Liberdade... Sonho de todos!

Prefácio de Genésio Cândido Pereira Filho, (ex-ocupante da Cadeira 12 da ACL), em 15 de dezembro de 2009, no Livro de Prosa e Versoliberdade sonho de todos bbfd6: Liberdade... Sonho de todos! de Carolina Ramos (Cadeira 22 da ACL):

Carolina Ramos apresenta mais uma obra, agora esta “Liberdade... Sonho de Todos!” Não é preciso dizer que vem confirmar sua aptidão criadora, seu espírito de pesquisa e a seriedade que empresta a tudo quanto fz.

Este livro contem narrativas históricas, contos e poesias, não esquecidas as Trovas, que é exímia manejadora. Isto alça a obra à categoria de poliantéia pessoal, reveladora de seu espirito criador. E, sobretudo, pelas Poesias e Trovas, revela o profundo espirito artístico da autora. A Arte, em seu conjunto, representa a capacidade e o poder criadores do Homem: Música, Escultura, Arquitetura, Pintura, Dança, Teatro... E a Poesia, por que não? Arte é experiência humana procurando explicar o sentimento ultrassensorial da Vida.

É preciso dizer, de início, que Carolina Ramos não luta por glória pessoal, mas por ideais que elegeu. Ideais que norteiam sua vida. “Aquila non capit muscas” por isso Carolina Ramos não perde tempo com caminhadas em planícies. Até o quadrissílabo diminutivo de seu nome nos conduz às origens teutônicas de um pequeno lavrador que transmuttou em magnifico jardim uma pequena área de terra. Vida revestida de perenidade de valores em um mundo que, contraditoriamente, elege como trunfos de personalidade humana a efemeridade das coisas e o predomínio do materialismo sobre IDEAIS PERMANENTES. Aí está a HISTÓRIA a testemunhar os descaminhos humanos. Descaminhos amargos e tristes. Sendas horizontais que negam a verticalidade do destino humano. CAROLINA RAMOS compreendeu que as metas estão distantes, ás vezes até mesmo no infinito. Mas é preciso decidir logo, porque os caminhos estão bem perto, à vista de todos nós. A indecisão pode ser mortal. Desde o suposto primeiro e sangrento embate entre homens, no Vale do Nilo, no Sudão, busca a criatura humana os descaminhos da violência para solução de seus problemas. É a busca do Zênite pelo Nadir. Por que preferir charcos a estrelas? A vitória humana não repousa sobre bens materiais e efêmeros, mas sobre as conquistas do Espírito. Este traz a PAZ, porque a solução está nos reais valores humanos.

É preciso evitar que a “a letra que mata a substitua o espírito que vivifica”, como ensina MIGUEL OXIACAN em ”La Meta y el Camino”. Só é verdadeiro intelectual aquele que tem uma META e escolhe um CAMINHO. Este caminho está na revolução das ideias, incruenta mas corajosa. Trai sua natureza humana e seus valores espirituais o intelectual que palmilha descaminhos, traição maior daquele que peca pelo silêncio.

E a “letra que mata” é a má literatura. Basta um olhar sobre o panorama literário mundial: livros, panfletos, folhetos, tudo parece arrastar o HOMEM para o Mal, para a horizontalidade. Quando menos, revelam mediocridade, vaidades, ignorância.

E os meios de comunicação? A Imprensa, o Rádio, a Televisão e até a Internet parecem percorrer as sendas do Mal. Por isso, o Ser Humano acredita mais nas Mentiras do que nas Verdades. Aquelas ocultam ilusões de falsas realidades, enquanto as Verdades são os caminhos da LIBERDADE. Caminhos que envolvem, sobretudo, Batalhas: não de batalhões ou armadas, mas as dos sonhos e do Amor; como diz FRANZ TOUSSAINT em “Le Jardin dos Caresses”.

Je pensais au silence de deux armées qui vont se livrer bataille. J`ai livre la bataille d`amour.”

E quem deseja palmilhar os caminhos da Liberdade, deve lembrar HERMANN HESSE em “Caminhada”.

... é o desdém pelas fronteiras e pela vida sedentária que torna os seres como eu os guias do futuro. Se existissem muitas pessoas nas quais moraria um tão profundo desprezo pelas fronteiras, como em mim, estão não existiriam mais guerras nem bloqueios. Não há nada mais detestável do que fronteiras...”

O caminho do Sonhador “não segue nem para a direita, nem para a esquerda, leva ao próprio coração onde, e só lá, está Deus e existe paz”.

O ser perfeito... o verdadeiro andarilho, nunca deveria nem conhecer a saudade.”

E acrescentou, neste prefácio: O Poeta é um andarilho: a ele bastam uma sandália e um alforje.

A poesia e a prosa de CAROLINA RAMOS revelam sua alma sonhadora. Poemas variados, trovas. Escritos profundos. Arte e Sentimento.

Por que nos fascinamos tanto pelas aves?

Em “Desafio”, CAROLINA RAMOS fala das ruidosas gaivotas: “Asas lentas... quase se tocando, em ritmo impecável, lembravam acenos de um adeus infinito!...”

Sinto, também, carinho e fascínio pela gaivota “qui sommeille em chacun de nous”, como escreve RICHARD BACH em “Jonatham Livingston – le goéland” , na versão francesa de “Jonathan Livington Seagull” . Será porque “Les goélands, nous le savon tous, n`ont jamais la moindre défaillance em vol; ils ne connaissent pas la perte de vitesse. Tomber des airs toute sustentation enfuie, c`est por eux la honte. C`est por aux le déshonneur.”

Qual a lição? É mais importante voar do que correr?

Também me fascinam certas aves. Deslumbra-me o importante voo do CONDOR sobre os Andes, a revoada das PALOMAS ANTÁRTICAS; o canto do UIRAPURU...

Os humildes passam pela vida “como o pássaro que voa pelos ares, sem deixar vestígios de seu curso.” (“Livro da Sabedoria”, V/11).

As expressivas ilustrações desta obra lembram as fotografias de Russell Munson para Richard Bach.

Enfim, caminhos da terra e caminhos do céu! CAROLINA RAMOS os palmilha com maestria, competência, sabedoria.

Mais do que um livro, ‘LIBERDADE... SONHO DE TODOS! É uma MENSAGEM.

(Postado pela Acadêmica Frances de Azevedo (Cadeira 39 da ACL) que, assim, presta suas homenagens ao Ilustre ex-ocupante da Cadeira 12, Genésio Cândido de Oliveira e à talentosa Poeta Carolina Ramos (Cadeira 22 da ACL), que lhe presenteou com um exemplar desta magnífica obra!).