Educação Sadia

Frances de Azevedo - (21/Junho/2010)

EDUCAÇÃO SADIA

Instado amigavelmente no intuito de continuarmos a filosofar, poetar e prosear por escrito, meu querido padrinho J.B. abraçando essa idéia, apresenta-nos o tema: Que Mundo Vamos Dar aos Nossos Filhos? Que Filhos Vamos Dar Ao Mundo?

Tema palpitante, tantas vezes abordado em palestras, discutido à exaustão...

Tentarei enveredar pelo tema proposto, atendendo a um impulso que me invade agora o pensamento. Nem sei se é o certo ou não, mas...

O que leva um país a ser considerado culto, desenvolvido, o chamado país de primeiro mundo?!
As respostas serão múltiplas e diversificadas, dependendo do ponto de vista de cada um, de seus conhecimentos científicos, históricos, econômicos, religiosos...

Adentro o campo da noética (estuda os fenômenos subjetivos da consciência, da mente, do espírito e da vida a partir do ponto de vista da ciência) ou, simplesmente, a dimensão espiritual do homem.

Que filhos vamos dar ao mundo? Que mundo vamos dar aos nossos filhos?

Sou de um tempo em que a religiosidade estava presente no dia a dia, nos lares, nas escolas, nas ruas. Não essa religiosidade televisiva veiculada para vender imagem deste ou daquele padre, desta ou daquela igreja. Simplesmente, o cuidar da alma, um olhar para o lado espiritual verdadeiro, fazendo parte da educação com princípios sadios e complementares desta.

Buda pregava que o mundo é criado por nossos pensamentos, que a consciência está em toda parte e que a realidade e a vida são uma só, estando todos os seus elementos constituintes inextricavelmente ligados por teias de interdependência.

Platão, Aristóteles, e outros filósofos na Grécia antiga já estudavam o lado divino, transcendente, absoluto, além do raciocínio humano comum. Ou seja, a ciência cognitiva (noética) que põe a mente a funcionar. É o nosso lado espiritual.

Segundo Victor Frankl (fundador da Logoterapia) :

“Homem e animais são constituídos por uma dimensão biológica, uma dimensão psicológica e uma dimensão social, contudo, o homem se difere deles porque faz parte de seu ser a dimensão noética. Em nenhum momento o homem deixa as demais dimensões, mas a essência de sua existência está na dimensão espiritual. Assim a existência propriamente humana é existência espiritual. Nesse sentido, a dimensão noética é considerada superior às demais, sendo também mais compreensiva porque inclui as dimensões inferiores, sem negá-las – o que garante a totalidade do homem”.

Feitas essas colocações, vou ao fulcro da questão para asseverar que falta ao homem deste século volver seu olhar para o lado espiritual. Lado espiritual verdadeiro que diz de perto à humanidade; ao verdadeiro eu, onde, a ética, a moral, a responsabilidade, o respeito às leis, ao próximo, à natureza, espírito de coletividade, de exercício da cidadania, a preocupação da sociedade como um todo (sem individualismos). De tal sorte que, sejam as diretrizes, os verdadeiros objetivos a conduzir a Nação como um todo.

Neste ponto, lembro a lição da Martin Luther King, e sempre lembrada pelo J. B.:

“O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.

Vamos, pois, nos movimentar, agir desde já, para:

Educar nossos filhos para a vida, para o mundo, lutando por uma consciência coletiva, para fortalecer os valores essenciais da vida em sociedade (moral, ética e espiritualidade).

Com tal conscientização, com certeza, o amor pelo meio ambiente, pelo mundo em que vivemos (natureza, água, ar, terra), pelo nosso semelhante (nosso irmão, nosso igual) será modificado, harmonizado, construindo, assim, um país bem melhor para o futuro.