Afinal, o que é a vida?

Reinaldo Bressani

O nascimento da vida é, tão somente, o início do fim que é o pódio de todos nós mortais que somos e buscamos, dia a dia, alcançarmos os louros da chegada. Neste sentido, a vida é meramente um palco ondeReinaldo Bressani 3ab56 nascemos, vivemos e morremos.

Nascemos e vivemos, chorando, sorrindo, sofrendo, amando, odiando, guerreando, e só paramos no derradeiro dia die nossa existência. E assim agimos, sempre buscando posses: de amor, de bens, de poder, ou, simplesmente, a condição de ter, de possuir, de ser.

Evoluímos intelectualmente, é verdade, mas, jamais em plena harmonia com o sentido pleno das humanidades, ante à disrupção das nossas atitudes. E isso nos mostra que, na verdade, a lógica da vida parece não ter lógica.

Enquanto isso, a vida segue pelo tempo, buscando espaços qual uma correnteza fluída de desafios, de águas deslizando o tempo e alimentando vidas ao seu redor, ao mesmo tempo em que ruma em direção ao sepulcro de sua sina: o mar que é oceano... que é receptor de todas as águas. Este, por sua vez, não dorme inerte. Apenas inicia novo ciclo. Aquecido pelo Sol, realimenta os céus de nuvens e águas que voltarão aos chãos da vida. Uma natural engenharia que retroalimenta todo o mágico sistema deste planeta Terra.

Neste sentido, a vida, assim como a poesia, é como as águas do mar que, ora se espraia em serena calmaria, ora se agita em fúria insana, como se, inflexível, quisesse castigar todos os habitantes das profundezas oceânicas.

Todavia, por incrível que pareça, tal comportamento sinódico, é um ingênito curso à necessária renovação das espécies e da própria vida.

Tenho que admitir que, a princípio, não há nada de original nisto que afirmo aqui. Todavia, convém lembrar que os segredos da vida, via de regra, impõem-nos reflexões que avançam sobre este tema capaz de gerar concórdias e discórdias entre os homens e até mesmo entre povos inteiros. Entre nações que, num momento se aglutinam de forma harmônica e pacífica em torno de crenças e costumes, e, noutro digladiam-se aos extremos em nome do poder ou da fé. Típica atitude de irreflexão, imaturidade, ou, quiçá, insanidade humana, que lhe teria sido imposta como mais um dos celestiais desafios a serem superados quanto à sua evolução plena.

Concluindo: a vida, considerando-se o infinito dos tempos, nada mais é que um pequeno lapso de tempo transcorrido como uma grande epopeia de cores extremamente plurais e, ao mesmo tempo, tão efêmeras quanto a extensão da própria palavra vida. E isso é certamente a incógnita maior legada aos homens. Verdadeira barreira intransponível, repleta de inimagináveis e irreveláveis segredos a limitar sua compreensão.

Àqueles que creem em Deus, um indevassável lacre divino. Agora, aos céticos, aos ateístas, simplesmente, uma dor de cabeça sem solução, à qual cabem, tão somente, infinitas conjecturas.