Experiências como Editor do Boletim de Informações Urológicas

Experiências como Editor do Boletim de Informações Urológicas (BIU), no Biênio 1996-1997[1]

Conte sua experiência como editor da revista.

boletim urologia 22fa8Fui indicado e estimulado para assumir a editoria do Boletim de Informações Urológicas (BIU) pelo colega José Luís Chambô, editor na gestão anterior (1994-1995). À época de minha atuação, a entidade foi presidida pelo professor José Carlos Souza Trindade[2], que pouco me conhecia, mas que me deu total apoio e liberdade para o desenvolvimento de minhas atividades. Embora já tivesse atuado como 2o secretário,  na segunda vez em que o dr. Mário Marrese havia exercido a presidência (1988-1989 – por um lapso, esse mandato não está no consignado na página eletrônica da SBU – SP, nicho Institucional, Diretorias Anteriores), eu não fazia parte, inicialmente, da diretoria executiva de 1996-1997. Isso era coisa incomum à época, o que per se, já evidenciava não somente uma abertura com a descentralização de funções, mas também ratificava a confiança que a diretoria e, sobremodo, o presidente me depositavam.

No início, os editores do BIU, assim como os dois outros nomes que esse periódico teve anteriormente – Boletim Informativo Urológico e Jornal de Informações Urológicas –, trabalhavam quase que solitariamente. Quando assumi essa função também desejei igualmente descentralizar e dividir responsabilidades. Formei um Conselho Editorial e convidei para dele fazer parte os jovens urologistas: Ricardo Jordão Duarte, Cláudio Francisco Atílio Gorga e Beatriz Helena de Paula Cabral, a primeira mulher urologista que desempenhou cargos administrativos na Sociedade Brasileira de Urologia – Secção de São Paulo e na sede nacional. A Beatriz e eu fomos incorporados à tábua diretiva como Delegados Suplentes da SBU – SP, cerca seis meses depois, com a abertura de mais duas vagas.

Formávamos um time coeso, democrático, que se reunia frequente, sistemática e independentemente da diretoria executiva, onde não somente planejávamos as variegadas matérias das edições anuais, como também tínhamos rigorosíssimo critério com a revisão ortográfica dos textos, antes da publicação. As edições, que até então eram publicadas em duas cores, tornaram-se coloridas, bimestrais, e com maior número de páginas. As capas, na maioria dos fascículos, eram adornadas com pinturas de artistas famosos, o que dava um tom cultural, sério e leve ao mesmo tempo, além de charmoso ao periódico. Entre as telas estampadas na capa, cito as autorias de Paul Cézanne, Alfred Sisley, Salvador Dali, Pieter Bruegel, Van Gogh, Raffaello de Urbino, Gentile Bellini e Norman Rockwell.

Como se tinha menor aproximação com a indústria farmacêutica e de equipamentos, visto que havia menos produtos e aparelhos voltados à nossa especialidade,  os recursos financeiros eram muito aquém do que se tem hoje em dia. Diante desse fato, tivemos a ideia de instituir uma vendedora freelance, que ganhava uma porcentagem pelas páginas de anúncios conseguidos, fato esse que muito nos ajudou a aumentar o orçamento aplicado no BIU.

Como era o cenário da urologia no seu período de editor?

À época, o número de urologistas era bem menor do que hoje em dia. Os serviços que ofereciam residências também eram em menor quantidade e não visitados ou acompanhados pela Sociedade Brasileira de Urologia – sede nacional, condição que dava margem também para o surgimento de centros que ofereciam estágios na especialidade; alguns deles utilizavam os recém-formados como mão de obra barata em troca de algum aprendizado prático e com irrisória formação teórica. A maioria dos serviços tradicionais de residência continha apenas um ano de tirocínio em cirurgia geral e o aprendizado urológico se cumpria em outros dois anos. A admissão na especialidade era automática, ou seja, já se prestava concurso para a urologia e a residência já incluía os diversos estágios em cirurgia geral.

