Construir e valorizar a vida

Rosa Maria Custódio (Janeiro/2008)

Sabemos que as condições de vida não mudam de um dia para o outro, como num passe de mágica. Assim, a passagem, do último dia de 2007 para o primeiro dia de 2008, além de convencional (de acordo com normas astronômicas e outras), é simbólica. Mas a simbologia ocupa um lugar especial e mágico em nosso imaginário. Ela condensa o passado, o presente e o futuro, inscritos no psiquismo humano, e desperta os indivíduos para uma dimensão mais profunda de suas existências, muito além do aqui e agora. A maioria de nós vive no aqui e agora do plano material, esquecida de que somos passageiros, esquecida de que a vida tem um propósito muito maior.

O jornalista, no exercício de sua profissão, proclama uma neutralidade que não existe, porque cada ser humano é singular na sua maneira de ver, entender, sentir e pensar. O que está por trás da informação também é muito importante: tem a visão de quem a transmitiu, a escreveu, o aval de quem a editou e a responsabilidade do órgão que a divulgou. A partir da publicação a informação adquire uma identidade própria e será assimilada, interpretada, aceita ou não, pelo leitor, segundo a sua visão particular. As informações divulgadas têm um propósito e servem a um ou muitos interesses. O leitor, quando tem discernimento, também faz suas escolhas e usa-as da maneira que lhe convém.

Com o advento da modernidade, do progresso acelerado, da impactante difusão dos meios de comunicação, a propagação das informações avolumou-se de tal forma que não temos mais parâmetros para dizer o que está a serviço da construção ou da destruição de nossa sociedade. Do campo pessoal ao planetário, vivemos sob a ameaça de grandes tragédias, vendavais e tempestades que podem chegar a qualquer momento, ceifando vidas, sonhos e esperanças. É o que nos mostram os noticiários, o tempo todo.

Qual o sentido da vida humana, perguntamos, diante de tantas tragédias, brutalidades, atrocidades, provocadas pelo próprio ser humano contra seu semelhante? Para que serve a divulgação de tantos horrores? Para aumentar nosso conhecimento sobre o poder de destruição do próprio HOMEM, que faz mau uso da sua inteligência e racionalidade, na sua alucinada mania de querer subjugar e explorar seus semelhantes? O que vamos construir com esse conhecimento? Uma sociedade de seres insanos e perigosos, ou acuados e reprimidos, cada um lutando, sem sucesso, pela própria sobrevivência?

A vida humana é o nosso bem mais valioso! Mas, a inversão de valores que impera nos dias de hoje quer provar o contrário! O que podemos fazer para dar um rumo diferente aos nossos destinos? Relatar os fatos que nos chocam, que nos fazem sentir o quanto somos impotentes, que nos envergonham? Derramar nos lares brasileiros e no imaginário de nossa sociedade o que há de pior nos indivíduos? Ou, fazer exatamente o contrário: mostrar aquilo que é bom, que serve para construir, valorizar e enobrecer o ser humano e a vida em sociedade?!

Tudo o que existe hoje, como realidade, um dia foi sonho, fruto da imaginação, da vontade de criar. A imaginação é, portanto, a grande inspiradora das descobertas e do progresso. Precisamos alimentá-la com o que há de melhor dentro de nós, com a energia positiva que impulsiona nosso espírito para a construção do mundo que sonhamos!

Não é preciso beber champanhe para ver o ANO NOVO chegar com novas cores e boas vibrações! Basta olhar o mundo com mais amor e compaixão. Tudo pode mudar em janeiro, mas é preciso querer, acreditar, perseverar, fazer acontecer! O NOVO ANO é um belo símbolo, que está sendo gestado dentro de nós e esperando despertar para uma nova realidade.