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  • Posse: 15/12/2021 - (4º ocupante)
  • Fundador: Eurico Branco Ribeiro
  • Patrono: São Lucas
  • Antecessor: João Monteiro de Barros Filho, Duílio Crispim Farina

Acadêmico

Geraldo Nunes Silva, é o nome completo deste jornalista profissional brasileiro, diplomado pela Universidade Metodista de São Paulo – UMESP. Nasceu em São Paulo – SP, no dia 1º. de junho de 1958, é católico apostólico romano desde o batismo. Teve uma infância difícil, com um ano e meio de idade contraiu a poliomielite que lhe deixou várias sequelas e o faz caminhar somente com a ajuda de aparelhos ortopédicos. Frequentou escolas públicas regulares junto às demais crianças até ingressar no curso superior, em 1978, cuja conclusão aconteceu em 1981. Obteve o registro profissional; MTb: 13725 para em seguida ingressar em cursos de aperfeiçoamento e extensão universitária em radiojornalismo ministrados pelo Prof. Walter Sampaio, no CARMO – Santos SP e na Escola de Sociologia e Política onde ampliou seus estudos sobre a História Paulista, sob orientação da Profa. Maria Lúcia Perrone Passos, além da participação em outros cursos e palestras ministrados no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, pelos professores Hernâni Donato e Nelli Martins Ferreira Candeias.

Iniciou sua carreira de jornalista exercendo na função de rádio escuta na Rádio Jovem Pan no mesmo ano em que ingressou na faculdade, 1978. No ano seguinte se transferiu para a Rádio Capital para ser repórter e depois setorista no Aeroporto de Congonhas. Ali teve despertado o gosto pela aviação, mas em seguida se transferiu para a Rádio Bandeirantes e foi plantonista na Sala de Imprensa da Polícia Militar. Após exame de seleção, ingressou na assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes, onde exerceu as funções de redator, editor e repórter.

Quando a Rádio Eldorado o convidou, em 1989, para ser o repórter-aéreo aceitou de imediato pelo prazer de voar e ao longo do tempo incorporou em seus boletins de trânsito, curiosidades históricas sobre os bairros e ruas de São Paulo o que tornou seu trabalho diferenciado dos demais repórteres da área. Desde então se especializou nas atividades do jornalismo voltadas à pesquisa histórica e aos assuntos ligados à memória afetiva.

Paulo Bomfim, conhecido literato e imortal pela Academia Paulista de Letras, passou a chamá-lo de “poeta dos ares”. Da Câmara Municipal de São Paulo recebeu por iniciativa do vereador Celso Cardoso, a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo, em 1998, ano em que também recebeu do Rotary Clube de São Paulo, o Ateneu Rotário – Destaque em Jornalismo.

Obteve do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo – IHGSP, o Colar do Centenário, em 1996, considerado a maior honraria daquela casa, pelo trabalho em prol da valorização da memória afetiva dos paulistanos, através do programa São Paulo de Todos os Tempos levado ar nos finais de semana pela Rádio Eldorado AM.

Membro titular do IHGSP, durante a gestão Hernâni Donato, tornou-se depois, em 7 de dezembro de 2011, titular da cadeira 26 da Academia Paulista de História – APH, cujo patrono é Diogo de Vasconcelos e seu antecessor o padre José Affonso de Moraes Passos. Na cerimônia de posse presidida pelo professor Luiz Gonzaga Bertelli, foi saudado pelo acadêmico Antônio Penteado Mendonça, titular da cadeira 11.

Na Academia Paulista de Jornalismo – APJ, tomou posse em 2016 da cadeira n° 7, cujo patrono é José Maria Lisboa e seu antecessor Nicolau Tuma.

Em 2021, foi eleito pelo sodalício para a cadeira 27 da Academia Cristã de Letras – ACL, sendo o patrono São Lucas e tendo como antecessores os médicos Eurico Branco Ribeiro e Duílio Crispim Farina, além do jornalista João Monteiro de Barros Filho.

Também é membro honorário da Força Aérea Brasileira e da Academia de Ciências e Letras dos Delegados de Polícia - ACADPESP.

Produção Literária:

Geraldo Nunes é autor do livro São Paulo de Todos os Tempos publicado em dois volumes pela RG Editores entre 2001 e 2005. Desde então iniciou-se na atividade de escritor, tendo preparado até o presente momento nove livros institucionais que contam a história de sindicatos patronais e profissionais liberais, além de entidades representativas de várias áreas. Para estes trabalhos foi contratado pela empresa De León Comunicações.

A convite da Editora Matarazzo participou de 18 trilogias entre reportagens e crônicas paulistanas lançadas ao grande público no formato de coletâneas ainda em catálogo no site da editora.

Outras honrarias:
Prêmio APCA – 2003/2004 – Categoria Rádio – Melhor Programa de Cultura e Variedades – São Paulo de Todos os Tempos – Rádio Eldorado AM.
Menção Honrosa Prêmio Vladimir Herzog – 2006 – Categoria Rádio pelo Sind. Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo

Prêmio Literário Clio 2001 - livro São Paulo de Todos os Tempos Vol. I pela Academia Paulistana de História

Atividades atuais:
Prepara o livro “Visibilidade Infinita - As Aventuras de um Repórter-Aéreo” com previsão de lançamento durante 2022.

Colunista: Revista Escritores Brasileiros Contemporâneos e Revista Brasileira de Reabilitação - Reação, direcionada ao segmento das Pessoas com Deficiência – PCD.

Nas Redes Sociais

Blog do Geraldo Nunes: blogdogeraldonunes.blogspot.com
Podcasts no Spotify e Anchor: São Paulo de Todos os Tempos

Endereço Eletrônico:
e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Twitter: @geraldonuness
Instagram: @geraldonunessilva

 

 

Acadêmico anterior

 

27 Joao Monteiro de Barros Filhoa f5536

JOÃO MONTEIRO DE BARROS FILHO - Nasceu em Barretos - SP;. no dia 05 de novembro de 1938. Filho de João Monteiro de Barros e Inez Castanhari Monteiro de Barros. Casado com Luiza Monteiro de Barros, tem dois filhos, Luiz Antonio Monteiro de Barros e João Monteiro de Barros Neto.

Atual ocupante da cadeira de número 27 da Academia Cristã de Letras. Posse em 03 de setembro de 2003.

 

Formação:

Formou-se técnico em Contabilidade, pela Escola Técnica de Comércio de Barretos, em 27 de Fevereiro de 1960;

Radialista, com início em 20 de Junho de 1955, na PRJ-8 Rádio Barretos;

Jornalista fundador do Jornal O Diário de Barretos, em 1º de Abril de 1969;

Fundador do Instituto Brasileiro da Comunicação Cristã ? INBRAC, entidade civil sem finalidade lucrativa, que celebrou o Convênio com a Televisão Independente de São José do Rio Preto, com apoio das Dioceses Brasileiras, possibilitando o surgimento da REDEVIDA de Televisão.