A cirurgia renal percutânea era feita de forma incipiente em poucos serviços, ocorrendo o mesmo com a ureterolitotripsia endoscópica, que era realizada com aparelhos rígidos e calibrosos. Não havia o vídeo e nem se imaginava a laparoscopia. A litotripsia extracorpórea por ondas de choque – restrita a pouquíssimos locais –, era a coqueluche do momento, que havia se iniciado com a imersão dos pacientes em “banheiras”. As ressecções transuretrais da próstata e da bexiga ainda eram feitas com água destilada contidas em recipientes abertos e não se dispunham das soluções de manitol e de glicina que, em regime fechado, diminuem os riscos de infecção e de intoxicação hídrica. O cateter duplo J – uma grande invenção que já existia –, era utilizado com parcimônia devido ao custo, e ainda, vez por outra,  se chegava a utilizar sondas nasogástricas finas para modelagem e drenagem após intervenções da pelve e do ureter. Apesar dessa tecnologia operava-se ainda muito por via aberta. O padrão-ouro para a abordagem do câncer renal ainda era a nefrectomia radical, independentemente do tamanho tumoral, ainda que a utilização da nefrectomia parcial tenha sido proposta no início dos anos de 1990. Era inimaginável o fantástico avanço terapêutico na disfunção sexual masculina com a utilização dos inibidores seletivos da fosfodiesterase tipo 5 – sem dúvida alguma uma das maiores descobertas da medicina contemporânea! –, assim como a incorporação da utilização da toxina botulínica intradetrusora; dos slings e do esfíncter artificial na abordagem da incontinência urinária; das novas versões de próteses penianas infláveis, assim como a assimilação da laparoscopia na urologia e o surgimento da robótica.

Qual o cenário político da época?

Grande parte do poder decisório se concentrava nas mãos dos responsáveis pelos poucos serviços universitários de tradição e de renome. A política de bastidores explícita ou implícita era protagonizada pelos seus chefes, que detinham a primazia da direção e do controle dos “polos eleitorais”. Associados que não gravitassem em suas órbitas, dificilmente teriam chances de almejar ou de conquistar algum cargo diretivo relevante. Não se tinha controle das exigências mínimas para o funcionamento dos serviços de residência na especialidade. A preocupação com a educação continuada era pálida em comparação com os padrões hodiernos. Nos cursos e simpósios nacionais predominavam os mesmos palestrantes e ligados aos serviços universitários que comandavam a política dentro da especialidade. A eleição do presidente da SBU nacional era indireta, através do Colégio de Delegados. Por vezes, se tinha a impressão de que predominava um continuísmo incolor, inodoro e insípido. A incorporação de tecnologias de vanguarda passava primeira e necessariamente pelos serviços universitários, condição que há alguns anos não é observada necessariamente.

Quais as principais notícias da revista nos anos de 96 e 97?

O conteúdo do BIU foi substancialmente modificado em nosso mandato. Fizemos literalmente uma revolução editorial. Tencionávamos que o BIU não registrasse de forma monótona e incolor as efemérides importantes da urologia paulista e nacional, assim também com relação aos calendários de eventos urológicos do Brasil e do exterior. Muito mais do que isso, fizemos com que  o BIU servisse de tribuna para se divulgar artigos e pareceres de associados, dando oportunidades para que se apresentassem ideias, opiniões e críticas, assim como liberdade para o fomento de discussões. Tínhamos como mote, nesse particular, as célebres palavras do filósofo iluminista francês François-Marie Arouet, mais conhecido por Voltaire (1694-1778): “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”.

Enfim, mais do que um desfile de coluna social, objetivamos dar ao BIU densidade cultural e tessitura intelectual, onde, democraticamente, membros de tradicionais centros de formação urológica tinham as mesmas oportunidades de opinar do que sócios desconhecidos, mas igualmente contribuintes. Os artigos e opiniões dos leitores eram não somente recebidos, avaliados pelo conselho editorial, mas também se dava um retorno aos seus autores e missivistas, além de notificar quando iam ser publicados, prática então incomum, deselegante e deseducada que ainda, hoje em dia, é observada em diversas revistas. Isso era ponto de honra! As secções, à época, eram: Editorial, Entrevistas com urologistas nacionais e internacionais; Momento Ético, Uronotícias, Crônicas, Poesias, Coluna do Residente, Tirando suas Dúvidas (explanações vernaculares sob a responsabilidade do saudoso professor Giglio Pecoraro); Nossa Agenda, Uroinformática (a cargo do colega Ariel Scafuri); Honorários Profissionais, Homenagens, Atualidades, Comunicado Informal, Variedades, Classificados, Necrológios e Cartas do Leitor, secção essa que se constituiu numa tribuna livre e democrática, verdadeiro areópago de seu tempo.

