Academia Brasileira de Médicos Escritores - 20 anos de História

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Helio Begliomini

História e Documentário   

Expressão & Arte Gráfica, São Paulo – 2007,

275 páginas.

Prêmio Clio de História – 31ª edição (2008) da Academia Paulistana da História.

Classificado entre os “Livros do Ano de 2008” pela Câmara do Livro da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias (Rio de Janeiro).

 

Prefácio I: Abilio Kac

Na minha segunda gestão como presidente da Abrames (2006-2007), vendo aproximar-se o 20º aniversário da Academia Brasileira de Médicos Escritores, tive a ideia de levantar a história da Entidade. No entanto, por ser novato na Academia (20/11/1998), mesmo empenhado em saber algo sobre ela, obtendo dados e documentos do mais alto valor histórico, principalmente do nosso inesquecível e valoroso acadêmico fundador Manoel Baliú Monteiro, achei-me incapaz de abraçar tal ideia. Mas confesso que não havia desistido quando, então, o acadêmico Luiz Gondim de Araújo Lins me sugeriu e obteve o meu aval para convidar o eminente colega Helio Begliomini para tal tarefa, já que ele havia escrito o aplaudido livro com a história da Sobrames.

Ao ser convidado, Begliomini abraçou a ideia e resolveu enfrentar a missão. De imediato, enviei-lhe toda a documentação que havia em meu poder. Ele, através de constantes pesquisas e ajuda de outros acadêmicos fundadores como ele, foi juntando os dados obtidos. Através de numerosas cartas solicitando a ajuda dos acadêmicos, mesmo sem receber resposta de muitos deles, não esmoreceu e continuou como um guerreiro para atingir o seu objetivo. Depois de muito trabalho, eis o resultado vitorioso, a belíssima obra “Academia Brasileira de Médicos Escritores – Vinte Anos de História”.

Conforme o capítulo 23, artigo 6º, do nosso Estatuto, na última sessão ordinária do ano, o secretário-geral lê o retrospecto literário e, em seguida, o presidente faz o relatório de sua gestão no mesmo período. Assim, sendo testemunha ocular da história, escreverei um livro intitulado “Academia Brasileira de Médicos Escritores (Abrames) – 2004-2005”, que servirá de relatório mostrando tudo que se passou em minha primeira gestão, que irá complementar, sem dúvidas, o livro histórico da Abrames. Ele será lançado juntamente com o do acadêmico Helio Begliomini. Em 2008, lançarei o livro referente à minha segunda gestão (2006-2007). Se os futuros presidentes derem continuidade a esse trabalho, a Abrames terá para sempre o relato fiel e completo de todas as suas atividades.

Feliz é a entidade que possui como acadêmico uma pessoa como Helio Begliomini. Incansável, culto, extraordinário lutador, inteligente, inovador, sempre à procura do caminho da perfeição. Eis, para o nosso deleite, mais uma de suas valiosas obras. Como atual presidente, comecei a pensar como a Abrames poderia agradecer tamanha contribuição. Com certeza, ele seria merecedor do prêmio máximo de nossa Academia, não só por este gigantesco trabalho, como também por suas obras já publicadas, títulos valorosos e por ser dono de um invejável currículo. Portanto, fica aqui registrada a minha indicação de seu nome para receber, em 2007, o Prêmio Manuel Antônio de Almeida. É o mínimo que poderíamos oferecer-lhe. A César o que é de César! A Abrames reconhece o seu esforço e se mostra agradecida e orgulhosa de ter um acadêmico dessa envergadura em suas fileiras. Parabéns, dileto amigo!

Abilio Kac[*]
[*] Titular da cadeira no 49 da Abrames e seu presidente por dois mandatos (2004-2005 e 2006-2007); titular da Arcádia Brasílica de Artes e Ciências Estéticas – Abrace (grande benemérito e diretor cultural); titular da Sociedade Literária do Soneto – Solis (fundador); da Academia Brasileira de Trova – ABT; da Academia Internacional de Letras – AIL e Casa do Compositor Musical.

 

Prefácio II: Luiz Gondim de Araújo Lins

Talvez não seja o tempo que passa, mas nós que passamos. Em assim sendo, a memória de evocação, de chofre, torna presentes saudosas reuniões noturnas na Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.

Estava em marcha o sonho concebido por Mateus Vasconcelos: um grupo de médicos escritores congregados em uma Academia.  Ele partiu, em viagem sem retorno, mas a chama da idéia se manteve acesa. Marco Aurélio Caldas Barbosa assumiu o comando, revelou-se líder inconteste e se tornou o primeiro presidente da Academia Brasileira de Médicos Escritores (Abrames). Mateus e Marco Aurélio são merecedores de profundos e eternos agradecimentos.

