O presidente Michel Temer

Fonte: América economia

"MEU LEGADO É UM PAÍS REORGANIZADO E NO CAMINHO DO CRESCIMENTO"
MICHEL TEMER

ives 491daO governo Michel Temer, considerando o cerco da imprensa, da esquerda e dos arautos do caos, conseguiu resultados além das expectativas, com alguns fundamentos econômicos essenciais obtidos por força de uma coerente política de reformas possíveis e contenção de despesas.

O presidente Michel Temer, cuja brilhante carreira de jurista e professor de Direito Constitucional foi atalhada pela carreira política, assumiu o país em condições deploráveis, com inflação na casa de dois dígitos, juros elevados, PIB com perda em torno de 3% a 4% ao ano nos últimos anos de governo Dilma, desemprego crescente, reformas paralisadas, descontrole absoluto nas contas públicas, vinculação do país às ditaduras cubana e venezuelana, falta de protagonismo internacional e profundo envolvimento em corrupção de bilhões de reais, com os principais líderes de seu partido ou presos ou denunciados ou investigados.

O impeachment da presidente Dilma - que decorreu não só das pedaladas fiscais, mas da sua impossibilidade de governar - permitiu ao presidente Michel Temer estancar o processo e tomar medidas que auxiliarão o país a retomar o crescimento.

Com a reforma trabalhista, reduziu as aventuras judiciais laborais; com o estabelecimento de um teto nas despesas, evitou simultaneamente a corrupção e o aumento do déficit; com o diagnóstico correto das contas públicas, permitiu que se conhecesse o retrato exato das finanças, afastando a fantasia do governo anterior; com adequada política monetária, derrubou os juros e controlou a inflação; com revisão da política internacional, deixou de cortejar as ditaduras da esquerda para inserir o Brasil no mundo do século 21, assim como tomou inúmeras outras medidas moralizadoras, nos limites da lei suprema.

Só não fez mais pela ainda mal explicada atuação do procurador-geral da República anterior e de seu principal auxiliar, simultaneamente colaborador de confessos empresários corruptores, que, em gravação armadilhada, pretenderam comprometê-lo, gerando dois mal formulados e rejeitados pedidos de impeachment, cuja tramitação prejudicou as demais reformas (previdenciária e tributária), prontas para serem aprovadas.

A tentativa dos referidos cidadãos de derrubar o governo, que se revelou sem apoio jurídico, institucional e político, impediu, todavia, que o Brasil já pudesse navegar em águas tranquilas para o futuro presidente da República.

Estou convencido, de qualquer forma, de que o presidente Michel Temer, apesar de ter sido abandonado pelos próprios partidos que lhe davam suporte, por questões meramente eleitorais - decisão incorreta e infeliz que os levou a uma inesperada e fragorosa derrota nas urnas -, fez um governo de inquestionável importância para o momento turbulento que enfrentou.

Conhecendo e privando da amizade de meu colega de Cátedra Constitucional, embora em universidades diferentes, mas tendo o privilégio de recepcioná-lo como acadêmico nas Academias Internacional de Direito e Economia e Paulista de Letras Jurídicas, sobre ser seu confrade na Academia Brasileira de Direito Constitucional, entendo que a história far-lhe-á justiça, como fez a Campos Salles, também paulista, criticadíssimo pelas suas medidas de austeridade, mas hoje lembrado como o presidente que colocou em ordem as finanças da República, descompassadas desde o encilhamento.
Foi um bom presidente e, no futuro, assim será lembrado.


 Ives Gandra Martins - Professor Emérito das Universidades Mackenzie, UNIP, UNIFIEO, UNIFMU, do CIEE/O Estado de S. Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal - 1a Região; Professor Honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia); Doutor Honoris Causa das Universidades de Craiova (Romênia) e dasPUCs-PReRS, e Catedrático da Universidade do Minho (Portugal); Presidente do Conselho Superior de Direito da FECOMERCIO - SP; Fundador e Presidente Honorário do Centro de Extensão Universitária - CEU/Instituto Internacional de Ciências Sociais - IICS