 

Homenagens:

Cidadão Benemérito de Barretos, Diploma Outorgado pela Câmara Municipal em 25 de Agosto de 1965;

Fundador da Academia Barretense de Cultura, Cadeira 12, em 01 de maio de 1983;

Emérito, Reconhecimento e Gratidão aos relevantes serviços prestados à Fundação Pio XII, Mantenedora do Hospital do Câncer São Judas Tadeu, em Dezembro de 1991;

Medalha e Diploma do Mérito Municipalista, Outorgado pela Associação Paulista de Municípios, em 26 de Setembro de 1994;

Diploma de Cidadão Emérito de Barretos, Outorgado pela Câmara Municipal em 22 de Novembro de 1996;

Prêmio São Sebastião de Cultura, Rio de Janeiro, em 09 de Fevereiro de 1998;

Medalha e Diploma Tiradentes, Outorga da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, em 09 de Setembro de 1998;

Medalha Machado de Assis, Outorgada pela Academia Brasileira de Letras, em 20 de Julho de 1999;

Medalha e Diploma Comenda João Santos Filho, Outorgados pela Câmara Municipal de Vitória ? ES, no dia 15 de Setembro de 1999;

Homenagem 05 Anos da REDEVIDA, na Assembléia Legislativa de São Paulo, em 29 de Setembro de 2000;

Homenagem na Câmara Federal, Brasília, em 22 de Novembro de 2000;

Diploma Ação Municipalista, Outorgado pela União dos Vereadores do Estado de São Paulo, em 11 de Junho de 2001;

Título de Cidadão Araçatubense, Concedido pela Câmara Municipal de Araçatuba, em 12 de Junho de 2001, pelos Relevantes Serviços Prestados ao Município, ao Estado e à Nação;

Admitido no Rotary Club do Rio de Janeiro ? Distrito 4570 em 22 de janeiro de 2002;

Título de Cidadão Paulistano, Outorgado pela Câmara dos Vereadores de São Paulo, em Junho de 2002;

Diploma de Excelência da Universidade Do Oeste ? Vasile Goldis, da Romênia, em Julho de 2002;

Título de Comendador da Ordem de São Silvestre, concedido pelo Santo Padre o Papa João Paulo II, em Julho de 2002;

Láurea e Medalha Dom Pedro I, no Grau Cavalheirisco de Comendador da República Brasileira, nas Comemorações dos 180 Anos da Independência do Brasil; Medalha ao Mérito Cívico Afro-Brasileiro, no Grau Comendador, Sociedade Afro-Brasileira de Desenvolvimento Sócio-Cultural de São Paulo, em 20 de Novembro de 2002;

Título de Cidadão Honorário do Município de Sales-SP, maio de 2003;

Admitido na Academia Cristã de Letras, Cadeira 27, cujo Patrono é São Lucas, com posse em 03 de setembro de 2003;

Sócio Fundador do Rotary Club de São Paulo Aeroporto, em 09 de junho de 2003;

Acadêmico da Academia Paulista de História, cujo Patrono é Barão do Rio Branco, Cadeira 22, com posse em 11 de agosto de 2003;

Cidadão Itaperunense, 10/05/2004:

Diploma Reconhecimento Emérito Comunitário Câmara Municipal de Barretos em 06 de dezembro de 2004;

Homenagem alusiva ao 10º Aniversário da REDEVIDA de Televisão, pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, em 06 de Junho de 2005;

Homenagem do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo-SERTESP, pelos 50 anos da Reportagem Que Não Pára, em 15 de junho de 2005;

Academia Paulista de História (APH), homenagem alusiva aos 10 anos da REDEVIDA de Televisão, em 29 de junho de 2005;

Homenagem da Câmara Municipal de Urupês, em junho de 2005;

Cidadão Honorário de Colômbia, outorgado pela Câmara Municipal de Colômbia, em 16 de Julho de 2005;

Cidadão Amapaense, outorgado pela Assembléia Legislativa do Amapá em 10 de novembro de 2005;

Cidadão Honorário e Benemérito Aparecidense, outorgado pela Câmara Municipal de Aparecida em 15 de dezembro de 2005;

Cidadão Honorário de Olímpia em 16/02/2006;

Eleito vice-presidente do Conselho de Comunicação Social, Congresso Nacional, em 03 de abril de 2006;

Prêmio Luis Martins da Academia Paulista de Letras, em maio de 2006;

Cidadão Sorocabano, em 21/09/2006; C

idadão Viradourense, em 08/12/2006;

Cidadão Araraquarense, em 31/01/2007;

Cidadão de Macapá, em 04/02/2007.

Cidadão de Sales 07/05/2007: Empresário do Ano em 18/07/2009, pela Associação Comercial e Industrial de Barretos

Fundação Educacional de Barreto: Entidade Mantenedora de Faculdades de Engenharia, Cursos de Civil e Ambiental, Elétrica, Alimentação; Direito, Odontologia, Matemática, Física, Química, Química Tecnológica, Farmácia Bioquímica, Administração de Empresa, Serviço Social, Sistemas de Informação, Centro de Pós-Graduação; Colégio e Escola Técnica; Membro do Conselho Administrativo, nos períodos:De 28 de Fevereiro de 1977 a 25 de Maio de 1979; De 26 de Maio de 1979 a 17 de Junho de 1981.

 

Homenagens Militares:

Diploma da Escola Superior de Guerra, Ciclo de Estudos sobre Segurança Nacional e Desenvolvimento, em 22 de Dezembro de 1973;

Homenagem da Polícia Civil de São Paulo, Regional de Polícia de Ribeirão Preto, em Agosto de 1990;

Polícia Militar do Estado de São Paulo, Diploma ?Amigo da Polícia Militar?, Comando do 33° BPMI de Barretos, em 15 de Dezembro de 1991;

Polícia Militar do Estado de São Paulo, Comando Militar do Interior ? 7ª Região de Sorocaba, Diploma do Colar Comemorativo do Sesquicentenário da Revolução Liberal Sorocabana de 1842, Movimento liderado pelo Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, em 06 de Outubro de 2000;

Polícia Militar do Estado de São Paulo, Diploma e Medalha Brigadeiro Tobias, Outorgados em 12 de Dezembro de 2001;

Corpo Musical da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Diploma ?Amigo da Banda?, Outorgado em 07 de Abril de 2002.

 

(Fonte: do próprio Acadêmico).