A título de ilustração foram consignados no BIU desse biênio, dentre tantos comentários, os excertos: 1. Ao Professor José Carlos Trindade: Recebo prazerosamente o Boletim de Informações Urológicas editado pela nossa SBU – Secção São Paulo. (...). Com pomposos aplausos, este marco histórico de inovação e aprimoramento do BIU, enriquecendo com arte gráfica, tão importante veículo para nossa comunicação e integração, quero parabenizar o ilustre Presidente – timoneiro da nossa Seccional –, todos os seus companheiros dirigentes, bem como louvar, com igual sonoridade e retumbância, o Dr. Helio Begliomini, que, além de outros virtuosos predicados pessoais, projeta em seu editorial, o intrépido paladino que configura a filosofia aberta, edificadora, altaneira e democrática que constitui a bússola das atividades de nossa Seccional (José Ângelo Ribeiro Júnior, Limeira – SP, maio-junho de 1996).

A edição de setembro-outubro de 1996 constituiu-se uma grande tribuna democrática. Eis alguns pequenos espécimes: 2.1. Meu caro Helio. Segue a continuação histórica do concurso de urologia da EPM. Até onde você escreveu está certo. (...). Essa é a história recente, mas outros fatos surgirão e eu irei comunicando à direção do boletim se vocês quiserem fazer verdadeiramente a história da especialidade para os pósteros (Professor Afiz Sadi). 2.2. Prezado Helio. (...). Fatos lamentáveis ocorreram nos bastidores desse concurso onde membros da banca examinadora sofreram “forças ocultas” (que todos nós conhecemos) para que abandonassem a mesma e, dessa forma, impedir a participação de urologistas (...) – (Dr. Valdemar Ortiz). 2.3. Ilustríssimo Professor José Carlos Souza Trindade. Causou-me profunda indignação as equivocadas e malévolas considerações apresentadas por V. Sa. a cerca do concurso para provimento do cargo de Professor Titular de Urologia, ocorrido nesta Universidade, no mês de maio passado. (...). Desconheço o objetivo de V. Sa. em canhestramente assacar aleivosias, através de lentes embaçadas da desinformação. Se existem objetivos – nem sei se V. Sa. os têm, por certo não são nobres (...) – (Hélio Egydio Nogueira, Reitor da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina). 2.4. Em resposta: (...). Embora não existam dispositivos da legislação da Unifesp que determinam que as notas sejam dadas a público, provavelmente não deve existir nenhuma proibição em contrário. Neste sentido Vossa Magnificência, ao responder nosso Editorial, perdeu uma ótima oportunidade de torná-las públicas, tornando o resultado do concurso mais transparente. Quanto às ofensas pessoais, inúmeras e extremamente agressivas, além de serem descabidas e injustas, as mesmas não dignificam seu autor nem a Instituição que representa, e, portanto, não merecem resposta (José Carlos Souza Trindade, presidente da SBU – Secção de São Paulo). 2.5. Foi com muita alegria e satisfação que tomei conhecimento do novo Editor e Conselho Editorial de nosso BIU. Conheço muito bem o Dr. Helio Begliomini, pois já tive a honrosa oportunidade de trabalhar com ele há vários anos atrás. Pessoa idônea, responsável e competente, já demonstrou toda a sua capacidade neste curto período de tempo (Valter Yasushi Honji, Sorocaba – SP). Na edição de janeiro-fevereiro de 1997 foram consignados diversos pareceres, que estão ilustrados com os seguintes fragmentos: 3.1. (...). Com a palavra a SBU e espero que desta feita não fuja de suas responsabilidades e obrigações, respondendo, não retaliando; reparando o erro cometido e não incidindo em outros, enfim, aguardo a restauração plena daquilo que foi maculado pela impensada atitude aqui historiada (João Paulo Cunha Lima, São Paulo); 3.2. Prezado colega Helio Begliomini. Quero inicialmente cumprimentá-lo, juntamente com nossos colegas do Conselho Editorial, pelo excelente trabalho realizado, digno de reconhecimento dos Urologistas Brasileiros. A bem