Espanta-me observar a pouca difusão nos meios culturais, da figura exponencial do baiano Antônio Frederico de Castro Alves.

Ele viveu pouco, (14/03/1847 - 06/07/1871), mas, o suficiente, para ocupar espaço sideral na História deste País marcado de injustiças.
Sem perder o gosto pela poesia que canta o amor e o sabor que distila paixão, ocupou-se diuturnamente na luta pela liberdade dos irmãos africanos, transportados como escravos para a prosperidade das lavouras dos senhores de engenho.
Jovem, juntamente com Rui Barbosa, ambos deram luz e vida à “Academia Abolicionista” em Recife. Coisas de loucos! Não por acaso o silogeu se localizava na Rua do Hospício!
Castro Alves morreu aos 24 anos, após um tiro acidental no calcanhar. Estava tuberculoso. A morte prematura do seu irmão (sofria das faculdades mentais e se suicidou) abalou o espírito intrépido do poeta.
As obras de Castro Alves são memoráveis. Destaco: NAVIO NEGREIRO – parte dele.
“Senhor Deus dos desgraçados
/Dizei-me Vós, Senhor Deus
Se é loucura, se é verdade
Tanto horror perante os céus”?
Em VOZES DA ÁFRICA ele clama, em linguagem plena de dor:
“Deus, ó Deus, Onde estás que não respondes?
Em que mundo, em que estrela Te escondes”?
Castro Alves cultuou o romantismo com imensurável pendor. Sabia, com maestria, desenvolver a métrica e a rima em seus poemas - versos recamados de pureza literária!
À par das reverências ao amor, rendido aos encantos femininos (ele era cortejado pelas moças da época), ficou mais conhecido como “O Poeta dos Escravos”.
Porém, a História não registra seus dissabores, as perseguições vivenciadas em seu mundo, face às suas posições libertárias. Foi discriminado entre os seus! À figura imortal do poeta rendo minhas homenagens.
Dia 14 de março de 2026 assinala o 179º ano do seu nascimento. Eu o elegi meu Patrono (Cadeira 14), na fundação da ASLE – Academia Saltense de Letras.
Que as gerações por vir saibam honrar o verdadeiro Príncipe dos Poetas brasileiros!
Lázaro José Piunti - (Membro fundador da ASL).