Posse: 07/06/1979 - (2º ocupante)


Duílio Crispim Farina(1921-2003)Duílio Crispim Farina nasceu na Ladeira Porto Geral, no centro da cidade de São Paulo, em 9 de dezembro de 1921. Veio ao mundo na casa de sua tia dona Maria Piza de Azevedo, entre as proximidades da antiga Casa de Tibiriçá e o Pátio do Colégio.

Estudou no Externato Avenida Angélica. Foi admitido em 6o lugar, mediante concurso, no ginásio do Estado de São Paulo (1935-1939), onde se formou em 2o lugar. Prestou concurso no Colégio Universitário, em 1940, onde estudou por dois anos. Em 1942 foi aprovado para ingresso na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), concluindo o curso médico em 1947.

Foi 1o secretário e presidente do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, respectivamente em 1944 e 1946. Representou os alunos da Faculdade de Medicina da USP e da Faculdade de Higiene e Saúde Pública junto à União dos Estudantes do Brasil.

Foi redator-chefe do jornal universitário “O Bisturi” (1942-1946); orador “cincoentenário”, representando os ex-presidentes do centro Acadêmico Oswaldo Cruz (1963); acadêmico por concurso (1o lugar) em obstetrícia e ginecologia da Casa Maternal e da Infância da Legião Brasileira de Assistência (LBA), em 1946. Igualmente, como doutorando, obteve o 1o lugar e o prêmio LBA (medalha de ouro e diploma), em 1947. Foi médico interno por concurso (1o lugar) da LBA onde residiu em 1948.

Desempenhou nessa instituição os seguintes cargos: assistente concursado (1949); 1o assistente do serviço (1949-1975) e chefe do plantão substituto (1949-1956 e 1969-1975).

Atuou como obstetra e ginecologista em vários hospitais, destacando-se: Pró-Matre (1948-1956); Maternidade São Paulo (1948-1971); Maternidade Matarazzo (1950-1963); Maternidade do Hospital Samaritano (1967-1971); Maternidade do Hospital Albert Einstein (1970-1976); Hospital São Camilo (1967-1969) e Maternidade do Serviço Paulista de Pronto-Socorro (1948-1964). Nessa instituição foi plantonista, interno, residente, chefe de plantão e diretor, englobando serviços de emergência, cirurgia, ginecologia e obstetrícia.

Foi membro das equipes dos professores Waldemar Souza Rudge (1947-1953); Antonio Rodrigues Bahia (1947-1964) e João Sampaio Góes Júnior (1967-1973).

Fez cursos de extensão universitária em obstetrícia e ginecologia na Faculdade de Medicina da USP, na faculdade de Medicina da Santa Casa, na Legião Brasileira de Assistência (LBA) de São Paulo e na Academia de Medicina de São Paulo.

Realizou cerca de 25 cursos de aperfeiçoamento médico em Portugal, França, Itália, Inglaterra e Suíça; três cursos culturais na USP, curso de Psicologia Médica e o curso da Escola Superior de Guerra (1970).

Estagiou nas seguintes universidades: São Tiago de Compostela, Oviedo, Madrid, Alcalá de Herrares e Sorbone (Paris).

Atuou como ginecologista e obstetra ativamente durante 45 anos, tendo feito mais de dez mil partos e cinco mil cirurgias ginecológicas!

É autor de vários trabalhos sobre obstetrícia publicados em revistas especializadas.

Duílio Crispim Farina ocupou muitos cargos e diversas funções, destacando-se as seguintes: presidente da Comissão de Oncologia do Estado de São Paulo (1970-1980); diretor do serviço de Prevenção do Câncer do Hospital São Camilo (1969-1972), diretor vice-presidente (1969-1973) e presidente (1974) do Instituto Brasileiro de Pesquisas de Obstetrícia e Ginecologia; diretor social da Associação Paulista de Medicina – APM (1975-1977); presidente do departamento cultural da APM (1975-1982); vice-presidente da Sociedade Amigos da Arte – Sociarte (1967); orador da Sociedade Paulista de História da Medicina; vogal da Sociedade Brasileira de Escritores Médicos – Sbem – Regional de São Paulo (1976); ex-presidente da Sbem Nacional (1978 – março de 1979); diretor do jornal (quinzenal) da Associação Paulista de Medicina (APM); responsável pelos “Destaques Culturais” do Jornal da APM; responsável pela secção “Cultura Geral Médica” da revista da Maternidade e Infância da LBA; criador e diretor do Suplemento Cultural da Revista da APM.

Duílio Crispim Farina foi idealizador e grande batalhador pelo acervo da biblioteca da APM, que desde 1984 leva o seu nome em homenagem ao seu profícuo trabalho. Nela reúnem-se milhares de volumes incluindo teses, monografias, vetustos livros e raras coleções.

Foi também presidente da Academia Cristã de Letras (1984-1985); idealizador, organizador e presidente da Academia Hispânica-Brasileira de Ciências, Artes e Letras; delegado da Faculdade de Medicina da USP junto à Fundação Goulbenkian, em Lisboa; membro da comissão de Instalação do Museu da Faculdade de Medicina da USP; orador do clube dos 21 Irmãos Amigos (1980-1982 e 1982-1984) e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; presidente da Academia Paulista de História e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Ministrou diversas aulas, palestras e conferências em vários hospitais de ensino, instituições médicas e culturais, Rotary Clube São Paulo, regionais interioranas da APM e universidades, incluindo a da USP, a de Coimbra e Lisboa. Fez diversos discursos homenageando mais de 13 personalidades recipiendárias de entidades a que pertence, tais como: Academia Cristã de Letras, Clube dos 21 Irmãos Amigos e Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Pertenceu a diversas associações, entre elas: Associação Paulista de Medicina; Associação Médica Brasileira; Colégio Internacional de Cirurgiões; Sociedade Brasileira de Mastologia; Sociedade Paulista de História da Medicina; Sociedade Brasileira de Escritores Médicos; Sociedade Internacional de História da Medicina (Paris); Pen Club de São Paulo; Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, tendo como patrono Diogo de Toledo Lara Ordonhes; Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais; Academia Cristã de Letras, tendo como patrono São Lucas e como seu predecessor Eurico Branco Ribeiro; Sociedade Franco-Brasileira de Medicina; Instituto Genealógico Brasileiro; Academia Paulista de História, cadeira número 11, tendo como patrono frei Gaspar da Madre de Deus e como seu predecessor Luiz Arrobas Martins; Clube dos 21 Irmãos Amigos; Instituto Luso-Brasileiro de História da Medicina; Academia Mineira de Letras; Academia Paranaense de Letras; Academia Lusíada e Academia Paulista de Letras.

