Por que resgatar a memória da OAB/SP

Fonte: Frances de Azevedo

OAB/SP (importância da contribuição da entidade para a história e a formação da Nação Brasileira).

O tema que se propõe é uma questão interrogativa, justamente para incitar e, ao mesmo tempo, concitar o advogado a pesquisar, escarafunchar, ir a fundo, na história da entidade, em sua verdadeira essência, buscar as lembranças, as peças necessárias que formatarão, preencherão cada página do que hoje denominamos OABSP e, conseqüentemente, sua participação na historia do país.

Que fatos, que lembranças são importantes para compor esse quadro?! Serão somente as pessoas?! Serão somente os fatos?! Ou serão ambos?!

Numa família fala-se em memória afetiva. Tal se desenvolve desde os primórdios de nossa existência, mesmo que não nos apercebamos de tal.

A nossa casa, a OABSP, por certo há de ter uma memória afetiva, pois seus membros formam uma família. A família OABSP, como costumeiramente se refere o nosso presidente D`Urso.Frances de Azevedo 1 25820

Destarte, temos uma história de vida onde, em 22 de Janeiro de 1932, ocorreu seu nascimento, sua fundação, sob a batuta de seu primeiro presidente Plínio Barreto. O engatinhar, os primeiros passos, assim como são importantes para o relacionamento dos pais e filhos, são, com certeza, a pedra fundamental para o estreitamento dos laços familiares, quer numa família tradicional, quer para a família OAB!.

Temos, pois, que iniciar pelos primeiros dias de nossa fundação, pelos primeiros passos. Temos que nos ater aos primórdios de seu nascimento, para que todos os passos (fatos) elos, sejam atados, numa corrente única, sólida, onde a preocupação não será voltada para os elos maiores, mas, sim, para todos, pois numa corrente todos os elos são importantes para sua formação, sem o que, a mesma não se manterá unida, fortalecida para os seus propósitos.

Tais elos, nada mais são do que os vínculos afetivos, o gostar e querer, o inteirar-se, de coração, de tudo quanto faça parte da OAB/SP.

A imagem, a preocupação de como foram dados os primeiros passos, é, pois, a primeira etapa do álbum de fotografias e das informações da época que nos nortearão, criarão vínculos e atarão os laços afetivos, iniciando-se, assim, o resgate da formação da memória de nossa entidade!

Normalmente, o que vemos, o que temos, são advogados (as) filiados ao órgão de classe, simplesmente com o intuito, o objetivo único, de exercer a profissão. O que é compreensível, indiscutível. Todavia, no mais, eles não possuem o vinculo afetivo. Não sabem não se preocupam com a sua história. Quem foram seus presidentes. O papel da Ordem no contexto político, social. Os fatos marcantes, relevantes para a própria entidade, o Estado e/ou país. Infelizmente, poucos são os que realmente se interessam em criar, formar esse laço afetivo.

MAS, felizmente, temos uma comissão especifica para tal fim: A comissão de Resgate da Memória da OAB/SP!

Só que ela, sozinha, não será suficiente para tal trabalho de união, de interesse e amor verdadeiro para o órgão de classe dos advogados (as).

A que veio esta, que começou por iniciativa de seu primeiro presidente Fabio Marcos Bernardes Trombetti, em 1º de janeiro de 2004 e, hoje, tem à frente Carlos Alberto Baptista, o funcionário/advogado mais antigo da OABSP?!

Especialmente, e em boa hora, para resgatar, buscar desde os primórdios, recuperar e salvar a Memória da OABSP como um todo.

Verdadeiro trabalho de pesquisa “arqueológica” da história da OABSP, no intuito de escarafunchar os arquivos, para resgatar fatos, vultos e acontecimentos que fizeram a história da entidade, de nosso Estado e país.

Desde sua fundação, a Comissão de Resgate tem se esforçado em atender aos seus propósitos, convocando profissionais especializados e colegas abnegados que, aos poucos, foram se afeiçoando à causa, perseguindo os objetivos, procurando executar os projetos. Tanto que, já ocorreu restauração de alguns quadros, inclusive com um achado precioso de um quadro “escondido” num forro de uma das dependências da casa!

