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Lázaro J. Piunti

ARLINDOI 6daf7

Sim!
Uma família numerosa proporciona momentos indescritíveis de vivência em comum.
Porém, no decorrer do tempo, essa benção cobra um preço doloroso demais, na medida em que seus membros se despedem da vida terrena. Éramos 12 irmãos.

A primogênita foi Maria, e, na sequência vieram Carmem Luzia, Luiz, Assunpta, Terezinha, Antônio, Benedito, João, Sylvio, Arlindo, Maria Elena e Lázaro José – eu, o último.

E o mais paparicado! (Por mistério divino, a quem restou a missão de acompanhar a sucessiva partida de cada irmão).

E agora o ARLINDO se foi.

Dez anos e pouco mais velho que eu, ele se desdobrava em cuidados, com imenso desvelo, do irmão menor. Dele ganhei, aos 10 anos, meu primeiro relógio.

No ano seguinte, uma bicicleta. Utensílios usados, mas úteis e valiosos - á época. ARLINDO foi quem mais me ajudou, sem demérito aos queridos irmãos e irmãs, que, a seu tempo, muito fizeram por mim.

Foi o conselheiro das horas incertas, confidente, companheiro, crítico amoroso, perenemente presente em minha vida atribulada. Há dezenas de passagens e eventos marcados pela sua presença em meu cotidiano.

Ele, percebendo meu sentimento solidário em relação aos oprimidos, conseguiu que eu, operário, aos 17 anos de idade, participasse em Jacareí, de Semana de Retiro e Estudos do Movimento dos Trabalhadores Cristãos, de forma a não me deixar seduzir pelas ideologias exóticas e tampouco sucumbir aos encantos nefastos da corrupção do sindicalismo pelego.

Por meio dele participei do 19º Cursilho da Cristandade, em Campinas. ARLINDO era um homem de fé. Diuturnamente interessado em aprofundar suas convicções.

Em seu livro – Rumo ao Infinito – em que tive o privilégio de modesta participação, ele revelou seu coração piedoso. Ali permitiu aflorar sua extremada Confiança nos designíos do Pai! Na celebração dos seus 90 anos, em maio, Arlindo, sorridente e amável, confidenciou a uma sobrinha que a festa era também de despedida! Disse que não chegaria até o próximo natal.

Estava feliz – tranquilo e sereno. Do ponto de vista metafísico, todos nós entendemos e aceitamos. No entanto, a separação física, é uma agonia. Sem dúvida ele cumpriu sua missão.

Como ensina o profeta Isaías, “o menino viveu todo o seu tempo”! E nós, os que ficaram – irmão, filhos, nora, genro, netos, bisneta, sobrinhos, prosseguiremos, confortados pelas doces recordações de quem foi mais que ARlindo.

Ele foi ARbelo, de alma.

ARlivre nos braços de Deus!