Quem somos nós?

Duas linhas paralelas correm rumo ao mesmo objetivo – desvendar a origem do Universo e dos porquês da vida, ou seja, o eterno questionamento que se debate dentro de cada um e não apenas na cabeça dos filósofos: - "quem somos, donde viemos, para que viemos e para aonde iremos" quando, enfim, virarmos pó?!

Uma, dessas linhas, em traço sinuoso, leva, continuamente a um enovelado de teorias filosóficas e científicas, evolucionistas e sempre bastante complexas! Algumas dessas teorias, aceitando ou corrigindo, dão continuidade às definições que as precederam; ou, abandonam o que foi dito e defendem pontos conflitantes, sem que, no entanto, nenhuma delas, sempre avançando em estudos, através dos tempos, chegue a uma definição convincente e conclusiva, capaz de satisfazer, inclusive, aos próprios autores.

E esta indefinição, com certeza, há de perdurar por um tempo que se estenderá muito além da vivência de qualquer um de nós.

Se essa linha científica - que esbarra em mistérios intransponíveis que se sobrepõem a uma gama fantástica de pesquisas, conduzidas através de séculos, por inteligências das mais privilegiadas - não consegue chegar a uma conclusão conciliatória, quem sou eu, para aventurar-me a entende-la, ou tentar explica-la?!

A outra linha, doutrinária, a criacionista, apresenta, em contraposição, uma verdade com argumentação definitiva, que oferece um certo repouso, embora também apresente mistérios a serem aceitos com humildade por quem, sem pretender desvendá-los, sente simplesmente que aquela verdade, ao seu alcance, o satisfaz.

A primeira linha me atrai como curiosidade. Não sendo conclusiva, entretanto, não me satisfaz plenamente. Esclarece muita coisa, mas estaca assim que chega ao principal. Aponta o desconhecido, contudo, não o desvenda. Consequentemente, não dá repouso, pleno, àquela curiosidade que impulsiona a leitura de um alentado livro.

A segunda linha, a criacionista, já responde aos meus porquês e me oferece objetivos - dá sentido à vida e, assim, me tranquiliza e me ajuda a viver, sem maiores questionamentos. E, ainda, acima de tudo, valoriza o rumo dos meus passos, abrindo caminhos à minha frente, capazes de me conduzirem a algo que me determino a alcançar, desde que me fiz gente.

Portanto, continuo a ler, passivamente, e com muita satisfação, o que me vem às mãos, com o mesmo diletantismo ávido de quem quer saber algo mais sobre esse apaixonante e contestado assunto, mas, também, com a certeza de que, virada a última página, nada terá alterado as convicções de quem crê porque quer crer, convicta de que, se a Ciência tem limitações... a Fé jamais as tem!