Geraldo Nunes

A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada em 1717 nas águas do rio Paraíba do Sul por três pescadores e, desde então, as graças oferecidas pela santa conquistam devotos em todo o país.
Em 31 de maio de 1931, o Papa Pio XI, proclamou Nossa Senhora Aparecida como “Padroeira do Brasil”, e esse acontecimento consolidou oficialmente a devoção existente no coração dos fiéis desde o século XVIII. Na ocasião, a imagem original de Nossa Senhora Aparecida foi levada de seu santuário original até o Rio de Janeiro, então capital da República, para o momento histórico.
Durante a cerimônia foi lido publicamente o decreto pontifício que declarava a Virgem Maria, sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, como “padroeira principal da nação brasileira”. Inclusive, neste dia, foram acrescentadas ao seu manto as bandeiras do Brasil e do Vaticano. O reconhecimento oficial, apenas confirmou aquilo que era há tempos, uma realidade para milhões de brasileiros.
A pequena imagem era um símbolo de devoção já na época da Independência do Brasil. Documentos dão conta que, em 20 de abril de 1822, em viagem pelo Vale do Paraíba, o então príncipe regente, Dom Pedro de Alcântara esteve na capela e conheceu a imagem de Nossa Senhora Aparecida, por ser aquele local, um importante ponto de peregrinação e um pequeno templo havia sido erguido justamente para abrigar a imagem da santa.
Mais adiante, em 1868, após dificuldades para engravidar, a Princesa Isabel e o Conde d'Eu visitaram a capela para agradecer à graça de terem tido filhos. Ela fez uma promessa e tornou-se mãe de três meninos. Em agradecimento pela maternidade e em demonstração de sua fé, Isabel doou o manto de veludo azul que cobre a imagem original e a coroa de ouro cravejada de brilhantes da santa. A entrega oficial ocorreu em 1888, mesmo ano da abolição da escravatura. A coroa e o manto doados pela princesa foram os mesmos utilizados pelo Papa São Pio X, na Coroação Canônica de Nossa Senhora Aparecida, em 1904, quando a santa foi proclamada “Rainha do Brasil”.
Depois, durante um Congresso Mariano realizado em Aparecida, para celebrar o 25º aniversário da Coroação da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, os bispos brasileiros solicitaram à Santa Sé o reconhecimento oficial da santa como Padroeira do Brasil. O pedido foi encaminhado pelo então arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Sebastião Leme, e acolhido pelo Papa Pio XI, que assinou o decreto em 16 de julho de 1930.
A proclamação solene ocorreu em 31 de maio de 1931, no Rio de Janeiro, com a participação de aproximadamente um milhão de pessoas. Passados 95 anos, a Mãe Aparecida segue como parte da história do país, por ter se tornado, símbolo de unidade, esperança e solidariedade para o povo brasileiro. No ano de 1980, durante a primeira visita ao Brasil do papa João Paulo II, o Dia da Padroeira comemorado em 12 de outubro, tornou-se oficialmente em feriado nacional para honrar Nossa Senhora. Desde então, cerca de 10 milhões de peregrinos visitam todos os anos o Santuário Nacional de Aparecida para renovar sua fé e confiar suas intenções à proteção da Virgem Maria.
Ao celebrar os 95 anos de sua proclamação como Padroeira do Brasil, se faz necessário apontar que Nossa Senhora Aparecida continua a ser um sinal de esperança para o povo, pois sob seu manto, gerações e mais gerações de fiéis encontram conforto, força e inspiração para viver o Evangelho e construir uma sociedade mais fraterna, justa e solidária.
Fonte: Vatican News
Geraldo Nunes, jornalista, escritor e consultor literário, é titular da cadeira 27 da Academia Cristã de Letras - ACL
