O jogo da vida não termina (Quando a bola para)!

Fonte: Lázaro Piunti

o jogo 174daHá muitos lances que enfeiam o cenário do futebol além das quatro linhas do gramado. Os protagonistas são dirigentes obtusos, movidos pela ganância, homens insensíveis, alheios ao sofrimento e à dor dos mais humildes. As vítimas de sempre são pais, irmãos, avós. Gente simples. Os filhos, muito jovens, pré-adolescentes, correndo na captura de sonhos, são facilmente atraídos pelas propostas de agentes famintos por dólares. E euros! Estas raposas recolhem o endosso dos pais em documentos em branco! E estes carcarás da pilantragem negociam com os gaviões do profissionalismo capenga os acertos bilionários. E, de repente os meninos voltam. Sem troféus. Em caixões lacrados. Sem medalha no peito!

Dia 8 de fevereiro de 2020 fez um ano do trágico incêndio no “Ninho do Urubu”. Dez garotos morreram no contêiner que o Flamengo mantinha como “pensão”. Até hoje o poderoso Clube discute o processo na justiça retardando as indenizações às famílias dos meninos mortos. O faturamento de um bilhão de reais contabilizados em 2020 e um punhado de títulos, não sensibilizaram o espírito e o coração dos dirigentes.

Existem outros casos provando que a insensatez é marca registrada da grande maioria dos que comandam o esporte brasileiro.

Em 28 de abril de 1969 o Corinthians perdeu o lateral Lidu (20 anos) e o ponteiro esquerdo Eduardo (24 anos), acidentados na marginal paulistana. O ocorrido comoveu a todos. Para o Timão substituir os atletas falecidos, era preciso a concordância unânime dos clubes disputantes. O Presidente palmeirense discordou revelando sua pequenez de sentimentos!

No dia 19-04-1994 o jovem Denner, craque promissor, faleceu em acidente no RJ. Emprestado pela Portuguesa ao Vasco, o folclórico presidente vascaíno brigou 13 anos na Justiça para reconhecer o direito da indenização à família (viúva e três crianças).

No dia 20-02-2013, torcedores corintianos dispararam foguetes no estádio de Oruro na Bolívia alvejando o menino Kelvin Spada. Vários meliantes, travestidos de torcedores, foram presos. Acabaram soltos, pois ajeitou-se em São Paulo um rapaz (“de menor”) para dizer ter sido ele o autor do disparo criminoso. Ninguém foi condenado. O garoto boliviano perdeu a vida e a impunidade permanece viva, leve e solta. Das arquibancadas da Existência as consciências dignas bradam por justiça. Mas... É um grito silencioso!

Lázaro Piunti - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.