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  • Fonte: Gabriel Kwak

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Vale a pena ler a obra Themis na Academia Cristã de Letras, da nossa colega Frances de Azevedo (Infoartes, 2026)! Podemos descobrir poesia até nas linhas das obras jurídicas, num parecer, numa petição, em razões forenses. Pois sim! Por que não??

Este compêndio reúne documentação sobre os nossos confrades que escolheram para si a carreira jurídica, ou pelo menos nesse segmento colaram grau de bacharel. São biografados oportunamente membros atuais, membros falecidos, membros remidos e patronos das cadeiras.

Toda essa matéria bibliográfica engendrada pelo engenho historiográfico dela, eminente advogada que é, revela a mobilização de incontáveis fontes de pesquisa, além de sugerir uma ampla visão da vida existencial útil da entidade celebrada nesta obra. O desafio deste levantamento não desencorajou Frances. Ela não temeu o tamanho da empreitada!

Impressionou-me sobremodo o volume de informações que Frances vasculhou meticulosamente, com tamanha aplicação. Inclusive, o leitor é favorecido com um bônus estampado na quarta capa: versos poderosos de Frances sobre a deusa da Justiça que empunha a balança e a espada. Aliás, “A Balança e a Espada” é o título do segundo tomo das luminosas memórias do grande professor Miguel reale..

Muitíssimo informativo, o livro traz minúcias curiosas sobre cada integrante realçado, acompanhado da fotografia ou do desenho do biografado. Algumas minibiografias reproduzem memoráveis trechos das obras do acadêmico retratado. Por exemplo, assinale-se que Frances selecionou uma bonita poesia do colega Justino Magno de Araújo sobre o rio, extraída da obra deste Perfis Poéticos de Grandes Autores Nacionais. Outro exemplo, destacou trecho de entrevista do nosso confrade Ricardo Marques Dip e fragmento da poesia “Participação”, da saudosa Mariazinha Congílio.

Ademais, a autora agradou em cheio também ao adicionar depoimentos exclusivos que tomou de outros colegas sobre os personagens, como o de Gabriel Kwak sobre Brasil Bandecchi e Raquel Naveira sobre Renato Báez. São ainda de enorme proveito os prefácios de Justino Magno de Araújo e J.B. Oliveira, ambos também da nossa ACL.

Pude matar as saudades de mestres com quem convivi e que já se encontram no além: Sólon Borges dos Reis, Silveira Peixoto, Genésio Cândido Pereira Filho e José Altino Machado. Quanta saudade!

Ficamos sabendo que o primeiro arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo da Silva se graduou em Direito. Também fico sabendo que nosso confrade Cel. Arruda além dos bancos policiais perlustrou os bancos da faculdade de Direito, além de ter cursado Comunicação.

A autora se permite valiosas anotações autobiográficas como se fossem instantes antecipados de um futuro livro de memórias de uma cidadã e literata que conviveu com maiorais da nossa cultura.

Por exemplo, conta da sua convivência com o saudoso acadêmico Walter Rossi, autor da célebre “Prece da Árvore” e ex-presidente da Casa do Poeta Lampião de Gás - SP: “Conheci pessoalmente Walter Rossi no Movimento Poético Nacional. Figura simpática, gentil. Costumava comemorar o Dia da Árvore, lá, na Praça da Árvore, bairro da Saúde. De certa feita, compareci: não havia ninguém com ele naquele momento. Pude então constatar o amor incondicional do poeta à natureza. (p.148)”

Nas pegadas de outra meritória obra de Frances, Mulheres da Academia Cristã de Letras (2024), esta obra merece destaque pois será muito útil ao pesquisador do futuro porque ela se empenhou na precisão das informações que alinhou. Frances possui o gosto irrecorrível pela pesquisa histórica e marcou um golaço ao recuperar o patrimônio intelectual do sodalício e torná-lo mais vivo e colorido com traços fortes. As instituições são feitas do material humano invulgar, imarcescível que as anima e as singulariza. Este livro só tem um defeito, a meu ver: terminar...