Recebeu as seguintes condecorações: “Imperatriz Leopoldina” do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; “Oswaldo Cruz” do Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina da USP; “Rondon” da Sociedade Geográfica Brasileira; “Mérito Médico do Paraná”; “Colar Dom Pedro I”; medalha “Dom Pedro II”; medalha do “Instituto Paranaense de História da Medicina”; medalha “Picanço” do Instituto Brasileiro de História da Medicina; condecoração "Nosmina Gratitudinis” do Laboratório de Medicina Nuclear da USP; colar “Pedro Taques” e medalha “Silva Leme” do Instituto Genealógico Brasileiro.

Duílio Crispim Farina era possuidor das seguintes coleções: Louça Brasonada – Brasil e Portugal; Louça Histórica do Brasil e Portugal; Cristais Históricos de Brasil e Portugal; Medalhas Imperiais (1o e 2o Império); Imagens Religiosas do Brasil Colonial, Numismática e Filatelia; Pintura Acadêmica Histórica sobre São Paulo, Brasil e Portugal (200 quadros) e peças e livros relativos à Faculdade de Medicina de São Paulo.

Sua coleção de louças e cristais históricos foi mostrada dezenas de vezes em Exposições Nacionais, Estaduais, no IV Centenário de São Paulo (Instituto Histórico), com relação de peças no Catálogo das Comemorações de José Bonifácio, o Moço, Velho Brasil, Barroco no Brasil, etc.

Ademais, sua farta biblioteca reunia livros referentes aos seguintes segmentos culturais: Brasiliana – 7000 volumes sobre o Brasil; Portucalia – 2000 volumes sobre Portugal; Ibérica – 1000 volumes sobre a Espanha e História da Medicina – 500 volumes.

Duílio Crispim Farina foi inquebrantável pesquisador e indefesso escritor. Publicou mais de 500 artigos no Brasil e no exterior, sobremodo na modalidade de ensaio onde harmoniza sincronicamente sua tenacidade investigativa com a nimiedade de sua cultura, erudição e prolífica atuação literária.

Seus livros enfocam sobremaneira a cultura, a história e a história da medicina. Publicou as seguintes obras: História da Medicina em São Paulo – Medicina na Vila de Piratininga; História da Medicina em Portugal; História da Faculdade de Medicina de São Paulo; Ensaios Portugueses (Dinastia de Borgonha); História de Uma Família Goda de 500 a 1970; Medicina e Doença na História de Portugal; Médicos Portugueses Além-Fronteiras; Físicos, Cirurgiões-Mores, Boticas e Misericórdias na História de São Paulo; Memórias e Tradições na Casa de Arnaldo; Esculápios Portugueses das Sete Partidas (1979); Medicina, Doença e Morte na Casa de Bragança (Ramo do Brasil); Medicina no Planalto de Piratininga (1981); Piratininga em Tempos Idos (1990); Candido Fontoura: O Homem e sua Obra (1985); Presença da França na Terra Brasílica (1993); Medicina e Doença na História de Portugal; Franceses em Chãos do Brasil (1995).

Duílio Crispim Farina recebeu as seguintes láureas: prêmio “Arnaldo Vieira de Carvalho” (1973) da Sociedade Paulista de História da Medicina pelo livro Memórias e tradições na Casa de Arnaldo; prêmio “José de Almeida Camargo” (1973) da Associação Paulista de Medicina (APM) com o livro Físicos, Cirurgiões-Mores, Boticas e Misericórdias na História de São Paulo; prêmio “José Almeida Camargo” (1975) da APM com o livro Medicina, Doença e Morte na Casa de Bragança (Ramo do Brasil); prêmio da associação “Antigos Alunos da Faculdade de Medicina da USP” (1976) com o livro Esculápios Portugueses das Sete Partidas; prêmio “Ulysses Paranhos” (1974) da Sociedade Paulista de História da Medicina com o livro; Medicina e Doença na História de Portugal; Láurea “Arnaldo Vieira de Carvalho” da Congregação da Faculdade de Medicina da USP (1974) com o livro Memórias e Tradições na Casa de Arnaldo; prêmio “José de Almeida Camargo” (1976) da Associação Paulista de Medicina com o livro Médicos Portugueses Além-Fronteiras; troféu “Hipócrates” recebido no Congresso Internacional de Escritores Médicos realizado em San Remo (Itália) pela melhor participação com monografias sobre Alfonso Bovero e Líbero Badaró (1977).

No dizer de Guido Arturo Palomba, atual diretor do departamento Cultural da APM, Duílio Crispim Farina “tem estilo de escritor castiço e fluente que maneja a língua pátria com a destreza de que só os verdadeiros beletristas sabem os segredos, como consequência natural, acabou galgando a imortalidade.”

Paulo Bonfim, um dos maiores poetas contemporâneos, ao receber Duílio Crispim Farina na Academia Paulista de Letras, assim se expressou: “Curiosa predestinação desta cadeira, a de abrigar quatro ocupantes indômitos e fascinados por nossa gleba! – José Bonifácio de Andrada e Silva, José Feliciano de Oliveira, Menotti Del Picchia e Duílio Crispim Farina.”

“Um fio verde e amarelo urde a tapeçaria desses quatro peregrinos da brasilidade. Nos quatros pugnadores permanece vivo o espírito rebelde dos vinte anos! Cada um procurando a seu modo mudar a fisionomia do mundo com o qual não concordam.”

“Duílio, homem de ação e de sonho, Vossa Excelência coloca o tempero dos cidadãos a serviço das grandes causas. Das lutas estudantis aos dias de hoje, perdura nos gestos de Vossa Excelência o dom de trazer ao mundo destinos e ideias (...). Da Medicina à Literatura, da Literatura à História, da História à Psicologia, da Psicologia ao memoriar, a rosa dos ventos exala o perfume de muitas procuras (...). Herdou dos seus maiores o amor ao combate, filho de cruzado e de navegador, de sertanista e de guerreiro do cotidiano.”

Por fim, Nelson Guimarães Proença, quando presidente da APM, em 1984, ao finalizar uma homenagem a Duílio Crispim Farina, lembrou uma frase de Duílio: Somos peregrinos da mesma peregrinação; e alinhavou: “A peregrinação ainda não terminou. Que Deus lhe dê alento para que, peregrino, possa continuar em sua peregrinação”.

Duílio Crispim Farina faleceu na cidade de São Paulo, em 25 de janeiro de 2003, aos 82 anos.


 Texto feito pelo acadêmico Helio Begliomini, segundo ocupante da cadeira no 10 da Academia Cristã de Letras, tendo por patronesse Marie Barbe Antoinette Rutgeerts van Langendonck.

Fundador

 


Posse: 21/11/1975 - (1º ocupante)


Eurico Branco Ribeiro(1902-1978)Eurico Branco Ribeiro nasceu na casa do Largo da Matriz, na cidade de Guarapuava, oeste do Paraná, em 29 de março de 1902. Era filho do paulista Arlindo Martins Ribeiro e da paranaense Hermínia Saldanha Branco, falecida dois anos depois. Arlindo teve mais nove filhos, dessa vez, em segundo casamento realizado com sua cunhada, Maria das Dores.