da verdade não posso aceitar ou mesmo admitir que a História da Urologia Mineira ocupe, no nosso Boletim, espaço tão restrito, omitindo fatos que tanto marcam o dia a dia de nossa especialidade no Estado, e até por dever de justiça não poderiam ser esquecidos (...) – Marcelo Martins Costa, assistente de urologia da Fundação Felício Rocho e vice-presidente da SBU. 3.3. Em resposta: Prezado colega Marcelo Martins Costa. Na edição histórica foi solicitada matéria com três meses de antecedência ao Dr. Paulo Habib Nascif, presidente da SBU – MG, que indicou o Professor Apparício Silva de Assis. A matéria foi publicada na íntegra. Atenciosamente (Helio Begliomini, editor do BIU). Na edição março-abril de 1997 estão registrados trechos das seguintes cartas: 4.1. Li, melhor, devorei a Edição Histórica do BIU de outubro passado, durante um almoço, sozinho num restaurante (...). Parabéns Helio, Bia, Cláudio e Jordão. Nós, urologistas, dessa e das próximas gerações, devemos um agradecimento de placa por esse grande serviço prestado à nossa comunidade: o resgate de nossa história. Muito obrigado (Valter Bestane, Santos – SP); 4.2. Homem Certo no Lugar Certo! (...). Dr. Begliomini e seus colaboradores, de fato, construíram um novo BIU; agora com feições modernas, de interesse crescente e com características jornalísticas e literárias. Hoje, é com satisfação e até mesmo excitação que recebemos o BIU e imbuídos de entusiasmo ainda maior, devoramos suas páginas cheias de informações de alto nível de excelência. Confirma-se, mais uma vez, o ditado “o sucesso não vem por acaso”. Haja vista, o Dr. Begliomini consegue, pela segunda vez, o Prêmio José de Almeida Camargo, de cultura geral, patrocinado pela Associação Paulista de Medicina. Além disso, o Dr. Begliomini é também continuador da obra do saudoso Eurico Branco Ribeiro, na Sociedade de Escritores Médicos. Parabéns, Professor Trindade por ter conseguido o “Homem Certo no Lugar Certo”. A Urologia brasileira agradece por mais um craque revelado na difícil missão de Escritor Médico (Nelson Rodrigues Netto Júnior, professor titular de urologia da Unicamp). Na edição maio-junho de 1997 foram consignados os seguintes pareceres: 5.1. (...). É, pois, Dr. Trindade, por acreditar em ideais maiores, entendendo firmemente que manifestações pessoais de desagrado não devem comprometer os objetivos maiores de nossa sociedade, e, sobretudo, dando ao seu julgamento a apenas a dimensão devida, esquecerei as insinuações e agressões, que atingiram nosso e outros serviços, por considerar que são apenas impressões de quem desconhece a verdadeira realidade que enfrentamos (Demerval Mattos Júnior, diretor do Serviço de Urologia do HSPE – SP); 5.2. Em resposta: Esta triangulação polêmica, na qual estamos circunstancialmente envolvidos, isto é, um ex-residente do Hospital dos Servidores do Estado de São Paulo, o Diretor do Serviço de Urologia daquele importante nosocômio e o Presidente da Comissão de Ensino e Treinamento (CET) da SBU, põe em evidência que a necessidade urgente de reestruturar e reorganizar todas as Residências de Urologia do Brasil constitui tarefa extremamente difícil, de execução trabalhosa e que gera situações de conflito e até agressões verbais, mesmo entre velhos amigos e companheiros de diretoria da SBU. (...). Outro aspecto a ser considerado é a necessidade de respeitarmos as normas estabelecidas. É uma questão de justiça e um princípio democrático submeter todos às mesmas regras e exigências, independentemente da procedência ou do “prestígio” do Serviço dentro do contexto urológico nacional. Toda vez que nos desviarmos desta conduta, aparentemente fria e burocrática e criarmos exceções injustificáveis, certamente estaremos cometendo uma injustiça maior com aqueles que se autoadequaram, em tempo hábil, aos regulamentos oficiais existentes (José Carlos Souza Trindade, presidente CET – SBU).

