Mundo fantástico

Rosa Maria Custódio (Novembro/2007)

Vivemos na era dos grandes desenvolvimentos tecnológicos e os meios de comunicação atingem, globalmente, bilhões de pessoas, via internet, televisão, jornais, revistas, rádios etc. Os avanços conquistados nas mais variadas áreas de atuação humana e as notícias relativas a quase tudo o que está acontecendo no momento, no mundo, estão sendo veiculadas com uma rapidez nunca antes imaginada.

Vivemos num mundo fantástico! A comunicação entre pessoas que residem em diferentes continentes se dá num piscar de olhos. Via internet, cada indivíduo que se conecta tem um endereço eletrônico e pode, virtualmente, estar presente em muitos lugares ao mesmo tempo. Podemos, nos nossos dias, voar mais rápido que a velocidade do som. As viagens espaciais, cada vez mais frequentes, atestam a inteligência e a coragem do homem, e colhem informações altamente especializadas, que certamente servirão para a criação de novos paradigmas na vida em sociedade.

Mas como é a nossa vida em sociedade? Que efeito tem a informação instantânea, colorida e multiplicada, na vida de cada ser humano?

Os noticiários estão repletos de calamidades. As decorrentes do mau uso da natureza e as outras, todas decorrentes das falhas e deficiências humanas. De que adianta o progresso, o avanço tecnológico e toda essa velocidade, se continuamos a registrar as mesmas mazelas de sempre: misérias, crimes, violências de todo tipo, corrupção, impunidade, exploração do homem pelo homem?

O atual governo tem urgência em criar a já famosa TV Pública. Famosa porque os gastos públicos serão bilionários, porque a ideologia que está por trás é autoritária e ultrapassada, e porque não existe necessidade de nova TV no cenário brasileiro! Já temos a TV Educativa e TV Cultura, e muitos outros canais de televisão, que dão perfeita cobertura e veiculação das informações. Talvez o que esteja faltando seja mais seriedade e mais responsabilidade, tanto por parte dos governantes como por parte dos dirigentes dos meios de comunicação.

Quais são as informações que realmente importam na vida do cidadão brasileiro? Quais são os programas televisivos que realmente vão fazer a diferença e ajudar a construir uma sociedade melhor? Programas vazios de conteúdo, fartos em inversão de valores também existem em abundância. Tragédias, violência, crimes, são os temas mais explorados, espalhando sangue no imaginário nacional, e atiçando a adrenalina dos marginais que também querem (e têm!) os seus 15 minutos de fama.

Os meios de comunicação deveriam colaborar com a educação e a vida cultural do povo. Mas são empresas também, públicas ou privadas, que para se manter precisam de caríssimas infraestruturas. As públicas não precisam esquentar a cabeça porque o dinheiro simplesmente cai do céu. O dinheiro público, no Brasil, é tão respeitado quanto o cidadão honesto que garante a sua sobrevivência com o suor do seu trabalho e é obrigado a sacrificar parte do seu salário para pagar impostos que não retornam em forma de serviços.

Na sua grande maioria, os serviços públicos são tão ineficazes que mal atendem aquela faixa pobre e miserável da população (a que mais prolifera), que não tem trabalho, não paga impostos, nem recebe educação. E assim, o ciclo da ineficiência se mantém. E assim, também se mantêm os governos demagógicos que, na busca do voto, iludem os ignorantes, prometendo o que depois não vão cumprir, para usufruir o que não ajudaram a construir.

Nas nossas telas televisivas, não faltam holofotes nem microfones para os demagógicos e todos aqueles que prometem repartir o bolo e distribuir pizzas. O nosso mundo fantástico é também uma grande ilha de fantasia! Acho que está na hora do profissional da comunicação social acordar e usar o seu brilho e a sua luz para mostrar os protagonistas realmente importantes, verdadeiros e dignos deste país. Aqueles que agregam valores e ajudam a construir uma sociedade melhor, mais humana e mais justa.