Aos dez anos, Eurico Branco Ribeiro já escrevia para o jornal semanal “A Nação” de sua terra natal. Aos 12 anos, colaborava no “A Comarca de Guarapuava”. Mudando-se para São Paulo, aos 13 anos, tornou-se redator da edição vespertina “O Estadinho” do jornal “O Estado de S. Paulo”, tendo participado também do primeiro grupo de redatores da empresa “Folha da Noite”, como repórter policial, advindo talvez daí sua enorme facilidade em descrever situações as mais inusitadas. Desde cedo, além das matérias triviais, começou a estudar francês, alemão e inglês com sua querida avó Alzira Saldanha Branco. Aliás, o hábito de falar inglês foi mantido por oito anos seguidos quando adulto, em reuniões semanais com amigos que apreciavam a mesma língua.

Enquanto se dedicava às atividades jornalísticas, pois além de transmitir conhecimentos, precisava reforçar sua mesada, estudou no famoso Ginásio do Carmo (1916-1917) e, depois, no Ginásio do Estado (1918-1921). Após ter contraído a gripe espanhola, assistiu a uma conferência de Ruy Barbosa, em 1919, no Teatro Municipal de São Paulo, que muito o sensibilizou.

Seguiu, posteriormente, o curso médico, formando-se pela Faculdade de Medicina de São Paulo, em 1927, tendo sido plantonista do serviço sanitário como acadêmico, com tese de graduação aprovada com Grande Distinção (grau dez) versando sobre As Águas Medicamentosas Naturais, tendo pesquisado cinco fontes do município de Guarapuava. Mas foi a partir de 1926, que começou sua dedicação à cirurgia geral.

Tornou-se assistente do renomado professor Benedicto Montenegro, que foi considerado sempre como “seu mestre”. Foi também cirurgião da Beneficência Portuguesa até 1946; do Hospital da Pedreira; do Sanatório Santa Catarina a partir de 1930; da Casa de Saúde Liberdade; da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários do Estado de São Paulo (Capfesp) e da Sociedade dos Choferes do Estado de São Paulo.

Desde sua fundação, em 31 de janeiro de 1939, foi diretor do Sanatório São Lucas, à rua Pirapitingui, no 80, no bairro da Liberdade, onde trabalhou até o final de sua vida, prédio adaptado da antiga residência de Alfredo Pujol e que possuía belíssima biblioteca, onde, com o tempo, se alojaram, entre outras, cerca de 200 coleções de revistas médicas nacionais e estrangeiras, além de milhares de livros. Posteriormente, uma ala do novo edifício foi inaugurada aos 18 de outubro de 1945, dia de São Lucas.

Nesse Sanatório estagiaram muitos médicos do Brasil e de vários países do mundo, mormente sul-americanos. Em verdade, esse nosocômio foi um verdadeiro hospital universitário, e Eurico, um catedrático sem cátedra, demonstrando que a excelência da medicina não se encontra apenas nas universidades.

Com sua enorme atividade galgou os cargos de presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo e presidente do departamento de cirurgia da Associação Paulista de Medicina. Quando fora presidente da tradicionalíssima Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo (1954-1955), o nome da entidade foi alterado para Academia de Medicina de São Paulo.

Foi também membro das seguintes entidades: Colégio Internacional de Cirurgiões; Colégio Americano de Cirurgiões; Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Sociedade Médica São Lucas; Sociedade dos Médicos da Beneficência Portuguesa (fundador, secretário e presidente); Sociedade Paulista da História da Medicina; Sociedade de Gastroenterologia e Nutrição de São Paulo; da Sociedade de Leprologia de São Paulo; Associação Argentina de Cirurgia; Sociedade dos Cirurgiões de Santiago do Chile (sócio honorário); Academia Brasileira de Medicina Militar; Sociedade de Cirurgia de Madrid; Sociedade de Gastroenterologia do Uruguai; Sociedade de Medicina e Cirurgia de Uberaba; sócio correspondente de mais de dez outras sociedades científicas; Colégio Brasileiro de Cirurgiões (mestre do Capítulo de São Paulo), além de diretor e redator por 45 anos dos “Anais Paulistas de Medicina e Cirurgia”, anteriormente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, posteriormente editada pela “Fundação para o Progresso da Cirurgia” e, atualmente, pela Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência de São Paulo; e do “Boletim dos Sanatório São Lucas”. Foi um dos mentores da Legião Médica São Lucas, fundada na Argentina e que tinha sede no Brasil, também no Sanatório São Lucas.

Eurico Branco Ribeiro publicou mais de 200 trabalhos científicos em anais de congressos, de sociedades e em outras revistas médicas, condensando quase todos eles em seus Estudos Cirúrgicos, em seis volumes (1934-1952), versando sobre extensa temática técnico-clínico-cirúrgica absorvida durante sua vida, além de “A Cirurgia no Sanatório São Lucas”, com colaboradores nos volumes, 1939 a 1954 e 1955 a 1967.

Nesse assunto, destacamos o primeiro trabalho de Eurico que foi um relato sobre a saúde e condições no clima em Campos de Jordão, em 1924, publicado no “Diário de Medicina”. Em 1926, apresentou tese sobre “Higiene da Imprensa” no 3o Congresso Brasileiro de Higiene. Posteriormente, publicou “A Propósito de um Dente Heterotópico”; “Os Anúncios e a Saúde Pública”; “Sobre Mama Supranumerária” (1931); “Aspectos Cirúrgicos de Caseose dos Nervos na Lepra”; “Cirurgía Del Nervio Frénico en Afecciones Tuberculosas”; “Neurofibromatose ou Primeira Moléstia de Recklinghausen (1935)”; “Pesquisa da Alça Jejunal em Cirurgia Gástrica” (1940); “A Hérnia Inguinal em Infortunística” (1940); “Hipertrofia em Anel da Musculatura do Antro-Pilórico”; “Litíase do Apêndice” (1943); “Os Problemas do Tétano”; “Úlceras Múltiplas do Estômago”; “A Moléstia da Raquicentese”; “Quisto Epidermoide da Falangeta”; “Varicocele” (1946); “A Penicilina por Via Arterial nas Ostemielites” (1947); “Acidente de Trabalho e Hérnia Inguinal”; “Gastric Ressetion of the Ulcer and Cancer”; “Duodenal Diverticulum” e “Um Grande Mestre da Cirurgia no Brasil: Professor Emérito Benedito Montenegro” (1971), dentre outros.
Escrevia de tudo, por tudo e acima de tudo, era um mestre na comunicação escrita e falada, não deixando de apresentar nada daquilo que via e sentia em seus olhos e em suas mãos de artista. Realizou nada menos do que 31500 cirurgias em sua vida profissional, tendo sido considerado um dos maiores cirurgiões de gastrectomia do mundo(!) pois, sendo ambidestro, a realizava de “parede a parede”, no prazo máximo de 60 minutos, sempre com admirável destreza e precisão.

