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 Vitor Santos

70 x 40 A1 7d4caProfessor: Paulo Nathanael

Entrei na escola antes de saber que o mundo era vasto. Para uma criança, o portão de ferro não era um limite, mas um portal. Naquela época, eu não entendia de estruturas ou vigas, mas sentia que ali, entre o giz e o apagador, algo sólido estava sendo erguido. Não era apenas o currículo que se assentava em minha mente, mas uma arquitetura espiritual que me ensinava a habitar o mundo.

A escola, sob o olhar de mestres como Paulo Nathanael Pereira de Souza, nunca foi um mero depósito de informações ou um centro de treinamento técnico. Ela é, em sua essência, um exercício de transcendência. Se a arquitetura civil lida com o concreto, a educação lida com o invisível. O mestre atua como o engenheiro das almas, calculando não o peso das lajes, mas a carga de esperança e responsabilidade que um jovem pode carregar para edificar uma sociedade mais justa.

Neste solo sagrado, a Cristandade se manifesta não por dogmas impostos, mas pela vivência prática da Alteridade. A escola é o primeiro lugar onde somos apresentados ao "Outro" de forma irremediável. No pátio, durante o recreio, a teoria do amor ao próximo é testada no calor da convivência. É ali que aprendemos que o colega não é um competidor, mas um irmão de jornada. A ética cristã, que permeia os grandes educadores humanistas, ensina que o conhecimento só é legítimo quando se torna serviço. Uma inteligência que não se inclina para socorrer a fragilidade do outro é uma estrutura condenada pela própria arrogância.

Lembro-me do cheiro de papel novo — aquele perfume da possibilidade. Naquelas páginas em branco, desenhávamos o futuro com o grafite da curiosidade, mas era a borracha do erro e do perdão que nos moldava o caráter. A escola nos ensina a lição fundamental de que ninguém se salva sozinho. Se a casa nos dá o porto seguro da identidade, a escola nos oferece o mar aberto da fraternidade. É o espaço onde a liberdade deixa de ser um instinto egoísta para se tornar uma conquista coletiva, balizada pelo respeito e pela busca incessante da Verdade.

A ética, nesse contexto, é o prumo que garante que a construção não se incline para o abismo do niilismo. Educar é um ato de fé no potencial divino que habita cada aluno. É acreditar que, ao ensinar uma criança a ler, estamos entregando a ela a chave para decifrar não apenas os livros, mas os sofrimentos e as esperanças da humanidade. Paulo Nathanael, em sua sabedoria, compreendia que a escola deve ser o lugar onde o intelecto e o coração se abraçam. Sem essa união, o saber torna-se uma ferramenta fria, capaz de erguer palácios, mas incapaz de consolar um espírito.

Hoje, ao observar as novas gerações, percebo que a escola é a viga mestra da nossa civilização. Ela protege a infância da barbárie da ignorância e prepara o adulto para a soberania do discernimento. É o solo onde a caridade cria raízes intelectuais. Quando um professor aponta para o horizonte, ele está, na verdade, repetindo o gesto milenar de quem guia o rebanho para pastos de luz.

Plantar uma árvore sob cuja sombra talvez nunca nos sentaremos: eis a síntese da vocação do educador. É um trabalho de bastidores, uma fundação que ficará enterrada, invisível aos olhos dos que admiram a fachada do edifício social, mas sem a qual nada permanece de pé. A escola é, portanto, o nosso maior monumento à vida. E quando as luzes das salas se apagam ao fim do dia, o aprendizado não cessa; ele se transmuta em ação, em caráter e em amor, provando que o verdadeiro mestre não é aquele que apenas ensina a viver, mas aquele que, pelo exemplo, nos ensina a amar a vida em toda a sua complexa e divina arquitetura.

 

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