Epopéia Paulistana

Fonte: Reinaldo Bressani

Ah, minha São Paulo,Reinaldo Bressani

Sua história é tão bonita.

Quando penso seus mistérios,

Meu coração logo se agita.

 

Gente que vem e que vai.

Heróis do seu dia a dia.

Suor irrigando a terra,

Em tempos de travessia.

 

Grande berço de esperanças

À gente do mundo inteiro,

Onde mora a liberdade

E o amor mais verdadeiro.

 

Da cruz fincada na selva,

Nasceu a pequena aldeia.

Palavras santas de quem

Trouxe poesia da areia.

 

Pois, aquela sementinha,

Propagou-se intensamente.

Enraizou-se no lugar,

E deu feitio à nossa gente.

 

Assim, a vila inexpressiva

Que nasceu predestinada,

Teceu os rumos do destino,

E foi também abençoada.

 

Até costumes escravagistas

Que quiseram nos implantar,

Sucumbiu frente à igualdade

Destinada a prosperar.

 

Com a liberdade, o seu povo,

Isabel presenteou.

E sem os grilhões que a envolvia,

A nação se harmonizou.

 

Grito solto na garganta,

E o poder de ir e vir,

Irmanados numa luta

À epopeia do porvir.

 

Nas Arcadas do São Francisco

O Direito se alojou.

A inteligência se forjando,

E o Brasil logo mudou.

 

Culturas florescendo,

Alimentando ideais.

E o Estado se projetando

Pela riqueza dos cafezais.

 

Em seguida, sua indústria,

Engatinhando alvissareira,

Dava seus primeiros passos

Condizentes à sua bandeira.

 

Devagar se transformando,

De província sertaneja

Em Capital muito agitada,

Ostentando suas riquezas.

 

Seus teares e chaminés,

E seus apitos poluentes,

São as faces do progresso...

Com o trabalho de sua gente.

 

Novo brilho impulsionava

Os destinos da grandeza,

Esculpindo metais nas forjas...

Moldando novas riquezas.

 

E aquela fonte pequenina

Agigantou-se em Solimões.

E o nosso berço Piratininga

Delineou suas feições.

 

O bonde aberto, com estribos,

Serpenteando pela cidade,

Hoje é marco de lembranças

No seu tempo de saudade.

 

O desvairo do menestrel

- Com sua canção antiga -

Se apagava com o candeeiro...

Desfeito pela fadiga.

 

Vinha o corso familiar

- Nas tardes demais fagueiras -,

Da Angélica até a Paulista,

Levando a brincadeira.

 

Moças dos táxis-dancing,

Dos salões Verde e Tropical,

Além dos tradicionais

Martinelli e Cristal.

 

No curso desse progresso,

Mentes logo se despertam.

Vão mudando o cenário,

E as histórias nos encantam.

 

E assim, nas ondas dessa maré,

A vocação desabrochou.

Azevedo fincou prédios,

E o progresso se firmou.

 

Nossa terra alvissareira,

Com passos de um gigante,

Foi criando o cenário

A um progresso exuberante.

 

Um dia, contra a opressão,

Nos idos de trinta e dois,

Seus bravos deram o exemplo

Pra quem viesse depois.

 

Galhardia com destemor,

Contra o poder intimista.

O povo pegou em armas,

Com bravura altruísta.

 

Tombaram jovens guerreiros

- Heroicos MMDC -,

E outros tantos paulistas,

Pra dar futuro a você.

 

Na praça escorreu o sangue,

Respingando toda a nação.

À derrota seguiu-se a vitória,

Com a nova Constituição.

 

E pra que o povo jamais esqueça

Desse heroísmo sem fim,

O bom Deus nos ofertou

O poeta Paulo Bomfim.

 

Pois pra retratar esse fato,

Ele nos teceu os versos

Dando cores à história...

Tão linda desse universo.

 

Nas asas da inspiração

Cantava sua saudade,

Com versos sempre afluentes

Com as raízes desta cidade.

 

Reminiscências serenas

Que afloram do coração,

Sem mágoas e sem tristezas...

Apenas orgulho da tradição.

 

Hoje os passos de ontem

Caminham o tempo presente.

Buscam futuro fidalgo,

Pra garantir sua gente.

 

Espírito alvissareiro

- Fecundado nos cafezais -,

Sempre exibiu grandezas,

Honrando seus ancestrais.

 

E o resultado é sabido,

Nem é preciso contar.

Viver aqui nesta terra

É orgulho pra se aclamar.

 

Esta é a minha terra

- Um torvelinho estridente.

Locomotiva do Brasil...

Mais e mais envolvente.

 

Seu futuro que foi ontem,

Depois hoje e amanhã,

É esperança olhando à frente,

Renascendo a cada manhã.

 

Tecnologias de ponta.

Uma pitada de ousadia.

E os avanços da ciência

Dando viço à profecia.

 

Ondas cortando os céus.

Rádio, TV, celular.

iPhones e hotsites...

Mídias de comunicar.

 

Tudo é tão grandioso.

Contrastes de desiguais.

Pra equacionar seus problemas,

Só com estratégias globais.

 

De província a megalópole...

Quem lhe viu e quem lhe vê!

Anchieta já profetizava

Tudo isso de você.

 

Verdes campos desta terra,

Enaltecidos pelas glórias,

Sua bandeira treze-listas

Simboliza a própria história.

 

Reinaldo Bressani - Cadeira nº 15, da ACL.