A escolha do patrono recaiu na pessoa de Manoel Antônio de Almeida, médico escritor que publicou um único livro “Memórias de um Sargento de Milícias”, que viria a ser um marco na literatura brasileira, com mais de sessenta edições até o momento.

A história dos vinte anos, ora comemorados, aqui está, em precioso livro construído pelo esforço conjunto de alguns médicos escritores, titulares e fundadores, sob a pena privilegiada de Helio Begliomini, laureado médico e escritor.

A ciência médica é também uma arte, não sendo por acaso que seus seguidores, não raro, venham a se tornar ilustres escritores. Desde tempos primevos que Medicina e Literatura caminham de mãos dadas.

Embora não médicos, grandes escritores utilizavam temas médicos: Shakespeare o fez em “Macbeth”, “Romeu e Julieta” e “Hamlet”; Machado de Assis em “O Alienista”; Flaubert em “Madame Bovary”; Molière em “A Doença Imaginária” e tantos outros.

Já entre médicos escritores, no exterior, lembraríamos Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes; Tchekov, que dizia ser a literatura sua amante; Cronin, que escreveu “A Cidadela”, Fernando Namora, etc.

No Brasil, expoentes nomes da medicina brilharam na literatura, a saber: Francisco de Castro, Aloysio de Castro, Laurindo Rabelo, Afrânio Peixoto, Miguel Couto, Antônio Austregésilo, Joaquim Manoel de Macedo, Manoel Antônio de Almeida, Guimarães Rosa, Silva Melo, Pedro Nava, entre inúmeros outros.

Já em 1786, alguns médicos brasileiros formados em Montpellier fundaram, no Rio de Janeiro, uma Sociedade Literária.

Voltemos à Abrames: quiçá as vitórias mais expressivas sejam oriundas das maiores dificuldades. Assim aconteceu com a nossa Academia, que teve perdidos preciosos documentos de sua bela trajetória. Fato pitoresco: desaparecimento de sua bandeira original, que fora elaborada por Marco Aurélio Caldas Barbosa; recentemente, sem explicação, reapareceu no armário que a Academia ocupa na Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.

Possui a Abrames cinqüenta médicos titulares, sendo que apenas doze são fundadores; vinte e oito vagas já tiveram dois titulares e dez estão sendo ocupadas pela vez terceira. Esta rotatividade, por um lado, desfaz a ilusão de imortalidade; por outro, permite a ascensão de novos e valorosos médicos literatos.

Desde março de 2004, por feliz iniciativa de Abilio Kac, atual presidente, a Abrames vem realizando sessões literárias na Federação das Academias do Rio de Janeiro, o que tem propiciado proveitoso entrelaçamento com outras Academias e Sociedades Literárias que ali se reúnem.

Helio Begliomini, autor desta obra marcante, faz-se merecedor de justos elogios pela construção da história de nossa Academia. Além do reconhecido talento, precisou de paciência e perseveração para atingir seu desiderato, tantas as dificuldades com as quais se deparou. A ele, penhorado reconhecimento.

Luiz Gondim de Araújo Lins[*]
[*] Membro fundador e titular da cadeira no 1 da Abrames, exercendo atualmente as funções de vice-presidente e orador desse sodalício; membro titular da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores; da Academia Nacional de Letras e Artes; da Academia Cearense de Ciências Letras e Artes; da Sociedade Eça de Queiroz; da Liga Sul-Americana de Médicos Escritores; da União de Médicos Escritores e Artistas Lusófonos.

 

Prefácio III: Zilda Cormac “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” Provérbios 25,11.

Só mesmo uma personalidade tão invulgar como Helio Begliomini, cuja sensibilidade deixa transparecer em tudo o que escreve e fala, poderia descrever, com tanta precisão e realismo, os comemorativos ligados à instalação solene, ocorridos em 26/5/1989, do silogeu com a posse dos titulares-fundadores da Academia Brasileira de Médicos Escritores.

À proporção que a leitura das primeiras páginas do livro “Vinte Anos de História” ia se processando, lembranças até então embotadas pelo tempo decorrido foram espocando na minha memória. Fui tomada de uma forte emoção ante as reminiscências evocadas pela maestria do grande escritor Helio Begliomini. Tal beleza de palavras no seu descritivo me levou a continuar na leitura do livro até alta hora da madrugada. Não conseguia interrompê-la e, vez por outra, uma lágrima escorria dos meus olhos ante tantas lembranças queridas.

Senti uma alegria incontida por ter, juntamente com o preclaro titular Luiz Gondim, feito a indicação do nome de Helio Begliomini para a compilação e registro do histórico da Abrames.

