Selva de Pedra

Fonte: Reinaldo Bressani

Selva de Pedra, sim senhor!Reinaldo Bressani Copia 83e0c

Assim é, como, na verdade

E bem apropriadamente,

Chamam esta cidade.

 

Contrastes marcantes

Se acentuam mais e mais,

Em função de identidades

Quase sempre desiguais.

 

É uma cidade gigantesca,

Espaçosa aos bem-nascidos.

E a maioria comprimida

Em seus becos reduzidos.

 

Nela vivem milhões,

Num frenético vai e vem.

Uns seguem destino certo,

Outros... a brisa os mantêm.

 

Lugar onde as pessoas

Buscam o futuro na raça.

Amam, riem e se divertem.

Sofrem e choram desgraças.

 

Este é um lugar único.

Quem chega logo adota.

É gente que, acreditando,

Luta vitórias e derrotas.

 

Há ideais romanescos

E belezas que arrebatam.

Há gente que reza o terço,

E a sanha dos que matam.

 

Onde o gesto rotineiro,

No contraste dos acasos,

Tanto é certo quanto incerto.

E, se político, é de descaso.

 

E, em meio à roda viva

Da multidão em romaria,

Rostos, em movimento,

Desfilam em harmonia.

 

Vê-se na mesma calçada,

O policial e o bicheiro,

O humilde e o soberbo,

O lobo e o cordeiro.

 

Entre rusgas e abraços,

Gritos de gols e desatinos...

Santistas e palmeirenses,

Corintianos e sãopaulinos.

 

Babilônia controversa.

Contrastes de etnias.

Negro, branco, amarelo.

Melting pot sem fobias.

 

No bom ar condicionado,

Executivos engravatados.

E catadores de papel,

A céu-aberto... esfarrapados!

 

Tem atletas expoentes

Correndo no Ibirapuera,

E hordas de drogados

Na mais vil atmosfera.

 

E tem aqueles que fazem,

E os que mandam fazer.

Qual o nefasto cafetão,

E as “profissionais do prazer”.

 

Oscar Freire – chiquíssima -,

Bem ali... nos Jardins.

E a Vinte e Cinco de Março...

Um camelódromo sem fim.

 

Bangalôs e arranha-céus

Dos ricos de vida bela.

E desvios incoerentes...

De mansões nas favelas.

 

Lindo céu de brigadeiro...

O Shopping Iguatemi.

Jardim Romano inundado,

Se afogando logo ali.

 

E, margeando o Tietê

- Um esgoto a céu aberto -,

O belo Parque Ecológico

Deixa todos boquiabertos.

 

Há o Morro dos Ingleses

E a Baixada do Glicério.

Não há o que se dizer...

Compará-los é impropério.

 

O luxuoso Morumbi,

E o temido Capão Redondo.

Se um é chique e elegante...

Outro é cacho de marimbondos.

 

Regiões: norte e sul.

Também: leste e oeste.

Contrastes de sol e chuva...

Poluição e azul celeste.

 

Glicínias e tumbergias,

Rosas e margaridas,

Em cores equilibradas

Embelezam nossas vidas.

 

Esta cidade, sem dúvida,

Harmoniza os desiguais.

Contrários vão se juntando

Qual um banco de corais.

 

Cidade que tem por lema

- E com orgulho - a liberdade.

Tem, no direito de ir e vir

Seu predicado de verdade.

 

De amor, a sua magia

- Qual flor, de mel salpicada -

É encanto aos colibris

Que sonham nova morada.

 

Por isso mesmo é que eu digo,

E reafirmo aqui nesta hora,

São Paulo é berço de todos...

De todos é mãe generosa.

 

Reinaldo Bressani - 11-99582-8307 - Cadeira nº 15 da ACL