Participou de inúmeros congressos médicos nacionais e internacionais em todos os cantos do mundo, ocasiões em que aproveitava para realizar não só um aprofundado “tour” científico e técnico, mas também um festival de acontecimentos artísticos e de congraçamento. Aliás esse era o seu lazer.

Sua dedicação à cultura geral e à médica, em particular, além de sua característica inata à escrita, fizeram com que adentrasse francamente pelos estudos históricos, descobrindo, por exemplo, nos arquivos públicos de São Paulo, a data da fundação da cidade de Guarapuava, que passou a ser festejada, escrevendo sobre a História de Guarapuava, em 1922, e o Esboço da História no Oeste Paranaense, ambos publicados pelo Instituto Nacional de Geografia, além de A Sombra dos Pinheirais (1925); Higiene da Imprensa (1926); Gralha Azul (1927); O Coração do Paraná (1929); Viagem às Sete Quedas (1939); O Primeiro Bandeirante (1946); Breviário dos Vinte Anos (1952); O Casamento Ideal (1956); Museus Municipais (1957); O Primeiro Casamento (1969); A Água da Esperança (1969), além de outras publicações mais simples. O produto da venda de suas obras, cerca de trinta, doou a instituições de caridade.

Planejou, durante 30 anos, escrever a vida de São Lucas, autor do terceiro Evangelho e dos Atos dos Apóstolos, particular amigo de São Paulo e patrono dos médicos, que seria realizada em dez volumes, mas a morte o levou após o quarto volume. Essa obra imortal levou o título de Médico Pintor e Santo e é subdividida em quatro volumes: I. Antes e Depois do Dia Fatal (1969); II. Argumentos para uma Tese (1970); III. De Autor a Personagem (1971) e IV. Simbologia e Evocação (1974).

Na obra "Médico, Pintor e Santo", Eurico Branco Ribeiro refere que, já em 1463, a Universidade de Pádua iniciava o ano letivo em 18 de outubro, em homenagem a São Lucas, proclamado patrono do "Colégio dos Filósofos e dos Médicos".

A escolha de São Lucas como “patrono dos médicos” e do dia 18 de outubro como "dia dos médicos", é comum em muitos países, dentre os quais Portugal, França, Espanha, Itália, Bélgica, Polônia, Inglaterra, Argentina, Canadá e Estados Unidos da América.

Infelizmente, pouquíssimos médicos sabem que o dia 18 de outubro, dia de São Lucas, comemorado no Brasil como o “dia do médico”, foi uma conquista árdua graças ao empenho impávido, a inflexível tenacidade e a liderança de Eurico Branco Ribeiro.

Sobre o santo ainda publicou O Livro que Lucas não Escreveu (1969), Lucas, o Médico Escravo (1974). Tais estudos sobre o evangelista fizeram com que Eurico fosse considerado o maior entendido de Lucas no mundo, pois escreveu a verdadeira vida e não o romance do patrono dos médicos.

Ainda escreveu Fui um dos Setenta – novela dos tempos bíblicos (1977) – na qual encontram-se descrições da fase final da vida de Maria Magdalena. Escreveu ainda um condensado in memorian dedicado ao professor Itapura de Miranda e um estudo sobre o taumaturgo padre jesuíta Ruiz de Montoya, em 1973. Nesse mesmo ano, Eurico redigiu o esboço biográfico de seu pai, Arlindo.

Foi, porém, no Rotary Club de São Paulo – Centro, onde tomou posse como sócio em 1935, que Eurico assumiu inúmeros cargos, inclusive o de presidente (1945-1946), demonstrando grande capacidade de prestação de serviços à comunidade. Viajou pelo Brasil e pelo exterior, relacionando-se com muitas personalidades de diferentes etnias.

No Rotary publicou onze livros, tais como Rotary para mim é... (1942); Um Lema para Rotary (1942); Rotary, o Legado de Paul Harris (1948); Assim é o Rotary (1952); A Evolução do Objetivo do Rotary (1952); O Rotary em Evolução (1954); O Rotary aos 50 Anos (1956); 25 Anos de Rotary (1960); Pelas Avenidas do Rotary (1961); O Rotary Sexagenário (1965); Atividades Internacionais do Rotary (1965), e outros estudos menores, além de inúmeros relatórios.

Sob sua responsabilidade direta, vinha periodicamente a público a revista “Vida Rotária”, cujo no 278 – ano XXX – edição especial – foi dedicado à sua memória, tendo colaborado também com a revista “Brasil Rotário” e com o boletim “Servir”.

Participou ativamente da criação da Fundação dos Rotarianos de São Paulo quando, então, foi adquirido o colégio Rio Branco e também formada a Associação de Famílias de Rotarianos de São Paulo, época em que foi construído o edifício Rotary, à Avenida Higienópolis.

Para coroar sua vasta caminhada rotária, Eurico foi galardoado com a famosa medalha “Sócio Paul Harris”, em 1975, alta comenda do Rotary International.

Foi também ativo participante e presidente do clube dos 21 Irmãos Amigos, entidade física que congrega um representante de cada estado do país, tendo reativado o clube da cidade de Londrina.

Além de fazer uma magnífica conferência na Academia Paulista de Letras sobre o “Homem que Marcou o Dia de Natal” (1972), tomou posse solenemente nesse sodalício, na cadeira no 6, em 15 de setembro de 1974, cujo patrono é Couto Magalhães, sendo João Vampré o primeiro ocupante, e o segundo, antecessor de Eurico, o genial Plínio Salgado, autor da portentosa obra “Vida de Jesus”, entre outras. Tomou posse também na cadeira no 27, em 27 de novembro de 1975, na Academia Cristã de Letras, cujo patrono é São Lucas. Eurico foi ainda membro de diretoria da União Cultural Brasil – Estados Unidos; secretário do Pen Club de São Paulo, membro da União Brasileira de Escritores e fundador, tesoureiro e secretário da Sociedade Brasileira de Escritores Médicos (Sbem), atual Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames), filiada à Union Mondiale des Écrivains Médicins (Umem). Foi indicado patrono post-mortem da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina.

Sua atividade cívica foi multifária, cabendo-lhe também o título de fundador do Partido da Mocidade, uma das bases do futuro Partido Democrático, elaborando sua plataforma de lançamento.

Eurico Branco Ribeiro promoveu a criação do Museu Visconde de Guarapuava e da Biblioteca Ruiz de Montoya, também em Guarapuava, em 1956.

