
Poema inspirado na obra de Paulo Bomfim
(nascido a 30 de setembro de 1926)Somos passagem...
Histórias do vento em velozes façanhas.
Disfarces da alma bordando destinos.
As letras tecendo sentenças estranhas,
fazendo crescer distraídos meninos.
Mandala da Lua desnuda a alvorada.
No cântaro o amor, em ausência, se fez
comboio de nuvens, dormente na estrada,
jornal do futuro que eu leio outra vez.
Em todos os passos, o chão da procura.
Em cada caminho, uma chance, mudança.
E, no “vir a ser”, o vazio da moldura
espera que alguém faça parte da dança.
E qual filamentos de um tempo perdido,
nós somos semente, paineiras, paisagem.
Palavras ao vento no céu esquecido.
No rondó do sonho, nós somos passagem.
