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Geraldo Nunes

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Certa vez fui convidado a participar de um evento no Pátio do Colégio e ao chegar já estava presente o nosso confrade na Academia Cristã de Letras, Reinaldo Bressani. Sempre alegre, receptivo, sorridente nos cumprimentamos, como faltavam alguns minutos para o começo da cerimônia, iniciamos uma agradável conversa.

Contei ao Bressani que havia encerrado a leitura da biografia de Castro Alves, escrita por Odécio Bueno de Camargo. Expliquei que neste livro o autor garante que o poema “Navio Negreiro” foi finalizado em São Paulo na época em que o “Poeta da Liberdade” era aluno da Academia de Direito do Largo São Francisco. Com 240 versos cheios de ternura e dramaticidade, as belezas do mar e do céu contrastam com a brutalidade e os horrores da escravidão. Citei depois “Os Lusíadas”, de Luís de Camões com mais de 8.800 versos, para mim o mais longo poema que conheci.

Foi então que o nosso saudoso Reinaldo Bressani mostrou em breves palavras, com a humildade que o caracterizava, ser um grande conhecedor da literatura universal. Ele me apontou que o mais longo poema já escrito em todos os tempos, foi compilado na antiga Índia com 220 mil versos e cerca de 1 milhão e 800 mil palavras. Nosso confrade acrescentou, para minha surpresa, que o poema indiano em questão supera em tamanho outras obras épicas famosas como a “Ilíada” e a “Odisseia” de Homero e deu ênfase; “é cerca de cinco vezes maior que essas duas obras juntas.”

Com ajuda da internet passei a pesquisar as informações iniciais apresentadas pelo amigo Bressani e descobri que de fato, trata-se do poema “Mahabharata”, de cunho religioso, escrito em sânscrito, iniciado cerca de 400 anos antes de Cristo e finalizado no século II da Era Cristã. Versa o poema que os males com que afligimos o próximo nos perseguem e, somente obras inspiradas pelo amor aos nossos semelhantes são as pesarão em nossa defesa, na balança celeste. “Se convives com os bons, teus exemplos serão inúteis, não receeis habitar entre os maus para os reconduzir ao bem, o homem virtuoso é semelhante a uma árvore gigantesca, cuja sombra benéfica permite frescura e vida às plantas que a cercam.” Por fim, o poema apresenta uma belíssima metáfora: “O homem virtuoso é semelhante a uma árvore gigantesca, cuja sombra benéfica permite frescor e vida às plantas que o cercam”.

Me senti feliz em ter obtido tamanhas reflexões, graças a uma conversa informal com o saudoso Reinaldo Bressani que foi para nós e com todos que conviveram com ele, uma pessoa sensível e cordata, sempre amável em suas conversas repletas de humanidade e generosidade. Reinaldo Bressani merece ser lembrado.

*Geraldo Nunes, jornalista e escritor, é titular da cadeira 27 na Academia Cristã de Letras - ACL