À 16a Conferência Distrital dos Rotary Clubs do Brasil, realizada em Belo Horizonte, em 1954, apresentou proposta relativa à criação de Museus Municipais para a preservação da memória de nossos municípios.

Publicou ainda um alentado estudo sobre “Um Museu Adequado para São Paulo” (Museu da Indústria), em 1962. Estimulou a criação de um museu de anatomia patológica no serviço do mesmo nome, que foi dirigido pelo professor Carmo Lordy, ex-catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e um Museu de São Lucas, inaugurado em 27 de fevereiro de 1962, ambos em seu sanatório, contendo coleção de quadros, imagens e livros sobre o patrono dos médicos. Dizia com razão Silvio Romero: “Povo sem tradições é árvore sem raízes, que qualquer vento derruba”.

O espírito caritativo fez com que Eurico Branco Ribeiro exercesse a presidência da Casa dos Velhinhos de Ondina Lobo por 27 anos consecutivos.

Eurico Branco Ribeiro recebeu diversas comendas e títulos honorários, destacando-se a comenda da ordem do Mérito Médico do Governo Brasileiro; cidadão honorário de Curitiba; prefeito honorário de San Antonio, Texas (EUA); membro honorário da Umem; membro da associação dos Cavalheiros de São Paulo; sendo ainda detentor de muitas outras medalhas de entidades culturais.

Além de cirurgião de rara habilidade foi administrador de arguta competência e escritor de grande sensibilidade que soube interagir proficuamente nas múltiplas entidades de que participou. Marcou presença em sua família, sendo pai e esposo, além de mestre, esteta e homem caridoso.

Pois, “esse incrível Eurico”, no dizer de Oscar Pereira Machado, sempre foi estudioso, escritor e médico disciplinado. Foi também “o pai, a ação, o mestre, o esteta, o bisturi armado em coração, o presidente, o homem bom”, no dizer de Durval Rosa Borges.

Eurico foi adoecendo e nem acreditando que seu fim chegaria, fato que ocorreu em 1o de março de 1978, pouco antes de completar 76 anos, deixando sua esposa Maria Emília e suas filhas Sônia, Dulce, Gláucia e Alda. Dos irmãos pelo lado paterno, Eurico contou com a colaboração valiosa, em seu sanatório, de Luiz, também médico; Alzira, auxiliar geral, além de Sônia, sua filha, como administradora.

Com a morte de Eurico perdeu-se o homem simples, o médico, o diretor de hospital, o escritor, o filantropo, o civilista, o cavalheiro, o amigo, a máquina organizada para o trabalho e para o conhecimento. A Sbem, hoje a Sobrames, perdeu sua viga-mestra, mas que ficará guardada eternamente em sua memória.

Sua figura ímpar caracterizou uma época durante os anos em que viveu, a tal ponto que seus feitos resistem ao tempo e transcendem sua existência terrena. Ele vive na Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, da qual é seu Patrono oficialmente desde 1994.

Eurico Branco Ribeiro escolheu como lema de vida e ex-libris de seus livros a célebre frase de Hipócrates que, aliás, estava estampada no vitral de sua janela: “Conservarei puras a minha vida e a minha arte”. E ele dignamente assim o fez.


 Texto feito pelo acadêmico Helio Begliomini, segundo ocupante da cadeira no 10 da Academia Cristã de Letras, tendo por patronesse Marie Barbe Antoinette Rutgeerts van Langendonck.

Patrono

São LucasSão Lucas, o Evangelista (do grego antigo Λουκᾶς, Loukás) é, segundo, a tradição, o autor do Evangelho de São Lucas e dos Atos dos Apóstolos - o terceiro e quinto livros do Novo Testamento. É o santo padroeiro dos pintores, médicos e curandeiros. É celebrado no dia 18 de Outubro.

Chamado por Paulo de "O Médico Amado" (Colossenses 4:14), pode ter sido um dos cristãos do primeiro século que conviveu pessoalmente com os doze apóstolos.

Lucas foi um médico grego que viveu na cidade grega de Antioquia, na Síria Antiga.

A primeira referência a Lucas encontra-se na Epístola a Filemon de Paulo de Tarso, no versículo 24. É mencionado também na epístola aos Colossenses, 4:14 , bem como na segunda epístola a Timóteo 4:11. A segunda menção mais antiga a Lucas encontra-se no "Prólogo Anti-Marcionita ao Evangelho de São Lucas", um documento que já foi datado do século II, mas que recentemente já é considerado como doséculo IV. Contudo, Helmut Koester defende que o seguinte excerto – a única parte preservada do documento original, em grego – pode ter sido escrito, realmente no século II:

Lucas é um sírio de Antioquia, sírio pela raça, médico de profissão. Tornou-se discípulo dos apóstolos e mais tarde seguiu a Paulo até ao seu martírio. Tendo servido o Senhor com perseverança, solteiro e sem filhos, cheio da graça do Espírito Santo, morreu com 84 anos de idade.”

Alguns manuscritos afirmam que Lucas morreu "em Tebas, capital da Beócia". Todas estas referências parecem indicar que Lucas terá, de facto, seguido Paulo durante algum tempo.

Tradições mais tardias desenvolveram-se a partir daqui. Epifânio de Salamina assegura que Lucas era um dos Setenta Discípulos (Panarion51.11), e João Crisóstomo refere que o "irmão" referido por Paulo na segunda epístola aos Coríntios, 8:18 ou é Lucas ou é Barnabé. J. Wenham assevera que Lucas era "um dos Setenta, um dos discípulos de Emaús, parente de Paulo e de Lúcio de Cirene." Nem todos os académicos têm tanta certeza disso quanto Wenham.

Outra tradição cristã defende que foi o primeiro iconógrafo, e que terá pintado a Virgem Maria, Pedro e Paulo. É por isso que mais tarde, asguildas medievais de São Lucas, na Flandres, ou a Accademia di San Luca ("Academia de São Lucas") em Roma - associações imitadas noutras cidades europeias durante o século XVI - reuniam e protegiam os pintores.

O que diz a Bíblia sobre Lucas

Lucas foi o companheiro de Paulo, e segundo a quase unânime crença da antiga igreja, escreveu o evangelho que é designado pelo seu nome, e também os Atos dos Apóstolos.

Ele é mencionado somente três vezes pelo seu nome no N.T. (Cl 4.14 - 2 Tm 4.11 - Fm 24). Pouco se sabe a respeito da sua vida. Têm alguns julgado que ele foi do número dos setenta discípulos, mandados por Jesus a evangelizar (Lc 10.1) - outros pensam que foi um daqueles gregos que desejavam vê-lo (Jo 12.20) - e também considerando que Lucas é uma abreviação de Lucanos, já têm querido identificá-lo com Lúcio de Cirene (At 13.1).

