"Quem foi temperar o choro, e acabou salgando o pranto"?

Fonte: Lázaro Piunti - 04-09-2019

Foi a saudade inclemente acostumada à dor;Lazaro Piunti b1860

Ou a tristeza indolente crestada no desamor!

 

Quem praticou a desdita do destempero cruel

Derramou mágoa infinita no cálice do puro mel.

 

Em noites de nostalgia e manhãs de sol ausente

A alma inquieta e vazia gera silêncio plangente.

 

Quem conheceu a solidão e viajou no adeus!

Carrega no coração o penar dos tempos seus!

 

Vozes vindas do além. São cânticos de sedução

Seu murmúrio não convém. Incurável é a paixão.  

 

É fatal o amargo pranto. E não existe manto santo

Pronto a vertê-lo em doçura.

Assim, o choro é eterno. Mais copioso no inverno

Quando escasseia a ternura!

 

Lázaro Piunti - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - 04-09-2019

* O poema é meu. O título tomei-o emprestado a Leandro G. Barros!