O voo do besouro

Frances de Azevedo

O voo do besouro (Fligtht of the Bumblebee)

Há uma peça musical com esse nome, mais exatamente, um interlúdio orquestral, cujo autor é Nikolai Andreyevich Rimsky Korsakov. Nasceu em 18 de março de 1844 (diaFrances de Azevedo 1 25820 do meu aniversário, signo de Peixes) e faleceu em 21 de junho de 1908. Russo, com certeza. Era professor, militar e maestro compositor renomado. Fazia parte do Grupo dos Cinco: liderado por Mily Balakirev, Alexander Borodin, Modest Mussorgsky e César Antonovitch Cui, todos jovens compositores russos como ele.

Acabei de ouvir esse interlúdio pela Rádio Cultura, neste sábado de Aleluia (03 de Abril de 2021), tomando meu café da manhã, como costumeiramente faço.

Não sei o porquê, mas ouvi com atenção. Aliás, sei, sim, a razão, foi o nome que me atraiu, porquanto o considerei inusitado.

Voo do besouro?!

Como compor uma música para um inseto da ordem dos Coleópteros (escaravelhos, gorgulhos entre outros) dos quais, ele, esse tal besouro, é o mais popular, juntamente com as joaninhas?! Destas, por sinal, eu as aprecio pelo colorido e delicadeza!

Lembro-me, perfeitamente, que na fazenda de minha tia materna Alzira, quando criança, tive a infelicidade de me deparar com muitos besouros: não gostei nem um pouco. A experiência não foi nada agradável!

Alguns possuem chifres! – rhinocero beetle (hom beetle); besouros elefantes, besouros rinocerontes - E não é só um par. Não! São três! São enormes, escuros e assustadores! Fazem um zumbido no sobrevoo. Podem nos atacar. Sua mordida causa inchaço que duram até dois dias, mas não matam um ser humano. (Ainda bem!). Ao que consta, os machos chifrudos os utilizam para suas lutas por uma fêmea.

Ah, como eu tinha medo! Fugia bem rápido...

Na civilização egípcia, era tido como um deus, símbolo da ressureição e imortalidade.

Há quem aprecie e o tatue em seu corpo, talvez por acreditar que o besouro é o representante do sol que renasce dele mesmo...

Se não morro de amores por esse inseto, contrariamente, a música, de uma originalidade impar, agradável, me envolveu: Peça curta que nos leva ao voo desse monstrengo, num encantamento magistral e, sem se dar conta, você passa a seguir, volitar e, por pouco, até passa a gostar desses seres medonhos!

Bem andou, pois, o maestro Korsakov, ao compor esse interlúdio!

Aliás, outros percorreram esse caminho, não exatamente do besouro, mas o de nominar suas obras inspirados em outros animais, como: O Pássaro de Fogo; de Igor Stravinsky e O Lago dos Cisnes: de Tchaikovsky, ambos também russos.

O que os levou a singrarem tais veredas, juntamente com outros compositores dos tempos hodiernos que se inspiram nos animais, desde os mais mansos e belos até o mais estranhos, feios e perigosos?!

Não sei dizer a razão, - nem me atreveria - até porque os meandros da imaginação humana representam um oceano infindo, onde muitos mares e rios de ideias desaguam em cascatas constantes e borbulhantes, mormente a dos gênios musicais.

Prefiro, então, me deixar levar e não mais me apavorar ante um besouro tricéfalo assustador que, um dia, inspirou tão linda melodia!

Se deseja ouvir a de Nikolai Andreyevich Rimsky Korsakov O voo do besouro (Fligtht of the Bumblebee) CLIQUE AQUI 

 

Frances de Azevedo -  Cadeira 39 da ACL


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