a criança, não precisaremos nos preocupar com o adulto? (Pitágoras)

?O efetivo caminho da inclusão social começa na Educação? (Programa CIEE de Alfabetização e Suplência Gratuita para Adultos)

Findo o presente discurso agradecendo sobremaneira ao nosso Pai-Maior, com o seguinte poema-oração de minha lavra:

NÃO DEIXE NÃO

Senhor, quando a dúvida apanhar
Aquela pesada bagagem
Encetando viagem para se instalar
No meu coração, não deixe não!

Senhor, quando a depressão,
Sorrateiramente, com a solidão,
Pretenderem fixar morada
Ao meu lado, não deixe não!

Senhor, quando o desânimo
Fizer sombra à minha força interior
Encobrindo o meu mundo superior
Por favor, não deixe não!

Senhor, quando a mágoa
Oriunda da incompreensão
Quiser embotar minha razão
Por favor, não deixe não!

Senhor, quando a avareza,
Com esperteza, turbar meus
Pensamentos de doação
Por favor, não deixe não!

Senhor, quando a infelicidade,
Num repente me pegar desprevenida
Diga a ela que jamais será bem-vinda!

Obrigada a todos.

Frances de Azevedo