Dança das Proparoxítonas

Fonte: Lázaro José Piunti

Entrou na academia com um sonho ilógico13 Lazaro Jose Piunti 33f60

Na posse discursou com seu timbre atávico

Pintando as mensagens no linguajar lírico

Brindou os acadêmicos com sorriso sádico.

Escolhendo sua cadeira com o gesto típico

Filetes de sapiência no velho viez socrático!

 

Não tardou a exibir seus projetos sórdidos

Sua paixão secreta cheia de desejos cínicos

Por si mesmo eleito o prior dos catedráticos

A acalentar na alma seus anseios mórbidos

Clamava ser Apolo dos deuses emblemáticos

E para as acadêmicas pedia favores íntimos.

 

O líder dos seus pares o arguiu bem próximo

Segredou conselhos em frases diplomáticas

E na elegia do bem teceu loas ao escrúpulo!

Uma tentativa vã de corrigí-lo por metáforas

Mas fracasssou na lógica, pois seu senso lívido

Esbarrou na teimosia do confrade esdrúxulo.

 

Restou a última oitiva junto ao comitê de ética

E ele perfilhou poemas em versos sem métrica

Na volúpia insensível refluiu do campo lúcido

Com argumentos insípidos provou ser estúpido

Reviveu da era pretérita a mais prosáica fábula

O débil libelo defensivo puniu o tímido rábula.

 

Na assembléia de expulsão bradando enfático

Distilou crítica a Pitágoras, o sábio matemático.

Inútil sua prédica expendida em tom fleumático

Sem resquício, o nobre sodalício foi pragmático.

Eliminou da academia o elemento pornográfico.

Mas ele acabou no Senado agente burocrático!

 

 

Lázaro Piunti

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. – 06-02-15.