Dois dos Pais da igreja dizem que era sírio, natural de Antioquia. Na verdade não parece ter sido de nascimento judaico (Cl 4.11).

Era médico (Cl 4.14). Ele não foi testemunha ocular dos acontecimentos que narra no Evangelho (Lc 1.2), embora isso não exclua a possibilidade de ter estado com os que seguiam a Jesus Cristo.Todavia, muito se pode inferir do emprego do pronome da primeira pessoa na linguagem dos Atos. Parece que Lucas se juntou a Paulo em Trôade(At 16.10), e foi com ele até à Macedônia - depois viajou com o mesmo Apóstolo até Filipos, onde tinha relações, ficando provavelmente ali por certo tempo (At 17.1).

Uns sete anos mais tarde, quando Paulo, dirigindo-se a Jerusalém, visitou Filipos, Lucas juntou-se novamente com ele (At 20.5). Se Lucas era aquele ‘irmão’, de que se fala em 2 Co 8.18, o intervalo devia ter sido preenchido com o ativo ministério. Lucas acompanhou Paulo a Jerusalém (At 21.18) e com ele fez viagem para Roma (At 21.1). E nesta cidade esteve com o Apóstolo durante a sua primeira prisão (Cl 4.14 - Fm 24) - e achava-se aí também durante o segundo encarceramento, precisamente pouco antes da morte de Paulo (2 Tm 4.11). Uma tradição cristã apresenta como pregando o Evangelho no sul da Europa, encontrando na Grécia a morte de um mártir. (*veja Lucas - o Evangelho segundo.)

 

Discurso de recepção

 Discurso de recepção - Cadeira nº 27

Discurso de posse

Discurso de Posse da Cadeira 27 da Academia Cristã de Letras proferido por Geraldo Nunes, em 15 de dezembro de 2021

Excelentíssimo Dr. Hélio Begliomini, presidente da Academia Cristã de Letras. Ilustríssima Profa. Frances Azevedo, secretária e demais integrantes deste sodalício e demais convidados.

O nosso tempo é curto e por esta razão buscarei ser breve em minhas considerações.

Em primeiro lugar quero agradecer ao voto que recebi da maioria de vocês. Isto me possibilitou participar e integrar a Academia Cristã de Letras.

Foi a primeira eleição que disputei na minha vida e sinceramente me senti constrangido ao ter que pedir votos.

O que mais me inibiu foi o fato desta cadeira 27, que agora assumo, ter sido ocupada antes de mim, por dois ilustres professores doutores cujos nomes são verdadeiros exemplos de dignidade no meio médico, os doutores, Eurico Branco Ribeiro e Duílio Crispim Farina, além do meu antecessor direto, o colega jornalista e radialista João Monteiro de Barros Filho.

Quando fui convidado pelo nosso presidente, Dr. Hélio Begliomini, a concorrer a esta cadeira, distraidamente escolhi a de número 27 pelo fato dela ter como patrono, São Lucas.

Foi ele o único evangelista a descrever em um texto rico em detalhes como foi a primeira noite de Natal e como veio ao mundo, o nosso senhor Jesus Cristo, nascido do seio da Virgem Maria em uma manjedoura.

Digo que escolhi a São Lucas distraidamente porque só depois fiquei sabendo que o Dr. Eurico Branco Ribeiro, foi um dos grandes batalhadores no sentido de que o dia 18 de outubro, dedicado ao evangelista São Lucas, fosse também comemorado no Brasil como “Dia do Médico”.

O Dr. Eurico Branco Ribeiro, fundador desta cadeira 27 dedicou a este santo dois livros de sua autoria, cujos títulos são: O Livro que Lucas não Escreveu, publicado em 1969 e Lucas, o Médico Escravo, de 1974.

Desde então, o Dr. Eurico Branco Ribeiro, se tornou reconhecido mundialmente como o mais entendido em São Lucas em toda a História.
Depois dele, a cadeira 27, coube ao Dr. Duílio Crispim Farina, a quem tive a honra de conhecer e entrevistar na Rádio Eldorado, em 1996.

Muito do que se sabe sobre a Maternidade São Paulo, foi contado nos livros deste médico obstetra que trabalhou para aquela saudosa instituição durante 45 anos.

Ao se aposentar, Duílio Crispim Farina dedicou seu tempo a um estudo em que buscou valorizar a importância da medicina executada em São Paulo em todas as épocas.

Dentro dessa atividade, deu ênfase aos mestres e formandos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, à qual chamou carinhosamente de “Casa de Arnaldo”, em homenagem ao Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho, fundador daquela instituição.

Como jornalista acompanhei discursos memoráveis proferidos pelo Dr. Duílio Crispim Farina na sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e na Academia Paulista de História, na qual também ocupo uma cadeira.

Certa vez contou ele informalmente, ter nascido em 21 de dezembro de 1921, na residência de uma tia moradora da Ladeira Porto Geral e enfatizou: "Assim pude vir ao mundo em berço histórico, próximo da antiga Casa de Tibiriçá e do Pátio do Colégio".

Por último e para colocar fim a esse breve discurso quero lembrar a todos a minha condição de jornalista e de PCD – Pessoa com Deficiência.

Contraí a paralisia infantil quando ainda não havia vacinações em massa no Brasil, no ano de 1959, tendo eu apenas 1 ano e meio de idade. Me locomovo até hoje somente com a ajuda de aparelhos.

Estudei em escolas públicas junto das demais crianças e cursei a Faculdade de Jornalismo, em São Bernardo do Campo, na Universidade Metodista.

Me lembro que na noite solene de entrega dos diplomas, prestamos um juramento parecido ao Juramento de Hipócrates, efetuado pelos médicos, no qual juram praticar a medicina honestamente.

Portanto, caros confrades e queridas confreiras, jurei naquela noite solene, praticar um jornalismo honesto, ou seja, aquele que busca contar exclusivamente a verdade dos fatos.

Quem conhece ou acompanhou minha trajetória sabe da minha dedicação e respeito à ética profissional há exatos 40 anos desde minha formatura, em dezembro de 1981.

Intimamente naquela mesma noite da colação de grau, jurei a mim mesmo, buscar de alguma maneira, levar nas notícias que escrevo ou mesmo no convívio do dia-a-dia, incluir palavras ou exemplos deixados pelo nosso senhor Jesus Cristo.

Acredito assim, que o fato de ter sido escolhido para ocupar a cadeira 27, a Academia Cristã de Letras, abre a possibilidade de se cumprir dignamente a promessa feita na juventude.

Bons exemplos aqui não faltam o carinho com que todos se tratam, inclusive nas redes sociais me impressionou positivamente.

Por esta razão sei que terei o apoio de todos vocês.

Afinal, agora fazemos parte de um só corpo que é a Academia Cristã de Letras.

Muito obrigado e que Deus abençoe a todos nós, Amém.