Poema das mãos

Fonte: Antônio Lafayette

POEMA DAS MÃOS.3 Antonio Lafayette Natividade Silva e6849

As mãos cruzadas sob a aura da vida.

A viver destemidas aos embates cruciantes.

Hoje recolhe a messe em despedida,

Da colheita final das sementes de antes.

 

E as mãos de trabalho, agora emurchecidas,

Farta de amor, é exemplo, e seu semblante,

É de um têrço na oração compungida

E o mesmo toque de doutrina edificante.

 

Enturvadas de sombra de um passado,

Colheram auroras tantas, nos caminhos,

E sonhos quanto houvera, sempre irrevelado

 

E num perfume, cujo olôr é bondade

Uma gloria final de ternura e carinho,

E essa ruga de fé e de saudade.