Ademais, no biênio 1996-1997 ampliamos exponencialmente a nossa mala direta. Já iniciamos com uma tiragem expressiva de 3.500 exemplares, sendo elevada ao longo do mandato para 5.000!!! O BIU, nessa gestão, foi enviado gratuitamente a todos os urologistas do território nacional e membros correspondentes estrangeiros, assim como às seccionais da SBU que tinham sede; às Faculdades de Medicina, Bibliotecas, Hospitais, Indústrias Farmacêuticas, Indústrias e Comércio de Equipamentos e Produtos Médicos, além de instituições interessadas em recebê-lo.

Além disso, paralelamente, empreendemos em nível nacional, um ambicioso e fatigante projeto: o de Resgate da História da Entidade, através do qual, conseguimos organizar e entregar, a duras penas para a seccional paulista da SBU, preciosidades que a sede não possuía e nem sequer cogitava possuir: A Galeria dos Presidentes da SBU-SP e suas tábuas diretivas, assim como reunir e encadernar toda a coleção de Periódicos da SBU-SP, da SBU sede nacional, bem como toda a coleção do Jornal Brasileiro de Urologia. Nesse hercúleo e inusitado empreendimento de valorização do nosso passado, começamos a inserir na página Expediente do BIU, não somente a Relação dos Presidentes em seus mandatos, da seccional paulista da SBU, assim como dos Editores dos boletins da entidade até então, prática que, felizmente, persistiu por diversas gestões sucessivas. À época, assim ficaram homenageados e agradecidos: Boletim Informativo Urológico (Geraldo Eduardo de Faria, 1980-1981); Jornal de Informações Urológicas (Mário Marrese, 1982-1989); e Boletim de Informações Urológicas (Geraldo Eduardo de Faria, 1990-1993 e José Luís Chambô, 1994-1995).

Por fim, nesses dois anos de fatigante trabalho empreendemos três edições extras e históricas do BIU: 1. Edição Histórica – SBU 1926-1996, por ocasião dos 70 Anos da Sociedade Brasileira de Urologia (outubro de 1996, com 60 páginas!); 2. Resenha Histórica da SBU – SP, por ocasião do 28o Aniversário da Seccional Paulista (agosto de 1997, com 20 páginas); e 3. História dos Congressos Brasileiros de Urologia (outubro de 1997, com 40 páginas). Essas três edições históricas constituem-se, hoje, preciosas e raras peças literárias da entidade!

Deve-se salientar que tudo foi feito sem a ajuda de jornalistas contratados para a elaboração das matérias, que eram idealizadas, planejadas, realizadas e revisadas pelo conselho editorial, num extenuante e meticuloso trabalho.

Comentários que queira destacar

A gestão como editor do BIU 1996-1997 constituiu-se em dois anos de muitíssima dedicação, embates construtivos e mudanças de paradigmas. As 12 edições bimestrais ordinárias do BIU, acrescidas de outras três históricas, acumularam um volume de 428 páginas (!!!) em prol da urologia, da cultura e da SBU paulista e nacional (Figura 1). Tudo valeu muito a pena!

 Com tristeza verifiquei, recentemente, que foram suprimidas na página do Expediente do BIU, ainda que então consignadas em letras bem minúsculas, não somente a Relação dos Presidentes da SBU – SP em seus mandatos, assim como a relação dos Editores do BIU e dos boletins que o precederam. Aliás, os editores do BIU e seus respectivos Conselhos Editoriais, deveriam também constar no nicho Institucional da página eletrônica da Seccional Paulista da SBU, pois também, juntamente com outros dirigentes, contribuíram desprendidamente para a entidade e para sua saga histórica.

Uma entidade que não cultiva e não preserva sua história, seus protagonistas e seus valores, peremptoriamente não merece existir. Da mesma forma, dirigentes que ignoram, desdenham ou preterem seus antecessores, ainda que de posições políticas e ideológicas diferentes –, igualmente, também desmerecem ser lembrados pelos seus ulteriores. É sempre oportuno recordar o pensamento humilde do genial inglês Isaac Newton (1642-1727), titã da física, da matemática e da astronomia: “Se enxerguei mais longe, foi porque me apoiei sobre os ombros de gigantes”.

Nesse ensejo final, reconheço e agradeço o professor José Carlos Souza Trindade  e sua diretoria executiva, que deram total liberdade e apoio ao nosso trabalho como editor do BIU, no biênio 1996-1997, assim como aos membros do nosso Conselho Editorial: Ricardo Jordão Duarte, Cláudio Francisco Atílio Gorga e, de modo mui particular, à Beatriz Helena de Paula Cabral, que não somente comungou, dividiu, planejou e ampliou comigo as metas traçadas e os trabalhos empreendidos, mas que também se tornou numa grande obreira da causa urológica paulista e nacional.

Enalteço e parabenizo o colega Celso de Oliveira, atual editor do BIU, assim como o seu Conselho Editorial, pela ideia de homenagear os ex-editores desse glorioso informativo da SBU paulista.

helio begliomini 1996 e 2017 b8104 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[1] Entrevista escrita concedida em 2015, ao dr. Celso de Oliveira, editor (2014-2015) do BIU – Boletim de Informações Urológicas, órgão oficial e informativo da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional do Estado de São Paulo SBU – SP).

[2] José Carlos Souza Trindade era o professor titular de urologia da Faculdade  Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu da Unesp – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.