Esse insigne escritor, o mais jovem e maior entusiasta de nossa Academia, mesmo com suas inúmeras atribuições na medicina, residindo em São Paulo, compareceu a quase todos os encontros promovidos pela “Semana da Academia” realizados anualmente no Rio de Janeiro.

Dentre os seus inúmeros trabalhos publicados há que se destacar “Tributo à Sobrames Nacional” (1965-2000), “A Sobrames Nacional e Seus Presidentes” (2000), “Mistura Fina” (2004) e o inigualável e riquíssimo livro “Urologia, Vida e Ética” (2006). Neste último, além da rica encadernação e capa primorosas, Helio Begliomi compilou suas crônicas e ensaios nos quais aborda, destemidamente, sérios assuntos ligados não só à ética médica, como à vida do Ser humano sob vários aspectos. Leva-nos à reflexão, abre diálogos, merecendo esse livro lugar de destaque na estante de todo o leitor amante das letras.

Mais gratificada ainda me sinto ao constatar que não foram em vão os inúmeros apelos que fiz, através dos Informativos, sobre a importância da aquisição de uma “Sede Própria”.

O nobre escritor, Helio Begliomini, consubstanciou o meu posicionamento que até hoje perdura: adenda à sua tão importante obra, “Vinte Anos de História”, alguns trechos de meus editoriais publicados nos informativos conclamando aos titulares a pensarem no assunto, tal sua relevância.  Minha voz parecia clamar no deserto, não merecia sequer apoio de outros titulares quando estive à frente da Academia, com exceção do ex-presidente Jorge Picanço, que sugeriu algo visando objetivar essa causa tão defendida por mim nas reuniões.

Só um Helio Begliomini, com a sua manifesta experiência de trabalho que carrega, mostra, com toda a desenvoltura no presente livro, a vital importância da “Sede Própria”, por menor que ela seja, para a perpetuação do acervo dos seus titulares.

O idealismo e a espiritualidade de Helio Begliomini são visíveis no seu ontológico poema “Trasitoriedade”, quando diz: “O ontem é um hoje que se emancipou no tempo; o hoje é um ontem que já contemplou a aurora; o amanhã é um hoje que não conheceu o ocaso... Um após outro, seqüência e manifestação... cenários da existência, perceptíveis... Matizes temporais... trajetórias singulares de vida... Nuances do belo, materialidade do eterno... pegadas do Criador”.

As dificuldades que Helio Begliomini encontrou na compilação de dados para a feitura de “Vinte Anos de História” são flagrantes, porém o seu espírito de luta e crença na Academia, que ele com outros pares fundaram, não teve preço. O seu denodo, perseverança e, principalmente, o amor à causa o fizeram realizar com elegância, maestria, clareza, trazendo para o livro exemplos de outras entidades congêneres.

O notável no presente livro “Vinte Anos de História” é que o escritor não se limita só a um simples relato de acontecimentos, mas ele, como um didata, deixa fluir suas idéias que são calcadas em profundas emoções.

O importante ainda é salientar o cuidado e carinho despendidos pelo nobre escritor guardando o primeiro convite e programa da instalação da Abrames, bem como todos os Informativos que foram distribuídos durante esses vinte anos. Isso demonstra o seu grande interesse ao sodalício.

Vale ainda ressaltar as dificuldades que ele encontrou para registro de dados do fundador da Abrames, Marco Aurélio Caldas Barbosa, falecido quando ainda exercia a segunda gestão na Presidência (1994). Guardava, ele, em sua residência particular, grande parte dos livros da Abrames, os quais não foram entregues em tempo útil a quem de competência. Talvez a ausência da “Sede Própria”, como aponta o escritor, fosse o causador desses contratempos. Todavia Helio Begliomini não esmorece e, muito ao contrário, quebra lanças, joga-se ao trabalho e eis, no presente livro, apresentando uma bela monografia do fundador da Abrames, com mínimos detalhes, alguns até ignorados por seus próprios pares.

Para não mais me delongar nessa síntese, afirmo, sem medo de errar, que a Abrames recebeu um rico presente de Helio Begliomini. A feitura deste tão precioso livro, “Vinte Anos de História”, marcará mais um tento na vida da Academia Brasileira de Médicos Escritores, graças aos ideais, pensamentos e opiniões que o nosso notável escritor, Helio Begliomini, titular e fundador da Abrames tão sabiamente nos passou.

Zilda Cormac*
Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional do Rio de Janeiro. Titular-fundadora da cadeira no 19 da Academia Brasileira de Médicos Escritores – Abrames, tendo sido sua presidente por duas gestões (2000-2001 e 2002-2003); titular da Academia Brasileira de Trovas do Rio de Janeiro, desde 1992, e titular da cadeira no 7 da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro, desde 1993, cuja patronímica é Augusto Frederico Schmidt.