Frances de Azevedo

Sebastião Luiz Amorim, Cadeira 25 da ACL, mais conhecido como Desembargador Amorim, nasceu na cidade de Avaré, interior de São Paulo. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP) em 1959.
Possui inúmeros trabalhos jurídicos editados que são de grande valia para estudantes e operadores do Direito. Alguns têm mais de duas dezenas de edições!
Foi condecorado com medalhas, diplomas, troféus, títulos, certificados. Pertence a inúmeras associações e academias.
Posto eu também transite pelo universo jurídico, não vou, aqui, propender para esse lado, pois quero prestar singela homenagem ao Poeta que habita em meu gentil afilhado, o qual tive o prazer, a subida honra e alegria de conhecer através de minha extrema ousadia. Sim, ousadia!
Foi assim: através de notícia jornalística, - cujo veículo de publicação não me recordo no momento, porém bem me recordo dos fatos que me levaram a conhecê-lo -, tomei conhecimento de que havia um desembargador poeta! Num impulso, num repente, logo após ler a notícia, lá fui eu, com meu sobrinho Rodrigo, bater à porta do seu gabinete no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Que ousadia de minha parte!
Mas valeu tal desvario, pois fomos atendidos com fidalguia pelo, - até então desconhecido por mim -, desembargador Amorim.
Assim, não só fiquei conhecendo essa pessoa gentil, humanista, irmão na poesia, como tive o prazer de tê-lo como meu convidado a palestrar na seccional da OABSP.
Ainda, em 22 de maio de 2007, no mesmo ano que tomei posse da Cadeira 39 da Academia Cristã Letras, já o indiquei para ocupar a Cadeira 29 deste conceituado sodalício.
A que ponto me levou aquela súbita e inexplicável vontade de conhecê-lo! Aliás, inexplicável não é, pois foi a poesia que nos uniu certamente.

E valeu a pena, pois tenho em minha biblioteca “Quaterno Poesias”: obra preciosa de sua lavra, efetivada a quatro mãos juntamente com José Carlos de Vilhena Nunes, Juarez de Oliveira e Wimer Luiz Amorim. Nesse livro, às fls. 66/68, encontramos seu comovente poema “NÃO MAIS...”, onde, em estrofes candentes, o Poeta Amorim derrama sua verve poética tocando a fibra mais sutil de nosso ser, senão vejamos:
Não mais os olhos tristonhos,
Tão vivos, cheios de sonhos,
Fitarão a bela lua...
Não mais verei o semblante,
Que muito meigo e distante
Alegravam a minha rua! ...
Era um pequeno rosado,
Que muita vez desolado,
Na minha porta encontrei...
Brincando sempre risonho,
Tinha um ar puro e tristonho,
Que nunca, jamais verei...
Nesse compasso, nessas duas primeiras estrofes cadenciadas, - sendo uma dúzia no total -, em rimas paralelas e alternadas, robustecidas com metáforas preciosas, o Poeta Amorim nos encanta, emociona às lágrimas!
Inquestionavelmente, salta aos olhos seu pendor poético!
Vale a pena ler na íntegra essa poesia que se encontra publicada no site da Academia Cristã de Letras desde outubro de 2021!
Frances de Azevedo - Cadeira 39 da ACL - 10/02/2026
