A API e os desafios do século XXI

Rosa Maria Custódio (Agosto/2008)

A API, conhecida também como a Casa do Jornalista de São Paulo, neste mês de maio, completa 75 anos de existência. Já abrigou, em sua sede, ilustres profissionais da Comunicação Social e foi palco de grandes acontecimentos, sempre defendendo a democracia, a liberdade de Imprensa, o desenvolvimento da sociedade e do país, e os direitos dos profissionais responsáveis pela divulgação das informações de interesse coletivo.

Como todas as associações, entidades ou instituições ligadas à comunicação social, a ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE IMPRENSA tem sua missão a cumprir dentro da sociedade e, principalmente, perante seus associados, que acreditaram nos seus objetivos e estatutos, e a ela se filiaram. Mas, como todas as associações, entidades e instituições, a API já conheceu momentos de glória e desenvolvimento, e outros, de ostracismo e recolhimento. Agora, depois um período letárgico, a API ressurge das cinzas e se prepara para uma nova fase, promissora e alvissareira.

O JIP - Jornal da Imprensa Paulista – que surgiu na gestão JB Oliveira/Costa Carregosa, é o timoneiro desta nova fase. Traz no seu bojo as idéias que norteiam os novos tempos dessa Associação, que tem muito a fazer pela sociedade e pelos profissionais que congrega, nesses tempos de mudança acelerada, abundância de informações e pouca reflexão sobre suas conseqüências na vida de cada ser humano.

Informar não basta. É preciso ter responsabilidade social e apresentar ao público as notícias que são relevantes para as pessoas e para a vida em sociedade. Até que ponto as informações que estão sendo arremessadas, em enxurradas, têm efeito positivo ou negativo no imaginário coletivo? A vida é dinâmica, se transforma e se multiplica a cada instante. Tudo acontece num campo de energia onde causa e efeito estão interagindo o tempo todo. Mostrar o que está acontecendo no mundo, na sociedade, na vida das pessoas, é uma obrigação inquestionável dos meios de comunicação. Mas, além de informar, esclarecer e ajudar as pessoas a entenderem as implicações dessas informações em suas vidas, e ajudá-las a fazerem as melhores escolhas, é igualmente uma obrigação.

Por trás de cada informação, existe um propósito, uma intenção. Que seja o bom propósito e a boa intenção. O profissional da comunicação, em qualquer tempo e local, tem uma grande responsabilidade social e não pode se eximir desse encargo. Para exercer a profissão não basta decorar teorias, dominar o uso de técnicas e equipamentos. É preciso ter uma boa formação, principalmente humanística, e o sentido da evolução histórica da civilização humana.

Se a sociedade está do jeito que está, cercada de violência, despojada de princípios éticos e carente de valores humanos, a culpa é dos homens públicos que não cumprem com suas obrigações (mas se deleitam com as benesses do poder e do status advindos de seus cargos), e também de profissionais da comunicação, que se comprazem em disseminar o que há de mais negativo na sociedade.

Sim, a liberdade de expressão é fundamental. Mas, a liberdade de expressão sem educação, sem princípios morais, sem respeito à dignidade humana, é um desserviço à sociedade. O resultado é o caos nosso de cada dia, a sociopatia de mãos dadas com a violência e os abusos de toda ordem. O sensacionalismo continua invadindo os lares e as mentes das pessoas. O crime ganha destaque na mídia, o infortúnio dos indivíduos e as tragédias familiares viram espetáculos públicos, exatamente como na época da inquisição, o período mais negro da nossa História.

Como fantoches, muitos repórteres, que trabalham para empresas de comunicação (que vivem do sensacionalismo e se curvam diante do altar do Ibope), são obrigados a fazer plantões, e se atropelam nos locais dos crimes mais hediondos, em busca da “verdade” que vai saciar a curiosidade sadomasoquista de multidões desocupadas e alienadas. “Verdades” que servem apenas para alienar ainda mais as pessoas, e afastá-las do autoconhecimento e da compreensão do significado mais profundo e nobre da existência.

As descobertas da ciência e o progresso tecnológico, ocorridos principalmente no século XX, são provas incontestáveis da capacidade de criação e inteligência do ser humano. Os meios de comunicação de massa (desde as emissoras de rádio até as transmissoras via satélite e internet) são o resultado do trabalho perseverante de homens brilhantes. Mas nas mãos de pessoas inescrupulosas e socialmente inconsequentes esses meios se transformam em armas perigosas e destruidoras daquilo que a humanidade possui de mais valioso: a sua dignidade e sua capacidade de construir um futuro melhor.

Nos tempos atuais, estarrecidos, vemos a vida social se degradando em proporções assustadoras, e os holofotes e microfones potencializando em escala sideral o horror nosso de cada dia. O mau uso dos meios de comunicação de massa, quando disponibilizados para distrair (no sentido pejorativo) ou explorar a mente e a vontade de milhões de pessoas, é um atestado da irresponsabilidade e da cupidez humana.

Afinal, para que serve a informação se não agregar valores e não servir para o bem-estar social? No século XXI, a API, assim como todas as entidades ligadas à educação do profissional da comunicação social, tem um grande desafio pela frente: conscientizar o maior número possível de comunicadores de sua nobre missão, que é alargar as fronteiras do saber para a construção de um mundo melhor.