Boas Vindas aos Novos Acadêmicos!

Fonte: Rosa Maria Custódio

A leitura dos currículos dos candidatos às Cadeiras vagas na Academia Cristã de Letras proporcionou-me imensa alegria. Por mais resumidos que sejam, podemos vislumbrar suas histórias e sentir que eles vêm de coração aberto, querendo compartilhar o melhor de suas vidas – seus pensamentos, seus sentimentos, suas obras e sonhos!

A eleição está próxima. São seis candidatos para três Cadeiras vagas:rosa maria 3 7badc

Nº 26, Patrono: Apóstolo São Paulo. Fundador: Hélio Falchi. Sucessor: Paulo Cintra Damião;

Nº 31, Patrono: Aroldo Edgard de Azevedo. Fundador: Paulo Pereira dos Reis. Sucessora: Dóli de Castro Ferreira;

Nº 35, Patrono: Tomás Antônio Gonzaga. Fundador: Geraldo Dutra de Morais. Sucessora: Elizabeth Mariano.

As Academias conferem aos Acadêmicos o título de imortais, mas essa imortalidade repousa na renovação de seus membros que, ao tomarem posse de uma Cadeira, se comprometem a render homenagens ao patrono, ao fundador e respectivos antecessores, enaltecendo suas obras e seus exemplos de vida. Assim, a memória perdura, justificando a imortalidade.

O termo Academia tem origem na palavra grega “akademia”, referente ao jardim Akademos, na cidade de Atenas, onde Platão (427a. C. – 347ª.C.), considerado um dos principais pensadores da história da filosofia, costumava instruir seus discípulos. Inspiradas na Academia de Platão, como um lugar de debates de ideias, surgiram diversas instituições de estudos literários, filosóficos e outros. Mas foi na França, em 1635, que o termo Academia ressurgiu com relevância, quando o Cardeal Richelieu fundou a Academia Francesa.

Assim como o florescimento das ciências e das artes representavam a glória de uma nação, a linguagem e as armas deveriam representar a sua honra. Com esta concepção, e composta por homens letrados, representantes das mais diversas profissões, a Academia Francesa recebeu de Richelieu a missão de constituir, com sabedoria e economia, uma linguagem que tivesse clareza e elegância, mas que aproximasse a língua escrita da língua falada e fosse acessível a todos, não apenas aos especialistas e eruditos. Entre os objetivos a serem alcançados estava a composição de um dicionário e obras de gramática, retórica e poética, editadas de acordo com as novas regras ortográficas, que deveriam ser seguidas a partir de então.

Ao longo dos séculos de sua existência, a Academia Francesa vem incentivando a cultura literária, nas suas mais variadas expressões e distribuindo dezenas de prêmios anuais. Entre os maiores prêmios de Literatura estão os de Romance, Teatro, Poesia, História, Ensaios, Crítica. Além do incentivo à cultura literária dos países de língua francesa, esta prestigiosa entidade tem inspirado a criação de Academias Literárias pelo mundo inteiro. No Brasil, dos dias atuais, existem centenas de Academias Literárias. Cada uma é um facho de luz para a humanidade em seu caminho evolutivo.

As Academias mais importantes, no cenário brasileiro, são: Academia Brasileira de Letras, criada em 20 de julho de1897, com sede na cidade do Rio de Janeiro. Machado de Assis foi seu primeiro presidente. Nas palavras do Acadêmico Josué Montello, presidente da ABL nos anos 1994 e 1995, Machado de Assis foi o principal responsável pela sobrevivência e prestígio desta entidade, que é também um patrimônio de nossa vida cultural. E Academia Paulista de Letras, criada em 27 de novembro de 1909, com sede na cidade de São Paulo. Seu primeiro presidente foi Brasílio Machado.

A Academia Cristã de Letras, fundada em 14 de abril de 1967, com sede na cidade de São Paulo, teve Benedicto Rodrigues Aranha como seu primeiro presidente. São 53 anos de história e suas 40 cadeiras já contam com 97 ocupantes. A partir do próximo mês, o número de acadêmicos será 100. Um número a comemorar! São muitas biografias, muitas obras e testemunhos de vida, onde o cultivo das letras, das ciências e artes se mantém, dando continuidade aos ideais que nortearam sua fundação.

As atividades das Academias estão profundamente ligadas à Cultura, à língua e linguagem, às artes e ciências em geral. Preservar o patrimônio literário nacional é uma das principais funções de uma Academia de Letras, assim como estudar e desenvolver a cultura, a língua e a linguagem regional. As Academias promovem o saber e o conhecimento que dignificam a vida, os valores que enobrecem o ser humano e enriquecem as relações sociais. Em uma Academia, as pessoas se reúnem para trocar ideias que estimulam o desenvolvimento de novas maneiras de pensar, ver e viver a vida. Essas reuniões ajudam a florescer os sentimentos de amizade, respeito, generosidade, gratidão e outros, que muito alegram o coração e o espírito.

Com esse convívio mais elevado e refletindo sobre questões como o bem, a beleza, a justiça e a verdade, nós, seres humanos que almejamos a paz e a felicidade, procuramos resgatar os valores do espírito. Procuramos priorizar aquilo que é realmente importante em nossas vidas e assim superar o sofrimento, os conflitos e as dificuldades que encontramos ao longo de nossa existência. Procuramos minimizar os efeitos negativos, produzidos por certos seguimentos da sociedade e da mídia, que atuam no sentido de sujeitar os indivíduos às imposições do mercado e da vida meramente material.

No meu entendimento, a missão primordial das Academias, nesse momento histórico em que vivemos, é resgatar os valores morais e espirituais concebidos pelos mais notáveis pensadores e filósofos que a humanidade já teve em seu processo evolutivo e civilizatório. E avançar, no aperfeiçoamento do ser humano, através do seu desenvolvimento intelectual, social e moral.

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