Também, faz certo que, o levantamento foi (está sendo) tão percuciente, que se chegou ao primeiro inscrito na entidade; à primeira mulher advogada, à primeira sede própria em 1955, ao primeiro (e único) presidente negro: Benedicto Galvão, a par dos fatos históricos de serviços prestados ao país, à causa da democracia, ao Estado de Direito, aos Direitos Humanos e à cidadania!

Já temos a Casa da Memória, lá na Rua Anchieta, 35, térreo, Centro, São Paulo, Capital.

A entidade possui 223 Subsecções; Já chegamos a 300 mil advogados e 9 mil escritórios inscritos; 100 comissões, entre permanentes e não permanentes.

De todos os Estados brasileiros, o de São Paulo, é o que agrega mais advogados (as), onde, portanto, maior a responsabilidade da OABSP para com as questões que envolvem o estado democrático de direito.

Estas últimas colocações são relevantes, pois quando se fala em resgate da memória, tal há de ser entendido dentro de uma contextualização. Mais exatamente, a de os advogados (as), estagiários e cidadãos “conhecerem o passado do país, que está entrelaçado ao da própria entidade, bem como, conhecerem e refletirem sobre a vida de personagens que fizeram a dinâmica desse tempo histórico. Tudo isso, como intuito de fomentar a reflexão sobre valores como civilidade, nação, pátria e democracia”.

ORA, não basta ter a Comissão da Memória e a Casa da Memória da OABSP, se o advogado (a) não se interessar, efetivamente, com todo ardor, como um filho que ama, se preocupa e respeita os pais!

Temos que incentivar, cada vez mais, os membros da entidade a se voltarem, verdadeiramente, para tudo quanto interessa à nossa classe. Cooperação é sempre benvinda.

Venha somar, ajudar, assim como se faz numa família. Criticas são bem vindas desde que haja participação efetiva. E participação efetiva é engajamento, cooperação, querer fazer, ajudar, ter atenção, tudo para que, juntos, possamos ter um órgão de classe onde todos possam ter o apoio que necessitam,esperam e merecem.

Assim como em nossa vida familiar, o afeto é primordial e necessário para nossa memória, a afetividade há de ser buscada no processo associativo para que possamos nos relacionar de maneira agradável, prazerosa, com satisfação. Assim, tal estado, com certeza, fortalecerá, cada vez mais, os laços entre os seus membros, levando, conseqüentemente, ao fortalecimento da classe.

Ao volvermos nossos olhos para os fatos históricos do passado e, obviamente, contemporâneos, da OABSP, com interesse verdadeiro, real, de coração, estaremos operando com afeto, o mesmo afeto que faz parte de nossa família pessoal. Afeto que une que faz crescer e impulsiona a família para frente!

A importância da contribuição da AOBSP para a história e a formação da nação brasileira, é pública, notória e inegável. Pode ser conferida em diversos compêndios, entre os quais, OAB/SP 70 Anos de História, em dois volumes.

Todavia, tal contribuição há de ser entendida como a de uma família que compreende as dificuldades da família maior: a Nação Brasileira!

Quando propus o tema do presente trabalho foi, exatamente, para falar de afeto, união dos membros do órgão de classe ao qual pertenço. A solução para inúmeros problemas está no afeto!

In Médio dicionário Aurélio, como Substantivo: Afeto: Afeição, simpatia, amizade, amor. E como adjetivo, significa: Afeiçoado, dedicado. Partidário. Sectário.

Conhecer o passado e confrontá-lo com o presente amplia a visão do advogado (a), levando-o a aprimorar sua atuação, seus conhecimentos, estreitar, cada vez mais, os laços da família/OABSP!

 

Frances de Azevedo - Membro da Comissão de Resgate da Memória da OABSP
1°/09/2010
Cadeira 39 da ACL (Desde Abril de 2007)